segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Liberdade! Liberdade! Liberdade!





Este ajuntamento de energúmenos que durante 200 metros marchou numa caixa de segurança em defesa da liberdade, assim que destroçou foi logo reunir-se para estudar medidas securitárias que visam coartar a liberdade de circulação no espaço europeu.
Felizmente não tencionam condicionar a liberdade de voto. Só vão ameaçando aqueles que pretendem cometer a ousadia de votar fora da caixa do "centralismo democrático" que estão a cometer um erro e podem lixar-se.

Virtudes públicas, vícios privados




Há dias o Tribunal de Contas declarava que o TGV era inviável e que tinham sido gastos 153 milhões de euros em estudos. Escândalo! 
Hoje soube-se que o secretário de estado dos transportes deste governo fez uma negociatas com swaps do TGV, enquanto gestor privado. Quando chegou ao governo negociou a transferência dessas swaps para a Parpública, com perdas de 152,9 milhões.
Curiosamente, a comunicação social não está a dar grande relevo ao assunto.

Se bem me lembro...


Este cartoon de António publicado no Expresso levantou enorme celeuma.
Muitos dos que hoje  se indignam com o atentado contra o Charlie Hebdo, criticaram-no ferozmente, por o considerarem uma ofensa à Igreja Católica e a todos os católicos.
Lembro-me que nessa altura se discutia acaloradamente se não devia haver um limite à liberdade de expressão.
Lembro-me também da indignação de um  Lara, secretário de estado da cultura de Cavaco, que proibiu a nomeação de " O Evangelho Segundo Jesus Cristo", de Saramago,  para um prémio literário europeu, com o argumento de que o livro ofendia os valores nacionais.
E lembro-me da indignação da Igreja Católica mais conservadora e dos que sairam à liça clamando que a liberdade de expressão tinha limites.
Lembro-me de ter participado em debates em Macau sobre o livro, onde os argumentos contra eram de um conservadorismo primário.
E lembro-me das críticas ferozes que recebi de algumas pessoas, na sequência de um artigo que escrevi na Tribuna de Macau a propósito do debate.
E lembro-me dos que exigiam que se pusesse um travão na liberdade de expressão.
E lembro-me da proibição de Humor de Perdição de Herman José, por causa de uma entrevista à Rainha Santa Isabel que a direita considerou um atentado aos nossos valores históricos. Anos depois, essa mesma direita eliminou o feriado de 1 de dezembro, símbolo da nossa independência, alegando interesse nacional.
E porque me lembro disto tudo considero de uma hipocrisia sem nome muitos daqueles que hoje se dizem indignados contra o ataque ao Charlie Hebdo.
Poderia argumentar que pimenta no cú dos outros é refresco, mas não vou por aí.  Limito-me a lembrar que  muitos desses indignados são tão fundamentalistas como os atacantes do Charlie Hebdo, mas disfarçam muito bem. Para muitos deles, bater numa mulher na dose certa, nunca será violência doméstica. Como ainda há não muito tempo um douto juiz fez questão de salientar numa sentença.

Onde está Wally?

Apesar de Passos Coelho ser alto, ninguém o conseguiu ver nas repetidas imagens televisivas que filmavam os governantes presentes na marcha de Paris.
Quem também não apareceu foi Obama. Pior ainda, mandou o embaixador americano em Paris representá-lo. A ausência de Obama tem , em  minha opinião, um significado: os EUA estão cada vez mais afastados da Europa e só se lembram dela para pedir apoio no combate à Rússia.
Mas pode ter outra explicação: Obama não quis acirrar os ânimos dos mulçumanos e preferiu ficar em casa a lanchar em família.
Em ambos os casos, uma ausência censurável. 
O amigo americano já não é o que era.