quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

As tragédias também são uma oportunidade...



No dia em que o polémico Houellebecq lançou o seu novo livro ("Soumission")  onde imagina França submetida às leis do Islão, depois de um presidente islâmico vencer as eleições presidenciais com o apoio da esquerda, o hebdomadário Charlie Hebdo - conhecido pelas suas críticas satíricas a Maomé - foi atacado por três homens armados que mataram pelo menos 12 pessoas ( entre os quais nove jornalistas). 
ataque miserável a um jornal merece a maior repulsa dos media ocidentais, que consideram as sátiras a Maomé ou um filme onde se trata de forma aviltante o líder norte-coreano  liberdade de expressão, mas acusa quem não alinha com a sua democracia, de actos terroristas e ditatoriais. 
Sou dos que condenam de forma veemente e sem reticências os ataques terroristas de grupos de fanáticos que estão a lançar o terror na Europa.
Parece-me, porém, conveniente e lúcido que o ocidente aproveite este momento e pare um bocadinho para reflectir sobre as causas da onda destes ataques terroristas.
Ao contrário do que muitos fanáticos defendem, não é a imigração que está a provocar esta guerra ( sim, a Europa está em guerra mas, infelizmente, os seus líderes ainda não perceberam).
O que está a acontecer é resultado de  outros ataques igualemente miseráveis perpetrados pelos americanos e europeus em nome de uma democracia que os próprios não praticam e serve apenas de capa a um outro modelo de tirania: a dos mercados.
O Papa Francisco já se referiu a isso mas nem o poder político, nem a comunicação social ( em grande parte vendida ao poder político em exercício) deram grande importância ao assunto.
A invasão do Iraque; os crimes dos israelitas contra os palestininianos, apoiados pelo Ocidente; a forma selvática como  Saddam Hussein ou Kadhaffi foram assassinados, perante o gáudio das televisões e com a cumplicidade e apoio dos serviços secretos ocidentais; o triunfalismo depois do assassinato de Bin Laden; o apoio à Primavera Árabe que todos sabiam como iria acabar; a tentativa de isolamento do Irão; o fornecimento de armas a grupos opositores a regimes ditatoriais que em muitos casos acabaram por ficar nas mãos de grupos  radicais ( como na Síria, por exemplo) e até mesmo o apoio a alguns países islâmicos, apenas porque podiam servir arma de arremesso contra a Rússia, ajudaram a cimentar um movimento anti ocidental, fortalecer o Islão e criar este clima de terror.
O ataque ao Charlie Hebdo foi um acto selvático cometido por criminosos fanáticos que usam as armas em nome de um deus. Mas não foi pior nem mais mortífero do que outros ataques ocorridos nos últimos tempos. Teve, isso sim, um maior simbolismo de vingança.
Hoje, durante o atentado ao Charlie Hebdo, os assaltantes gritavam " Alá é Grande!".
Recolhida algures  em Paris, uma mulher agradecia a outro Deus o mortífero atentado e arrecadava mais uma vitória: Marine Le Pen. Cada ataque terrorista representa mais uns milhares de votos na Front National e mais uma pedra sobre este arremedo de democracia com que diariamente nos iludem. 
Não há democracia sem liberdade de expressão, mas também não há democracia sem emprego, sem eliminação da pobreza, sem retribuição justa pelo trabalho prestado, sem saúde justiça e educação para todos.  E hoje em dia, nada disso há nesta Europa moribunda à espera da catástrofe,enquanto olha para o espólio de riqueza acumulada, construído à custa de quem trabalha.
O que existe é um poder autoritário que se rege pela arbitrariedade e se perpetua incutindo o medo nos cidadãos.
Nestes momentos, não adianta chorar. O importante é lutar pela mudança e dizer não à resignação.

Sobre a falta de pudor

Depois dos anunciados aumentos dos juízes, camuflados como subsídios de exclusividade, eis que Marilú decide aumentar 300 funcionários das Finanças, criando para o efeito uma carreira especial. 
Depois de por jovens contra velhos, empregados contra desempregados, funcionários públicos contra trabalhadores do sector privado, o governo  decidiu que seria boa ideia por funcionários públicos contra funcionários públicos.
Lembro que há tempos o governo considerava uma injustiça a existência de suplementos remuneatórios e decidiu extingui-los. Agora repõe-nos de forma selectiva. Com que critério? Simplesmente  "Apetece-me".
Usando poderes discricionários, qualquer ministro pode aumentar selectivamente quem lhe aprouver. Lá virá o dia em que alguém se lembrará de aumentar os familiares dos ministros. Ou os funcionários militantes do PSD. Ou quem lhe apetecer. Apenas porque sim. Teremos assim instituídos os salários "à la carte". 
Foram duas ministras loiras a introduzir este novo método. Pedro e Paulo , os loiros do regime, apoiam. A alcagoita assina tudo. De cruz. 

Quem quer arriscar?


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