sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Este fim de semana, ligue-se à corrente.





Ligar à corrente, é uma forma de dizer. Ou melhor... de sugerir que aproveite este fim de semana que se anuncia frio e chuvoso para ir ao Museu da Electricidade, onde há pelo menos três motivos de interesse para um dia bem passado. 
Hoje, vou dar notícia do que lá me levou.

Em 2003 a população da Terra atingiu os 7 mil milhões (estamos a chegar aos 8 mil milhões)
Gente que desconhecemos, com vivências, “mundo”, ambições, medos  e sonhos muito diversos, mas que têm pontos de união.
Foi com base nestas premissas que um fotógrafo francês decidiu criar a exposição "7 mil milhões de Outros”, com base em mais de 6000 depoimentos de pessoas de todos os continentes.
Em  cada uma das salas da exposição poderá  ver/ ouvir as gravações em vídeo de pessoas de diferentes raças e credos a dar a sua opinião sobre temas tão diversos como  sonhos, esperanças, medos, família, dinheiro, morte, guerra, humor, oportunidades, clima, ambiente, convívio com a Natureza, diferenças e igualdades. E há uma sala dedicada apenas aos depoimentos dos portugueses.
Encantatória, profunda, aproxima-nos de gente que vive em regiões tão diferentes como a Papua Nova Guiné ou o Mali; a Alemanha ou  a Bolívia; Ruanda ou Tibete.
Passei um dia inteiro no Museu da Electricidade, apontei dezenas de respostas que me surpreenderam ou deixaram estasiado, mas apenas partilho convosco a de uma mulher da Tchetchenia que descreve  o momento mais maravilhoso de toda a sua vida.
Ao sair de um abrigo anti-aéreo, numa pausa dos bombardeamentos, encontrou uma noite límpida de Lua Cheia. 
Foi sublime. Se houvesse uma oitava maravilha do mundo, seria isso: o silêncio depois da guerra”.
Até 8 de Fevereiro ainda tem oportunidade de apreciar esta exposição viva. Não perca!
Há outros motivos para uma visita ao Museu da Electricidade. É o caso da exposição Almada Negreiros que nos revela uma faceta desconhecida (pelo menos para mim) deste génio da cultura portuguesa. Mas sobre esta exposição escreverei na próxima semana.
Preço de Entrada no Museu da Electricidade para ver as 3 exposições: de grátis a 2 €  

Pai, o que é um proboscídeo?


Pai, posso ir brincar para o jardim?
Não! Fica aí sossegado a fazer os trabalhos de casa.
Já fiz os trabalhos de casa. Posso ir jogar no computador?
Não. Pega aí nesse livro de zoologia e estuda um bocado, para ver se tens melhores notas.

(.....)

Pai, o que é um pro… probos… proboscídeo?
É um elefante.
Então porque é que lhe chamam probos..proboscídeo?
Porque todos os animais que têm tromba são proboscídeos
E que outros animais têm tromba, além do elefante?
Ó  filho , sei lá…  agora não me lembro.
Ó pai! Quando a mãe diz  “ o pai hoje está de trombas”, é porque ficaste um proboscídeo, ou um elefante?
 Deixa de fazer perguntas parvas e insolentes. Vai  brincar para o jardim e deixa-me trabalhar!

(Na mensagem de Ano Novo, Portas disse que viajava muito porque estava a cumprir ordens de Passos Coelho. O que ele se esqueceu de dizer é que  foi com perguntas deste género sobre a austeridade e o aumento dos impostos  que  convenceu Passos Coelho a deixá-lo passear pelo mundo inteiro). 

Não é com vinagre que se apanham moscas

O que está a acontecer neste momento na Bélgica aviva ainda mais o meu receio quanto às medidas que serão tomadas hoje pelos ministros da UE no combate ao terrorismo.
Em diversos paises europeus comecam a ser tomads medidas isoladas que nao auguram nada de bom.Já ouvi uma ministra francesa defender um Patriot Act para a Europa e Santana Lopes a admitir restrições à liberdade de circulação ( o que indicia qual será a posição do governo português).
Recuar no tratado de Schengen ou começar a limitar a liberdade de expressão de forma selectiva, como hoje admitiu o Papa Francisco ao afirmar que as críticas às religiões têm de ter limites, não significa apenas um retrocesso civilizacional. É também um sinal de fraqueza da Europa e uma vitória do terrorismo.
Que haja bom senso, cabeça fria e nervos de aço, para evitar medidas tomadas a quente, cujas consequências podem agravar o momento terrível que a Europa está a atravessar.