terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Solidários, ma non troppo...

Um bispo nigeriano cometeu a ousadia de pedir  uma reacção  aos atentados do Boko Haram idêntica à  que foi gerada pelos  actos de terrorismo em Paris.
Hollande telefonou imediatamente a Merkel. 
" Nigéria? Mas isso não é em África?"- perguntou  Ângela
" É, pois. Fica lá onde o Judas perdeu as botas"- respondeu Hollande
Ao fim de cinco minutos chegaram a um acordo e deram uma resposta ao bispo:

"Agradecemos a sugestão, mas isso é muito longe e nós estamos cheios de problemas na Europa. Imagine  que temos um grupo na Grécia, chamado Syriza, que ameaça chegar ao poder democraticamente. Já viu o que será  de nós se  estes terroristas ganharem as eleições? 
 Como é do conhecimento de Vossa Eminência  a Europa não tem por hábito imiscuir-se  nos assuntos internos de países independentes, seja em África, na Ásia ou no Médio Oriente. Além do mais, muitos ajuntamentos por estes dias na Europa, para protestar contra uma organização que ninguém conhece que mata pretos gente anónima, não nos parece muito seguro. Além de ser muito dispendioso e, como há-de compreender, em tempo de grave crise económica, não nos convém gastar muito dinheiro em dispositivos de segurança.  Sugerimos  por isso que se entendam, porque é um problema vosso.
No entanto, numa prova de boa vontade da União Europeia, decidimos manifestar a nossa disponibilidade para  vos ceder armas por bom preço. Temos também submarinos,  tanques e uns aviões low cost que não passaram no teste da Airbus. Temos medo de os pôr a voar mas, se vocês quiserem experimentá-los durante algum tempo, podemos fazer um contrato de leasing.
Entretanto aproveitamos a oportunidade para solicitar a Vossa Eminência que, nas suas orações diárias, não deixe de interceder pela Grécia, pedindo ao Misericordioso que ilumine os gregos na hora de votar, de modo a que o Samaras ( um bom cidadão e um bom católico)  seja reeleito com a graça de Zeus Deus. 
Os Mercados ( em maiúscula, porque é assim que na Europa escrevemso os nomes das divindades) agradecem e nós também. 
Desejamos um enorme sucesso na luta contra esses inimigos da civilização que usam crianças para cometer atentados. Nós por cá matamo-las à fome ( o que apesar de tudo é menos doloroso) ou  usamo-las  como prostitutas de gente com dinheiro , um avanço civilizacional que esperamos chegue um dia a essas terras africanas abençoadas por deus Deus. Estamos por isso dispostos a auxiliar-vos em programas de educação que impeçam as crianças de se desviarem por esses maus caminhos do crime. A nossa imprensa fala de crianças kamikaze, mas não ligue. Os jornalistas  são um bocadinho analfabetos e não sabem que essa espécie de gente é amarela e vocês são pretos africanos.  A propósito... se pudessem esclarecer-nos como chamam a essas crianças amalucadas, que se deixam explodir por controlo remoto, ficaríamos muito gratos.
Aceite os meus respeitosos cumprimentos, senhor bispo. A Ângela manda um beijinho. Sempre ao dispor.
VIVA A EUROPA SOLIDÁRIA!"

São uns filhos da puta. Fim de citação

A simbologia de uma escolha

A esmagadora maioria dos analistas e comentadores escolheu o Papa Francisco como a figura do ano 2014. Eu próprio o teria escolhido. No entanto, quando reflectia sobre a quase unanimidade da escolha, lembrei-me que, apesar das inegáveis qualidades de Francisco, só encontro uma explicação para tanta sintonia. Já (quase) ninguém acredita nas virtudes da globalização,  no modelo austeritário, na capacidade dos políticos estabelecerem uma nova ordem mundial, nem na capacidade e força dos povos para mudarem o rumo de uma civilização ocidental em acentuada decadência.  
A receptividade ao discurso de Francisco - para além das inúmeras qualidades do Papa  e da riqueza e inteligência do seu discurso contra a corrente, alertando para os perigos do endeusamento do dinheiro e do deus mercado e clamando contra a injustiça da pobreza e as desigualdades- é fruto da convicção de que só alguém preocupado com as pessoas, com um discurso eivado de mensagens divinas, poderá mudar o rumo do mundo. E, sinceramente, não sei se isso é uma boa notícia…

Encosta tua cabecinha no meu ombro e chora...

Isto é uma paixão contra natura que a História condena há mais de um século. Mas, se os pombinhos insistirem no romance, vai cabar em divórcio litigioso, depois de cenas de violência doméstica.
Quem não conhece a canção, criada por Ivon Curi, aqui fica a versão de Altemar Dutra