quarta-feira, 3 de junho de 2015

Quanto mais me bates...*




Não tenho por hábito tirar conclusões sobre estudos psicossociológicos e comportamentais, antes de os ler. No entanto, como nos próximos tempos não vou ter oportunidade de ler o estudo da UMAR sobre  Políticas Educativas e de Formação Contra a Violência e Delinquência Juvenil “ recorro a alguns números divulgados no “Público”,  que me parecem bastante  elucidativos sobre a forma como os jovens encaram a violência no namoro.
A violência psicológica, entre namorados, é considerada normal por 27% dos jovens e pelo menos 7%  já foram vítimas de violência física.
Quanto à violência física, 14% consideram-na natural – e até legitimada- … desde que não deixe marcas. No entanto, o número de rapazes que considera a violência física normal é o dobro das raparigas. 
Entre os  jovens  agredidos, 12% dizem que perdoaram o/a  agressor/a ,  8%  não deram importância ao assunto e  4%  pediram ajuda. ( A notícia não esclarece  a reacção dos outros 76%).
Um dos aspectos que  mais me impressionou neste estudo refere-se à violência sexual. Enquanto 31% dos rapazes  considera normal  pressionar a namorada para ter relações sexuais , 10% das raparigas aceitam e consideram legítima essa pressão.
Ia concluir dizendo que  este estudo demonstra o falhanço da escola e que não evoluímos nada nos últimos 40 anos mas, ao ler a coluna do Miguel Esteves Cardoso, mudei de ideias.  
Hoje ele transcreve alguns excertos de um livro escrito pela mãe ( recentemente falecida) e, ao ler  este parágrafo, concluí que  se adequa muito melhor ao estudo, do que quaisquer outras conclusões que dele se possam extrair:
“ Nunca me interessei em lutar por direitos iguais num relacionamento. Quando um homem adora uma mulher, ele quer é que ela seja feliz e ela não precisa de lutar por nada. Ele coloca tudo aos seus pés – e é um homem feliz por fazê-lo.”

*O estudo abrangeu 456 jovens , entre os 11 e os 18 anos, de 32 escolas do distrito do Porto
Para saber mais sobre violência no namoro  clique aqui.

6 comentários:

  1. É de espantar. Mas a liberdade trouxe a liberdade para tudo, até para não a usarem. Nem sei que diga, já tinha visto e ouvido muito sobre este estudo. Como antigamente não havia estes estudos, não sei se eram só as escravas ou as sopeiras que iniciavam os rapazes.
    Também já tinha lido o artigo do MEC, mas a mãe dele era uma senhora inglesa, muito à frente de nós e casou por amor. Mas, apesar da esmerada educação que ele recebeu, nada o impede de dizer os maiores palavrões, devidamente colocados, o que me conforta, pois não gosto de subterfúgios, e alivio a alma quando os digo.

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  2. Antes da escola, temos os pais e a educação que dão aos filhos... Ou não dao!

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  3. Carlosamigo

    Ora toma! O Miguel sai-se com cada que cada duas é um par... Não gosto de qualquer tipo de violência. Abaixo a violência! F R A, FRA!

    Abç do
    Pernoca Marota

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  4. Amor com amor se paga...

    se eu algum dia tivesse recebido uma bofetada de um namorado, era a última vez que o infeliz levantava a mão para alguém.

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  5. Também eu nunca precisei de lutar por direitos iguais durante a minha vida de casada.
    O meu marido adorava-me, aceitava todas as minhas loucuras, porque me queria ver feliz. E fui muitíssimo feliz até ao dia 8 de Junho de 2014.

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  6. Ouvi a notícia ontem
    Preocupante, no mínimo :(

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