segunda-feira, 20 de julho de 2015

Eles falam, falam...

 

Exultei com a vitória do OXI e enalteci a coragem do povo grego que recusou vergar –se aos ditadores alemães, mas por pouco tempo.
 Na manhã seguinte, em Moscovo, uma russa nostálgica dos tempos da URSS a residir na Alemanha desde 1997, afiançava-me que a esmagadora vitória do NÃO tinha  sido o pior resultado possível para o Syriza.
Schaueble não perdoará o atrevimento de Tsipras ao marcar o referendo e agora vai obrigar a  Grécia a sair do euro, ou a aceitar um programa de austeridade  ainda pior do que o anterior. E isso o Syriza não pode aceitar. Até ao final da semana   Tsipras demite-se e marca novas eleições, ou passa a governar como a direita.
Vocês andam muito preocupados com o Putin e com a extrema  direita, mas o verdadeiro perigo para a Europa é a Alemanha  de Schaueble.  Ele tem um programa para anexar a Europa e conta com apoio dos países bálticos, da Hungria, da Polónia, da Finlândia e da Espanha  para o concretizar ( por deferência não mencionou Portugal, mas  era óbvio que  estava na sua lista mental de inimigos da democracia). Tsipras é o típico esquerdista  incoerente, que nunca cresceu  e não tem  bases sólidas para governar. Como acontece com muitos esquerdistas, vai acabar ao colo da direita.” ( Lembrei-me logo de Barroso, mas não disse nada)
Os dias seguintes vieram confirmar o pior cenário, mas Tsipras não se demitiu. Não voltei a falar com Júlia mas, se o tivesse  feito, ter-lhe-ia dito o que já aqui escrevi várias vezes. A guerra na Europa já começou há muito, mas não se faz com tanques. Segue a estratégia do Monopólio.
Na verdade,  duas semanas depois, a  única coisa que me surpreende é ver Tsipras agarrado ao poder como uma lapa. Depois da prova de coragem dada no dia 5 de Julho, os gregos não mereciam um comportamento tão indigno do primeiro ministro que elegeram movidos por uma onda de esperança.
Não sei se Tsipras foi ingénuo  ou inábil mas, preferir dialogar directamente com Merkel a procurar o apoio de  países como França e Itália que estavam dispostos a enfrentar a Alemanha para  ajudar a Grécia, representou a sua derrota e a humilhação do povo grego.  Tsipras  acreditou que sozinho seria capaz de vergar Merkel, mas  sobrestimou as suas capacidades que - percebemos todos agora- são muito escassas.
Schauebel   e os seus aliados comportaram-se como monstros que são e isso não é novidade, mas Tsipras comportou-se como um idiota e enganou o povo grego, o que também é indesculpável.
Uma boa lição para as extremas esquerdas europeias e um aviso aos partidos comunistas: enquanto continuarem a recusar alianças à esquerda com os socialistas, estão apenas a condenar os povos dos seus países a mais sacrifícios. Passos e Portas esperam que a esquerda tuga continue a ser estúpida, pois isso aumenta as suas possibilidades de renovarem o mandato por mais quatro anos.

6 comentários:

  1. Concordo e, se me for permitido, acrescento: quem pensar que está tudo controlado, de parte a parte, engana-se. O pior está para vir.

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  2. Pena função daquilo a que se vai assistindo no panorama político português, Passos e Portas têm boas razões para pensar na "estupidez tuga"!

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    1. O grande problema é que os socialistas deixaram de o ser há muito tempo e Tsipras pouco poderia fazer com a tropa fandanga toda contra ele. Lá que tentou tentou e ainda é muito cedo para fazer uma apreciação. Depois veremos

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  3. São vingativos mal formados, estes burocratas que nada sabem de pessoas...

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  4. Abraham Chévre au Laitsegunda-feira, 20 julho, 2015

    Se o PCP não conseguir de 18 a 23% nas próximas eleições vai ser linda a política adoptada pelo governo que surgir!!! Não serve para nada a maioria de esquerda que sempre.sempre.existiu! Nem nela falam!

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