domingo, 29 de novembro de 2015

Não havia necessidade...



A relevância dada pela comunicação social tuga ao que hoje se passou em Paris ( às tantas estavam os três canais generalistas em directo)  tem duas explicações: histeria e desconhecimento.
Enquanto estiverem vivos nas nossas memórias os acontecimentos de Paris ( ou não ocorrerem situações semelhantes noutra cidade europeia), os holofotes das televisões estarão sempre apontados para o que se passar na cidade Luz, reagindo de forma pavloviana a qualquer alteração do ritmo normal a cidade.É - até certo ponto- compreensível, mas não deixa de ser questionável em termos jornalístios.
Já estive em muitas cimeiras sobre o clima e, invariavelmente, ocorrem actos de violência e vandalismo provocados por agitadores profissionais. Nunca vi, no entanto,as televisões darem-lhe tanto destaque. Bem pelo contrário, normalmente as manifestações e suas sequelas aparecem apenas em notas de rodapé e 30 segundos, sem qualquer análise crítica, nem enquadramento factual adequado. E, podem crer, já assisti a cenas de violência bem mais graves do que as que ocorreram em Paris... 
Vale a pena, porém, relembrar o que hoje se passou na capital francesa. 
Estando a cidade em estado de emergência, o governo proibiu todas as manifs agendadas para o período em que decorre a cimeira (COP 21). Os ambientalistas acataram a decisão, mas conseguiram negociar com a polícia a realização de uma marcha silenciosa que serviria, também para fazer um apelo à paz. Durante a marcha, foram colocados milhares de pares  de sapatos ( um deles oferecido pelo Papa Francisco) na Praça da Republique, numa forma de protesto pacífico contra a proibição da realização de manifs. O propósito os organizadores era oferecer, posteriormente, os sapatos em bom estado a organizações de solidariedade.
Não me consta que algum canal de televisão tuga tenha transmitido em directo esta marcha simbólica e pacífica mas, assim que alguns arruaceiros profissionais desataram a atirar pedras ( e sapatos) à polícia, logo todos interromperam os noticiários e assentaram arraiais na Praça da Republique. Não havia necessidade... como já referi, assisti em várias cimeiras sobre o clima a cenas  muito mais violentas, onde não faltaram ataques a bancos, Mc Donalds e outros "símbolos do capitalismo". 
Em termos comparativos, o que se passou em Paris foi uma brincadeira de crianças. Iremos, provavelmente, assistir nas próximas semanas a outras manifestações de violência mas, o que eu desejava mesmo, como cidadão preocupado com os problemas ambientais e as alterações climáticas, era receber informação credível sobre as negociações, bem como assistir a debates que esclareçam os portugueses sobre o que está em jogo em Paris.´

5 comentários:

  1. E´ verdade. As televisões só noticiam o que lhes dá audiência. Qualquer outra notícia com maior relevância para o público passa a não ter interesse para a comunicação social tele-visionada desde que não mostre violência. No sábado, salvo erro, assisti a um filme num canal generalista, com Dustin Hoffan e John Travolta, “Cidade Louca”, nos principais papeis, ali deu para ver como a comunicação social manobra as notícias. Só o que lhes rende audiência tem valor. Os valores humanos passam para segundo plano. Enquanto a comunicação social e, aqui refiro-me `a escrita e tele-visionada, noticia que a Ministra da Justiça e´ negra, uma Secretária e um Secretário, são cega e cigano não vamos a lado nenhum. Dá pena que neste século XXI ainda haja gente com preconceitos e não respeite a indiferença. Mas estou como dizia e bem Mário Soares: temos de viver com aquilo que temos.

    ResponderEliminar
  2. Mais importante do que estas notícias bombásticas é perceber o que se está a passar na cimeira.
    E que decisões de lá sairão.
    Aquele abraço, boa semana

    ResponderEliminar
  3. A comunicação social assobia para o lado desde que haja uma outra coisa que venda mais.

    ResponderEliminar
  4. Já há muito tempo que percebi a manipulação que os meios de comunicação fazem e a facilidade com que são conduzidos a darem as notícias que interessam apenas a alguém e não as que interessam verdadeiramente. Abraço.

    ResponderEliminar
  5. Imagem do nosso nacional-parolismo... Que se há de fazer?

    Bisous

    ResponderEliminar