quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Traquinas e o espermatozoide voador





O irrevogável Portas já percebeu que Passos Coelho se livraria dele de bom grado, se  encontrasse um pretexto consensual para o divórcio, dentro do PSD..
Vai daí, esqueceu as humilhações que lhe têm sido infligidas pelo pm e entrou numa fase de  auto-promoção, procurando tirar dividendos de medidas do governo pretensamente impostas pelo CDS/PP.  Presumo que tenha sido nessa onda que Adolfo Mesquita Nunes  tenha sido chamado  a desempenhar o papel de Cavaleiro da Triste Figura, naquela entrevista à RTP 2, em que atribuiu ao governo o sucesso pelo aumento do turismo no Porto e região Norte.
Ontem, Portas dizia que as pessoas iam sentir nos recibos de salários e pensões os sinais de recuperação da economia.
Portas esqueceu-se (?)  que a recuperação dos salários dos funcionários públicos e das pensões dos reformados foi imposta por uma decisão do Tribunal de Contas e não por iniciativa do governo mas, sendo esses esquecimentos seletivos do líder do CDS  uma característica da sua personalidade, relevo-lhe o lapso memorial e vou ao mais importante.
Mais grave é a denúncia feita pelo sindicato dos quadros técnicos do Estado, de que há trabalhadores da função pública  a receberem menos do que recebiam antes da “devolução” de 20% dos cortes, por força da carga fiscal. Noutros casos, há discrepâncias entre o valor que os funcionários deviam ter recebido e o que efectivamente estão a receber.
Resumindo: quando olharem para os recibos, muitos funcionários públicos vão perceber que Marilú foi suficientemente ardilosa para  recuperar, por via fiscal, as deduções que deveria devolver. Como de costume, Portas só saberá disso pelos jornais.  Será então que muitos funcionários públicos vão perceber que as declarações de Paulo Portas são  tão fiáveis como as destas jovens americanas e  brasileiras do Estado de Minas Gerais que acusam  um espermatozoide voador de as ter engravidado


"Se queres conhecer o vilão

... põe-lhe uma vara na mão".
Normalmente, quando uma pessoa que considero séria, cordata e civilizada se sujeita a fazer figura de parolo,ou se revela prepotente e zombeteiro, porque o poder lhe tirou o discernimento, recorro à sabedoria popular para tentar encontrar uma justificação. 
Vocês sabem de quem estou a falar... 

Ó p'ra mim tão desconfiado!

Hoje devo ter sonhado com coisas esquisitas, porque tudo o que leio me deixa desconfiado. Aqui ficam apenas dois exemplos
- Quando o indigitado futuro presidente da RTP dá uma entrevista em que esclarece que a RTP não deve fazer concorrência às privadas, não estará a anunciar que o objectivo do governo continua a ser a descridibilização da empresa, para depois a privatizar?
- Nos escaparates leio a capa do CM. Não há uma única notícia sobre Sócrates. Será que a PGR se viu obrigada a puxar as orelhas ao Octávio Ribeiro, por não ser nada discreto na divulgação da informação que lhe é fornecida por agentes da Justiça? Ou será que o artigo do Afonso Camões no JN revelou algumas verdades incómodas?



Paulo Portas vai ao Iemen

Quando soube que a popularidade de François Hollande tinha aumentado 21 pontos ( de 19 para 40) após os atentados ao Charlie Hebdo, Passos Coelho telefonou imediatamente a Paulo Portas:
- Paulo tens de ir ao Iemen com urgência
- Ao Iemen? Deves estar maluco, Pedro. Que é que vou lá vender?
- Não vais vender nada. Vais ganhar as eleições
- Ganhar as eleições no Iémen? Estás a sentir-te bem, Pedro? Liga mas é ao teu médico, porque deves estar com um esgotamento.
- Já vi que ainda não leste os jornais hoje, Paulo.
- Pois, ainda não tive tempo.
- Logo vi. Fica a saber que depois do atentado ao Charlie Hebdo a popularidade do Hollande subiu de 19 para 40%
- E daí? Nós aqui não corremos riscos de nenhum atentado.
- Por isso mesmo, pá! Estás mesmo bronco. Não temos atentados, mas podemos ter se tu fores ao Iemen.
- O quê? Estás a insinuar que eu vá ao Iémen para ser morto por aqueles fanáticos e no dia seguinte vir nas primeiras páginas dos jornais como mártir?
- Nada disso, Paulo. Mas nós temos terroristas portugueses no Iemen, estás a perceber?
- Parece-me que estou a começar a ver qualquer coisa...
- Então vais lá, falas com ele e combina uma coisita qualquer para eles fazerem cá. Que não magoe muito. De preferência sem mortes, mas se tiver de ser...
- Com mortes sempre tem mais impacto...
- Pois. E se fosse num Lar de Idosos ou num centro de emprego, sempre poupávamos em reformas e subsídios de desemprego para lhes podermos pagar o serviço.
- Vou pensar no assunto, Pedro. Daqui a bocado digo-te qualque coisa
- Posso mandar preparar o Falcon?

Talvez não acreditem...