quinta-feira, 21 de maio de 2015

Com as low cost me enganas


Começa hoje o Rally de Portugal. Depois de sete anos a rodar em estradas do sul e sempre apoiado financeiramente  pelo governo, regressa este ano às origens, onde conheceu desde sempre maior espectacularidade,  graças a algumas classificativas quase lendárias. 
Com o regresso ao norte, o governo decidiu suspender o apoio ao Rally. Decisão no mínimo estranha, se tivermos em consideração estes números:
Deslocam-se  todos os anos a  Portugal, para ver o Rally, 350 a 400 mil turistas;
Um em cada quatro desses turistas regressa a Portugal, ou prolonga a sua estadia para além do tempo de duração da prova;
O retorno económico é superior a 100 milhões de euros;
A despesa directa  gerada pela prova é superior a  60 milhões de euros;
Cada euro  investido pelo Turismo de Portugal gerou, nos últimos sete anos, 54,42€ de despesa directa feita pelos adeptos da modalidade;
O ACP estima que o  regresso da prova ao Norte aumente exponencialmente as receitas arrecadadas e o impacto na economia, por via do incremento do turismo.
Face a estes números, os 900 mil€   com que o Turismo de Portugal apoiava financeiramente a prova, não eram  um investimento de monta.
Estranha-se, por isso,  que o governo tenha decidido suspender o financiamento. No entanto, (a explicação é dada pelo ACP), há um motivo ponderoso para isso. Este governo tem um fascínio muito particular por aviões ( pelo menos desde o tempo em que Relvas e Coelho formavam pessoal de voo inexistente com dinheiros do Fundo Social Europeu) . Vai daí, investiu os 900 mil €  no apoio à instalação da base da Easy Jet no aeroporto Francisco Sá Carneiro. Poderia pensar-se que o investimento faria sentido, tendo em consideração um aumento do turismo na região norte do país. 
Uma projecção realizada pelo ACP demonstra, no entanto, que o investimento no apoio à base da  Easy Jet  tem um retorno muito reduzido, se comparado com o gerado pelo Rally de Portugal. Se, como acima se refere,  cada euro investido no Rally tinha um retorno de 54,42€, o investimento na companhia aérea low cost gera – na melhor das hipóteses-  um retorno de 31,01€. 
Um mau negócio, portanto, mas nisto de aviões já sabemos que o governo não é bom a fazer as contas. Como se demonstrou com as verbas do FSE para formação de pessoal de voo fantasma e em breve ficará comprovado com a venda ruinosa da TAP.
( Este post foi escrito com base em informação fornecida pelo ACP)

3 comentários:

  1. "Anda comigo ver os aviões...la, la, la!"
    E lá se vão os euros...

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  2. Se foi o ACP que disse, é porque é verdade...PS(Portuguese Syrisa) no seu melhor!

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  3. Carlos,
    O Rally de Portugal, durante muitos anos considerado o melhor do Mundo, sempre foi um cartaz turístico de excelência.
    Para além da pura economia, há a divulgação do País, daquilo que tem para mostrar e oferecer que a prova pode (deve!!) potenciar.
    Como sempre fui um entusiasta do Rally (muitas noitinhas dormidas na Serra!!) nunca percebi que não se apoiasse ao máximo a sua realização.

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