segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Levanta-te e Ri!

 O Decreto-Lei 9/2015 publicado em DR de 15 de Janeiro , confere aos passageiros dos transportes rodoviários uma série de regalias como, por exemplo viajar sem título de transporte ( faça clique no documento para conhecer todas as regalias a que tem direito)

Fique também a saber que durante as viagens em transportes rodoviários deve deitar objectos pela janela fora, pedir esmola ( o diploma não esclarece se o montante recolhido reverte a meu favor ou do Estado) sair ou entrar do veículo em andamento ( comecem já a treinar, porque não é fácil...) e colocar os pés em cima dos estofos do vizinho da frente. Se não cumprir estes e outros deveres a que o DL 9/2015 o obriga, fica sujeito a uma coima.
Não entrem já em euforia. Trata-se de uma bacorada de um  grupo de miúdas  saídas directamente dos bancos da Universidade para  chefes de gabinete e assessoras  de um gabinete governativo ( quando uso o feminino sei do que estou a falar!), tendo como único predicado serem possuidoras de cartão do partido e não saberem ler nem escrever.  



As catraias também descobriram a forma de desmaterializar crianças até aos 4 anos pelo que estipularam (artº 10º)  que "as crianças de idade até quatro anos viajam gratuitamente, desde que não ocupem lugar".
Claro que não tardará até que alguém venha dizer que se tratou de  gralhas. Como se as pobres das gralhas fossem culpadas da ignorância de umas miúdas, avalizada pelo senhor pm Passos Coelho, a ministra Marilú ( que pelos vistos só sabe cobrar impostos) e pelo inefável Aníbal que assina qualquer coisa que lhe ponham à frente, desde que não lhe falem das acções do BPN. 
Talvez haja  outras alarvidades neste DL mas, se quiserem descobri-las, leiam o diploma  porque eu, farto de tanto rir, já não consigo transcrever mais nada.

A semana que pode levar a Europa a ver o mundo do outro lado do espelho

Muitas coisas se jogam e definem na Europa na semana que hoje começou.
Logo a abrir, esta segunda-feira, ministros dos negócios estrangeiros europeus discutem a introdução de medidas de combate ao terrorismo.  Tendo em consideração aquilo a que a Europa nos vem habituando, há razões para recear a diminuição da liberdade de expressão, um controlo mais apertado sobre as decisões que cada um de nós toma no seu dia a dia, uma maior vigilância sobre a Internet e eventuais restrições à liberdade de circulação que poderão passar por um retrocesso no acordo de Schengen, instrumento essencial para que nos possamos sentir cidadãos europeus.
Espera-se também, para hoje, uma reacção do Pegida e da extrema –direita francesa às proibições das manifestações anti- islâmicas, ordenadas por Berlim e Paris. 
Domingo é o dia mais ansiosamente aguardado por milhões de europeus que vêem na possível vitória do Syriza com uma maioria confortável para formar governo, a possibilidade de uma mudança que os liberte da escravatura austeritária a que a senhora Merkel condenou os países do sul da Europa.  Se, pelo contrário, for a Nova Democracia a vencer os europeus podem cair de novo em depressão. 
Resta ainda a esperança de o BCE anunciar, na quinta feira, a entrada em funcionamento das rotativas que irão permitir lançar mais dinheiro na economia e comprar dívida pública dos países europeus. A eficácia dessa medida dependerá em boa medida dos resultados das eleições gregas, pois uma vitória do Syriza obrigará a Alemanha a ser menos intransigente na sua política louca que conduziu a Europa à deflação.
No mesmo dia inicia-se em Davos mais um Forum Económico Mundial, marcado pelo relatório da Oxfam: em 2016, 1% da população mundial deterá mais de 50% da riqueza mundial ( em 1990, antes da globalização, essa percentagem era de 30% e em 2014 de 48%). A nova escravatura está a caminho. Dissimulada de globalização, o maior embuste que nos venderam os criadores destes Monopoly Games
O aumento das desigualdades talvez não preocupe demasiadamente os participantes nesta cimeira dos ricos, mas há outros problemas que estarão em cima da mesa e não deixarão de provocar dores de cabeça e divergências: a descida do preço do petróleo, a deflação na Europa,  a instabilidade no leste europeu, as questões ambientais ( Hélas! Os ricos começarem a preocupar-se com a sustentabilidade do planeta é uma boa notícia)  e, claro, o terrorismo. 
Dentro de uma semana pode abrir-se um novo ciclo na Europa. Que nos devolva a esperança e confiança em dias melhores. A alternativa poderá ser nova depressão colectiva o que, estou em crer, os mercados não desejam.
Por estes dias eles querem é paz e gente vergada às suas leis. A não ser que o medo do terrorismo os faça, uma vez na vida, ver o mundo do outro lado do espelho.

Esmolas não são incentivos,ó palhaços!


Pedro Mota Soares faz-me lembrar uma hiena. Ri-se muito, mas ninguém percebe porquê.

Nos últimos tempos, o papa hóstias da Vespa tem sido o maior protagonista na tomada de medidas demagógicas com que o governo pretende aliciar o voto dos eleitores desempregados em ano de legislativas.
Entre as medidas está o programa REATIVAR  que tem como objectivo promover estágios para desempregados com mais de 30 anos.
Sendo uma boa medida para as empresas - contratam trabalhadores pagos pelos contribuintes- não me parece assim tão aliciante para desempregados qualificados e com uma ou duas décadas de trabalho, cujo estágio já terá sido feito no início da sua carreira profissional.
Os estagiários vão receber uma "bolsa" entre 419 e 675 €, dependendo da sua qualificação profissional ( e eu, burro, a pensar que o objectivo dos estágios  era  qualificar profissionais no início de carreira...) mas, em determinadas circunstâncias- vítimas de violência doméstica e ex-reclusos, por exemplo- a bolsa pode ser majorada.
Eu gostava que o Pedro lingrinhas me explicasse em que medida é que este programa vai ajudar ao crescimento mas, como nem ele sabe, adiante...
O outro programa anunciado com grande alarido pelo papa hóstias não tem nome específico, mas assentar-lhe-ia bem uma coisa do género " Vá para fora cá dentro", já que se trata de um programa de incentivo à mobilidade dos trabalhadores dentro do território nacional.
Registo, com agrado, que este governo começou o seu mandato a mandar os portugueses emigrar e termina convidando-os apenas a migrar. Uma espécie de "ratinhos dos tempos modernos", com a diferença que estes não vão apanhar azeitona.
Realço ainda o facto de em termo do mandato o governo pagar as viagens de quem se pretenda deslocar de Lisboa para Bragança, por exemplo. Magnânimo, 
 o Motinha da Vespa oferece um subsídio para viagem no valor de 102,75€, se o trabalhador levar a família. Caso contrário, o candidato que pague a viagem do seu bolso.
Mas atenção! Se o trabalhador se deslocar para um local que fique a mais de 100 quilómetros da sua residência, ainda recebe um magnífico subsídio de 219€ durante...quatro meses! 
O governo,em uníssono, chama  a isto " incentivo à mobilidade". Convém lembrar ao homem da Regisconta Tecnoforma e seus acóliotos que esmolas não são incentivos. 

Tiros no pé

França e Alemanha proibem manifestações da extrema direita e do Pegida. Eles agradecem.