terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Aqui há fantasmas!

Ricardo Salgado diz que se reuniu com Cavaco em Maio para lhe pedir ajuda

Obviamente que  está a mentir . Ou então  pensava que estava a falar com o PR e nem se apercebeu que  era  o fantasma de Cavaco-  é uma figura de casaco azul que às vezes se passeia por Belém, vai às Ilhas Selvagens brincar com cagarras e aparece nos ecrãs da televisão a debitar umas banalidades sem sentido.
A prova de que Ricardo Salgado não falou com Cavaco, está na palavra do PR que, em julho,  garantia aos portugueses que o BES era um banco sólido. Em Outubro continuava a garantir que não sabia de nada do que se passava com o BES. Amanhã é capaz de voltar a jurar que as pessoas têm de nascer duas vezes para ser tão honestas como ele. 
Eu continuo a acreditar que Cavaco também não sabia nada sobre as acções do BPN. Como acredito nas aparições de Nossa Senhora de Fátima à Maria. Ou que Cavaco é Presidente da República. 
O impostor é Ricardo Salgado. Andou a financiar a campanha do fantasma de Cavaco, para que nós acreditássemos que aquilo era um PR.  Afinal Cavaco  era apenas uma marioneta nas mãos de banqueiros. Como todos pudemos observar na mensagem de Natal.

2015: o ano de todos os medos


A Caminhada do Medo (Graça Morais)


Este ano  talvez não traga uma nova crise financeira na Europa ( ficará adiada para 2016 ou 2017), mas há imensas razões para admitir que 2015 seja o ano da vitória do medo sobre a razão.
Os poderes políticos instalados usarão de todos os meios ao seu alcance para amedrontrar os cidadãos europeus, nomeadamente em períodos eleitorais. Perdida a capacidade de persuadir os eleitores através da razão, depois das brutais medidas de austeridade que criaram milhões de novos pobres, resta-lhes instalar um clima de medo sobre as consequências de eventuais mudanças.  
Comecemos pelas eleições que este ano vão ocorrer em vários países europeus. A avaliar pelo clima de medo que a Alemanha, a UE e  o BCE estão a incutir no povo grego, tentando impedir a todo o custo uma vitória do Syriza ( ninguém me convence que a decisão de Papandreou criar um novo partido em vésperas de eleições não foi soprado e acarinhado peça Alemanha e, quiçá, também por Draghi) é de admitir que a estratégia se repercuta nas eleições em Portugal e Espanha, mas também no Reino Unido.
Como há dias referi, uma vitória do Syriza na Grécia não deixará de influenciar os resultados eleitorais do Outono em Portugal e Espanha e transformar o quadro europeu. Uma vitória do Syriza obrigará Berlim e Bruxelas a redobrar os seus esforços e aumentar as suas ameaças, no intuito de evitar, a todo o custo, uma vitória do PODEMOS, cujas repercussões seriam muito mais impactantes. O reforço das tendências autonómicas em Espanha será uma realidade que provocará um efeito dominó noutros países europeus.
Enquanto por cá os partidos do governo irão agitar a bandeira do medo, avisando o eleitorado que se o seu mandato não for renovado voltaremos “ao regabofe do governo Sócrates que nos deixou na bancarrota” ( e nós sabemos como os tugas são fáceis de amedrontar) as eleições no Reino Unido ( em Maio) trazem outros medos. A ascensão do UKIP, por um lado, e a ameaça de Cameron em antecipar o referendo sobre a saída da UE, colocarão desafios  imediatos e a curto prazo ( as eleições em França são em 2017 e Marine Le Pen está destacada à frente das sondagens).
As eleições em quatro países europeus durante o ano poderão avivar os sintomas de desintegração europeia. Mesmo que partidos frontalmente contra este modelo europeu assente na austeridade, no aumento das desigualdades e no empobrecimento, não vençam as eleições nos seus países, é certo que adquirirão força e capacidade de diálogo, condicionando as políticas dos governos eleitos. Por algum lado a corda terá de partir e se  Merkel persistir na sua intransigência, insistindo em condenar os povos dos países mais pobres à escravatura de Berlim, iremos assistir a grandes convulsões no espaço europeu.
Cingindo-me apenas ao quadro europeu é imperioso fazer uma referência ao conflito ucraniano. Longe de estar sanado, o conflito pode recrudescer a qualquer momento. Se a Rússia se afundar na crise e a EU (aliada aos EUA) continuar a insistir nas sanções, a reação de Putin será inevitável e ninguém espere que seja pacífica. Uma coisa é certa: a desagregação da Ucrânia ( a caminho de uma Federação?) é apenas uma questão de tempo. Acredito que em 2015 as coisas fiquem mais claras.
Há outras razões que ultrapassam as fronteiras europeias que me levam a acentuar que 2015 será o ano de todos os medos. Desde o ISIS ao conflito israelo-palestiniano, passando pela instabilidade no Golfo, pela desagregação da Síria e do Iraque, o conflito no Líbano, ou o despoletar de um conflito ente o Irão e a Arábia Saudita provocado pela baixa dos preços do petróleo. Sem esquecer, obviamente a pressão migratória em direção à Europa que estes conflitos estão a gerar, transformando o Mediterrâneo num cemitério de famintos.

Polícias e ladrões

A actuação da justiça no caso dos vistos gold e no processo Sócrates dá-nos sobejas razões para ter medo. Pior do que  viver numa democracia podre é viver num Estado justicialista.
É para aí que caminhamos quando:
- juizes declaram que as suas sentenças foram mais pesadas, para não criar na opinião pública uma ideia de laxismo;
- um juiz ordena a prisão preventiva de um alto funcionário do Estado, porque é acusado de ter recebido um telefonema a pedir para agilizar um processo;
- a justiça arquiva um processo ( caso dos submarinos) mas deixa bem claro no despacho que tem fundadas suspeitas de que um membro do governo é culpado;
- os juízes se escondem atrás de jornalistas para veicular opiniões susceptíveis de intoxicar a opinião pública e a influenciar a favor das suas decisões;
- os agentes da justiça perdem todo o pudor e manifestam a sua parcialidade através de actos e omissões.
Não quero ser governado por juízes. Tenho medo.Prefiro ser governado por ladrões, porque é mais fácil defender-me deles.

Uma oportunidade perdida

Como era previsível, "corrupção" foi eleita pelos portugueses como  a palavra do ano.  Corrupção é palavra tão velha como o tempo. Continuamos a pensar e a agir dentro da caixa. É esse comportamento que dá ao governo esperança de vir a ser reeleito em 2015.
Perdemos uma boa oportunidade de ser inovadores, escolhendo XURDIR. Apesar de tudo, 22% dos portugueses votaram nessa palavra, que obteve um honroso segundo lugar. São eles que ainda me permitem alimentar alguma esperança.