sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Jarras, jarrões e jarretas

Eu reconheço a importância da concertação social mas, é preciso dizê-lo, salvo raras excepções, a concertação social tem servido melhor os interesses dos patrões e  as políticas dos governos, do que os interesses dos trabalhadores. 
No consulado do coelho-portismo, apesar de Silva Peneda ter tentado dar dignidade ao órgão, isso foi bem notório, pois o governo nunca ligou às recomendações que de lá emanaram e que teriam evitado dissabores aos trabalhadores portugueses e alguns chumbos do Tribunal Constitucional. 
Se atentarmos à composição daquele órgão, percebe-se melhor porquê:
Os líderes da CAP são, normalmente, uns jarretas a quem caparam os neurónios que vêem a agricultura e  os trabalhadores agrícolas como antes do 25 de Abril.
A UGT, cuja representatividade no mundo laboral é muito questionável, foi ali metida para fazer fretes aos patrões,  fingindo que está a defender os interesses dos trabalhadores. É como aquele jarrão de família de que ninguém gosta, mas todos toleram porque é a peça preferida dos avós.
O sr Saraiva da CIP, embora muito mais civilizado que o seu antecessor, Pedro Ferraz da Costa, não consegue alterar a imagem dinossáurica do sector empresarial tuga, onde há muitos patrões, mas escasseiam os empresários. Assim que se fala de aumento do salário mínimo, o sr Saraiva serve de porta voz da  maioria e vem logo com a conversa do arrefecimento da economia.
Quanto à CGTP, desempenha o papel de jarra no centro da mesa. Fica bem na fotografia mas, logo que o fotógrafo vira costas, os restante parceiros apressam-se a retirá-la da mesa, para não atrapalhar a conversa.
 Diga-se, em abono da verdade, que a CGTP gosta de desempenhar este papel e até apresenta propostas irrealistas em que nem os seus dirigentes acreditam( como a de aumentar o salário mínimo para 600€ já em 2016) para poder continuar a ter o estatuto de elemento decorativo que abrilhanta as fotografias de família.

4 comentários:

  1. Gostei. As promessas irreais que nos fazem, deixam-me do avesso!!!
    Era totalmente previsível que o aumento do ordenado mínimo seria impossível nunca hei-de compreender essas promessas eleitorais :(((
    bjs

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  2. Análise objectiva, cinco estrelas.! Tapar o sol com a peneira é tarefa de quem só quer ficar bem no retrato.
    O título está mesmo a condizer com a intenção!

    Carlos, reparei que na sua antepenúltima publicação em que aludi a uma crónica sobre os galos capados, ou seja, aos capões que se vendem na Feira de Freamunde, há uns leitores interessados em ler a dita...

    " CRÓNICA DOS CAPÕES

    Tomei a liberdade de colocar o link, para que os interessados a possam ler, satisfazendo-lhes a natural curiosidade.
    Espero que isso o não aborreça!

    Um abraço.

    Janita



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    1. Como no dia 13 (domingo) se realiza a Feira dos Capões, vou recordar a crónica. De qq modo, obrigado por disponibilizar o link, Janita, porque eu ainda só tinha lido o pedido do Manuel Pacheco e respondi-lhe no blog dele.

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