quinta-feira, 21 de maio de 2015

Lembrete para António Costa

O PS promete acabar com os exames do 4º ano. 
Quero que António Costa saiba que fiz exame de 4ª classe com 9 anos. A prova constava de ditado, composição, desenho (à vista) e aritmética. Depois ainda fiz exame de admissão ao liceu. Era obrigatório.
Confesso que não fiquei traumatizado. Pelo contrário, fiquei muito satisfeito por saber que estava preparado para enfrentar as dificuldades do liceu.
Sei que os tempos mudaram, as crianças de hoje são mais frágeis e protegidas,  os 5º e 6º anos  estão hoje incluídos no Ensino Básico, mas não vejo que mal vem ao mundo por obrigar miúdos a fazer um exame no 4º ano.
A medida proposta pelo PS é popular, mas transmite uma ideia de facilitismo de que discordo.
Muito provavelmente estarei enganado, por isso agradeço aos muitos professores que por cá passam que me dêem argumentos para mudar de opinião.

18 comentários:

  1. Esse foi o nosso percurso comum e o de muitos outros da geração a que ambos pertencemos.Sem trauma algum e com proveitos vários.Contudo,reconheço que a vida mudou.Em muitos casos e premissas muitas,para melhor.Para muito melhor!Objetivamente,as crianças,hoje,são muito diferentes das crianças do nosso tempo. Nem melhores nem piores:diferentes.

    Abraço.

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  2. Este post é uma palermice, saudosista de quando éramos uma cambada de analfabetos, mas faziamos exames da 4a classe. Que bom que era.

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    1. O anónimo gosta muito de se ver ao espelho. Podia aproveitar para aprender a ler.

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    2. A medida proposta pelo PS é popular e agrada à cambada de analfabetos que não quer fazer exames por falta de capacidade intelectual. A chamada geração rasca à qual o nosso querido anónimo pertence.

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  3. Pronto, Barbosa, Já sabemos que fez a 4ª classe, o que já mais ou menos se imaginava.

    Mas não vi um argumento seu a favor do exame, confesso.

    Qual será o melhor argumento? o facto de as crianças passarem o último período a preparar-se para o exame, em vez de darem matéria e aprenderem coisas?

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    1. Não tenho nada contra os exames, mas tb não tenho nada a favor salvo...a recusa do facilitismo. Por isso pedi aos profs que por aqui passam para darem a sua opinião.
      E por aqui me fico, porque para diálogo com anónimo já fui longe demais

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    2. Mas qual o problema de dialogar com um anónimo? acaso a questão de que os alunos levam mais tempo a preparar exames que a aprender perde valor por eu ser anónimo?

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  4. Não é estranho que "pegue" com Costa por onde não devia pegar...
    Lembro que na escola primária salazarista, bastava saber ler e contar
    O exame, só servia para o provar...
    Na minha classe, lembro-me que nenhum miúdo foi reprovado

    Lembro que além do exame à admissão aos liceus, havia o exame às escolas técnicas. Um, muito selectivo. Outro, nem tanto... E podia lançar-me por aí a dizer o que me vai na alma a propósito dos devaneios do sr (C)rato... mas paro. O Carlos não ia "ouvir" nada....

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    1. A falta de ouvido parece ser mais para os seus lados, Rogério. Na minha classe devíamos ser mais burritos do que na sua, porque houve três ou quatro chumbos. E no exame de admissão ao liceu, nem se fala.
      Nunca aqui defendi Crato. Aliás, defender este governo mais do que um governo do PS é especialidade de outras casas que o Rogério conhece melhor do que eu.

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    2. Bem, a parte final da reposta de BdeO a Rogério, é uma questão de ponto de vista que quanto a mim prova antes outra coisa.

      Que quando o PS de Barbosa tem boas ideias estas acabam elogiadas por quem não vota neles. Já BdoO zanga-se com a boa ideia, aliando-se a Crato. Ou seja, o que liga BdoO ao PS são as ideias reaccionárias.

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  5. Sou toda a favor de exames, quer as uns custe e a outros não .Terem só exames no 12º como quando leccionei , não.
    Os meninos devem desde cedo ser solicitados a trabalhar e cumprir e já agora os professores dos primeiros anos , trabalhar para mostrar resultados.Na década de 80 , nesta cidade pequena , era uma pouca vergonha...intervalos de horas , sair de casa quando já deviam estar a trabalhar e ter 30Km pela frente etc etc .No fim ....acabaram todos licenciados , com o 5ª ano do liceu ou da antiga Esc. Técnica , com 30 ou 32 anos de carreira contributiva , dinheiros para formação que só serviram para os professores trocarem de carro e a aplicação da aprendizagem zero...pedia-se a reforma. Pouco se ouve falar nesta situação e quem tem a dignidade de falar , à boca pequena e por lá passou diz isto que eu disse e muito mais.Enfim...venham os exames e preparem os meninos para esta vida dura , pois os pais não duram sempre.
    M.A.A.

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    1. Como sabe estive ligado à formação de professores durante uns anos e, talvez por isso, a minha opinião coincide com a sua, em todas as vertentes que aborda. O que mais me preocupa, na escola actual, é a total irresponsabilidade e o culto do facilitismo. Só quem não entra nas escolas é que não percebe nem vê isso.

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  6. Também fiz exame da quarta classe, Carlos.
    O meu professor era o grande Bentes, o famoso "Rato Atómico" da Académica.
    E também não fiquei traumatizado nem nada parecido com isso.
    Não é regressar a outras eras como já para aqui li, é o oposto - é perceber que se vive uma era em que a exigência deve ser cada vez maior.
    Por perceberem isso é que os asiáticos estão a meter os europeus e americanos no bolso.

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    1. Exactamente, Pedro. Exigência = responsabilidade. O facilitismo deu licenciados como o Sócrates, o Coelho ou o Relvas.

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  7. Fiz a 4.ª classe na 2.ª metade dos anos 70 e fui dos primeiros portugueses a não fazer o exame da 4.ª classe. Mas lembro-me que o meu irmão mais velho teve que o fazer.
    Lembro-me do clima de quase terror com que toda a gente se referia a esse exame, desde crianças, que era dificílimo, a país e até avós que diziam que se tem que estudar muito, que é complicado, difícil, etc, Foi por isso com enorme alívio que recebi a notícia que não o tinha de fazer.

    Devo dizer que até entrar na Universidade, onde concluiu um curso superior, nunca mais tive de fazer nenhum exame, excepção feita às provas globais no final do ano do antigo 2.º ano do Liceu, 9.º, 10.º e 11.º de escolaridade, que no fundo tentavam simular uma espécie de exames, embora sem a carga pesada de ter o termo «exame».

    Estas circunstâncias fizeram com que eu ficasse pior preparado para a Universidade e para vida? Não! Até porque uma pessoa na Universidade adapta-se depressa ao ritmo, sobretudo se estiver lá de corpo e alma.

    Por isso de um modo geral sou contra os exames antes da Universidade. Até porque a escola feita nesses moldes, de ter exames, remete-nos para uma escola muito exigente, quase de elite, feita para alunos muito bons.
    Ora se a escolaridade obrigatória é de 12 anos (outra treta nacional, em Inglaterra são só 11 anos), a escola tem de estar feita sobretudo para alunos médios e tendo em conta os alunos mais fracos. A escola tem de ser acessível a todos, e não apenas para bons alunos. Deve por isso orientar-se para que alunos medianos e maus consigam ser integrados no sistema educativo de modo a que completem com sucesso os tais 12 anos de escolaridade.

    Podem perguntar-me: Mas isso não é facilitismo? Eu respondo antes: É realismo!
    No tempo do Estado Novo, a simples menção da palavra exame, assustava de tal maneira certos alunos, ao ponto de estes não continuarem os estudos, daí termos tido um elevado abandono escolar (ainda temos algum) e de ainda hoje, termos uma vergonhosa taxa de analfabetismo de 5% e de nem metade dos portugueses terem o liceu feito.

    Acresce a isto, que em nenhum outro país da Europa comunitária existem exames na 4.ª classe. Por isso sou frontalmente contra os exames na 4.ª classe. Admito que nos outro anos talvez e em certos moldes, mas na 4.ª classe, nunca.

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  8. Mais um bom argumento para os xalupas dos exames,

    http://www.publico.pt/sociedade/noticia/alunos-sem-aulas-para-professores-classificarem-exames-1696825

    os que acham que chatear estudantes e gerar ansiosos faz mais sentido que ensinar e aprender e qua ainda se gabam e argumentam que se a eles não lhes custou nada faz todo o sentido que mais engulam a medidazinha

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  9. Caro Carlos
    Também fiz o exame da 4ª classe e fui aprovado. No entanto nesse tempo o ensino obrigatório terminava aí. Para mim e muitos como eu a seguir ia-se trabalhar para as fábricas de vidro, só uma pequena percentagem, fazia a admissão ao secundário os outros iam engrossar o trabalho infantil. Mais tarde e sempre a trabalhar lá ingressei no ensino secundário. Sobre a questão de fundo não tenho grande opinião.
    Abraço
    Rodrigo

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