sábado, 30 de maio de 2015

O Trolha da Areosa



O quadro " O Almoço do Trolha", de Júlio Pomar, foi vendido por 350 mil euros. Dei comigo a pensar quantos anos de trabalho precisará um trolha para receber essa quantia. Fiz as contas por alto. Cerca de 60 anos a trabalhar nas obras.

Bibó Porto (52)

Este é o fim de semana que muita gente espera durante todo o ano. Serralves está em Festa!
São 40 horas seguidas em que as artes estão em festa num dos espaços mais mediáticos - e aprazíveis- da cidade. É aproveitar, até porque S. Pedro este ano dá uma ajuda e promete sorrir calorosamente.

A ingratidão de Cavaco

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Uma pergunta a Fernando Medina

Dr. Fernando Medina:
Permita-me  fazer  uma pergunta que em tempos coloquei ao seu antecessor, mas que ficou sem resposta:
Até quando é que uma pessoa que queira estacionar o carro na zona do Saldanha ( uma das zonas mais caras de estacionamento em Lisboa) tem de levar com moedinhas que olham os automobilistas com ar ameaçador se não forem contemplados com a "comissão" a que se julgam com direito?
É que já chateia, sabe...

A formiga no carreiro...



Não é novidade nenhuma mas,  em cada comício que faz, Jerónimo de Sousa insiste em atacar o PS e elegê-lo como o inimigo a abater.
Entrevistado na terça feira no Jornal das 8  da TVI,  não rejeitara liminarmente uma aliança com o PS, embora aproveitasse a questão colocada por Judite de Sousa para desancar nos socialistas.
No dia seguinte, na entrevista à RTP, Jerónimo de Sousa foi mais peremptório e deixou ficar claro que o apoio a um governo do PS está fora de causa mas, curiosamente, voltou a apelar à união da esquerda. Sabendo-se que o PCP também não quer alianças com o BE ( embora Catarina Martins tenha manifestado disponibilidade para tal) e que o LIVRE é visto como uma muleta do PS, com que esquerda quer  Jerónimo de Sousa aliar-se?
Tudo como dantes, portanto. 
Antes de prosseguir, devo dizer que tenho um profundo respeito pelo PCP e tenho bons amigos comunistas. Este post não pretende, por isso, atacar o PCP, mas apenas chamar a atenção para o facto de não ter evoluído nem adaptado à realidade.
O PCP sempre preferiu o PSD no governo, pois é um governo de direita que vai alimentando a chama dos militantes em amanhãs que cantam ( salário mínimo de 600€ em 2016, nacionalização de empresas, etc.etc.etc.), por isso, gastou mais tempo nas entrevistas a desancar no PS, do que no governo. 
O PCP sabe muito bem que o PS não é de direita,  mas sabe  que a rejeição liminar de qualquer aliança com o PS  atira os socialistas para a direita, que é o que mais convém ao PCP.
Convencendo os militantes que o PS é um partido de direita, o PCP continuará a poder justificar a sua posição de "orgulhosamente só"  e único detentor da razão e  continuar a alimentar a ilusão nos militantes  e simpatizantes, de que um dia chegará ao poder.  O discurso funciona em tempo de crise e quando a direita está no poder. Por isso, o PCP tem tido um crescimento notável de militantes, entre os quais muitos jovens que acreditam nos amanhãs que cantam. Que daqui a uns anos farão como muitos outros jovens e, desiludidos, abandonarão o partido, porque lhe percebem a estratégia. Infelizmente, alguns acabam nos braços do PS e uns quantos mais nos do PSD.
 Quando o PS está no poder o discurso não funciona de forma tão eficaz e o PCP perde força, por isso, afia as garras contra os socilaistas.
Álvaro Cunhal já tinha percebido que a estratégia estava errada mas, depois da sua morte, os que quiseram seguir um caminho idêntico ao que ele preconizava, foram trucidados. Infelizmente, o meu bom amigo Luís Sá deixou-nos demasiado cedo. Provavelmente, teria sido o único a conseguir mudar o rumo a um partido que continua parado no tempo, que escolhe os inimigos errados e tem um medo imenso do poder, porque...esta não é a sua praia. 





Eu já suspeitava...

Só me falta perceber é se é vingançazinha, ou castigo por mau comportamento.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Coisas realmente importantes



Abriu hoje a Feira do Livro de Lisboa. E não choveu.
Até dia 14 de Junho, há que dar azo à imaginação para fazer as melhores escolhas sem que a bolsa se ressinta muito.
Boas compras e boas leituras.

Este post tem cenas eventualmente chocantes





Para que a memória não se apague, vale sempre a pena recordar esta data. Principalmente em ano de eleições, quando os partidos da coligação reclamam o voto dos portugueses, para que o país "Navegue sempre em Bonança". 
Se já conhecemos a História, não vale a pena repeti-la... 

Isto é de uma lógica desconcertante..

O governo precisava de arrecadar mais receitas com a inspecção a lares de idosos. Sabendo que a área é um manancial de irregularidades, seria normal que ampliasse o número de acções inspectivas para aumentar a receita. Havia no entanto um problema... o homem da Vespa tinha feito inúmeros "despedimentos" e escasseava o pessoal para fazer as inspecções.
Suspeito  que, perante este dilema, tenha entrado em acção a Marilú para  dar uma sugestão ao Mota da Vespa: se não podemos fiscalizar mais lares, aumentamos as coimas.

Uma questão de qualidade

Um cozido  pode ser muito farto mas, se as carnes forem de fraca qualidade, pode ser intragável.
Era a qualidade ( remuneração e condições de trabalho) que eu gostava de conhecer nesta notícia aparentemente tão suculenta..

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Palhaços!

A maioria dos Unidos ao Pote quer que a UTAO fiscalize o programa do PS, mas impede que fiscalize as medidas ruinosas do governo.

Mas isso não muda nada, pois não?

O CDS rejubilou, porque afinal Paulo Núncio não sabia da existência da lista VIP. No entanto, o alegado desconhecimento não muda uma vírgula ao que é essencial nesta questão.

À atenção dos reformados (2)



Na sequência do post anterior, deixo esta sugestão aos interessados.

À atenção dos reformados



Convém lembrar, a propósito da proposta da redução de pensões e dos problemas de sustentabilidade da segurança social, que a  prática  demonstra que tem sido o PSD destruir a segurança social, desviando verbas que lhe estavam afectas. Depois vem o PS tomar medidas que devolvem a sustentabilidade.
Cavaco - que hoje prefere receber a reforma ao vencimento de PR- foi o primeiro a mexer nas verbas da segurança social e a permitir a falcatrua de "comprar" anos de trabalho para a reforma, o que permitiu que muitas pessoas se reformassem mais cedo e sem os anos de serviços exigidos por lei. Valia a pena contabilizar o número de pensionistas que declararam ter começado a dar explicações aos 14, 15 ou 16 anos, para se reformarem mais cedo...
No "dourado" período cavaquista a reforma aos 50 anos tornou-se uma banalidade.
Guterres equilibrou as contas, mas cometeu o erro de continuar a permitir as reformas antecipadas e alterou as regras de contabilização das reformas, permitindo que muita gente se reformasse com o vencimento dos três últimos anos de trabalho.
Quando Durão Barroso se pirou para Bruxelas, deixou a Segurança Social em estado comatoso, porque o desvio das verbas da segurança social para outras finalidades esvaziou os cofres.
No primeiro governo Sócrates, foi Vieira da Silva quem conseguiu finalmente fazer uma reforma decente da segurança social. Foi criticadíssimo, mas as medidas impopulares que então adoptou permitiram garantir a sustentabilidade do sistema durante várias décadas.
O azar dos reformados foi ter chegado ao poder este grupo de bandidos gentinha , para quem os velhos são um estorvo. Para além de porem novos contra velhos, estes energúmenos descapitalizaram novamente a segurança social, com medidas avulsas e sem critério. O corte das pensões e a sobretaxa extraordinária nada vieram resolver, porque o problema estrutural não foi atacado e o que tinha sido feito de bom por Vieira da Silva foi completamente arrasado. Em apenas quatro anos, este governo deu um rombo na segurança social de OITO MIL milhões de euros. É este o resultado da política de terra queimada prosseguida por este governo: menos emprego e mais emigração significa menos contribuições para a segurança social; mais desemprego significa ter de pagar mais subsídios de desemprego. (Embora este governo tenha cortado drasticamente  a atribuição desse subsídio).
O governo teima em prosseguir a sua política de destruição e pretende cortar mais 600 milhões de euros na segurança social, se os portugueses o reelegerem. Isso só será possível com um corte nas pensões de quem trabalhou uma vida inteira. Aqueles que têm reformas de 15 e 20 mil euros por terem trabalhado durante um ano em determinadas empresas públicas, continuarão  a ser protegidos.
Seria bom que em Outubro, na hora de votar, os reformados ( que representam 40% dos eleitores do PSD) se lembrassem que o único partido  que tentou proteger as suas reformas, quando esteve no governo, foi o PS.  O PSD destrói-as e o partido dos pensionistas de Paulo Portas tem um discurso em que os defende, mas na prática apoia o ataque aos reformados a coberto do interesse nacional que, para o CDS, não é mais do que o interesse de Paulo Portas se manter no poder, custe o que custar.


O que vos desejo é muita sorte...

Assinalou-se ontem o Dia Europeu do Vizinho. Embora o dia já tenha terminado, ainda creio ser oportuno desejar-vos que nunca tenham tido vizinhos assim

terça-feira, 26 de maio de 2015

O advogado do Diabo

Marinho e Pinto diz que fará coligação até com o Diabo para salvar o seu lugar pais.
(Sendo assim, não percebo a razão de se ter indignado tanto com a tentativa de a Igreja Maná tomar de assalto o PDR. Será que os Maná ainda são piores do que o Diabo?).
Sempre tive medo desta gente que se coliga seja com quem for para salvar o país. Se lhes derem oportunidade, tornam-se ditadores num instante. Para salvar o país, obviamente. 
Se a coligação vencer as legislativas sem maioria, já tem um novo aliado. 
Votar PDR é votar neste governo. Mas isso não é novidade para ninguém, pois não?

Estados de alma

Andar de autocarro, em dia de greve  do metropolitano, desmotiva qualquer  cidadão  que acredite que neste país  é possível viver em democracia. Pior ainda se sentirá esse cidadão, se acreditar que o povo está preparado ( e interessado?) para viver em democracia.

A lição espanhola

Uma das conclusões que se pode retirar dos resultados eleitorais em Espanha, é que as pessoas já começaram a perceber que não é a democracia tradicional, plastificada e burocrática, que resolve os problemas dos países que se encontram em dificuldades. A exemplo do que aconteceu em Janeiro na Grécia, com o Syriza, as pessoas mostram que estão cansadas desta democracia de fachada.
A democracia parlamentar está viciada. É uma mentira e uma permanente batota que só favorece os interesses dos  mais poderosos. O que o PODEMOS e a maioria dos movimentos autonómicos  propõem aos eleitores é uma democracia participativa, onde as pessoas realmente contem e se sobreponham aos interesses do poder financeiro.
Sabemos- até pela experiência vivida por cá- onde é que esses movimentos de base popular podem conduzir. Como também sabemos que são incompatíveis com a ideia de globalização que nos têm vendido como mirífica e salvadora, mas que só tem trazido maior desigualdade, mais injustiça e menos solidariedade.
Há um modelo de democracia para além desta xaropada que nos impingem em doses quadrianuais, ou da sempre esperançosa democracia de raiz popular, que acaba quase sempre em desilusão. (O Syriza está mais próximo desse modelo, do que o PODEMOS. Embora os objectivos de ambos convirjam, divergem na via para lá chegar). Como há uma globalização distributiva mais justa, promotora de mais igualdade entre os povos e menos discriminadora. 
Só que nem o poder político vigente, nem o poder económico e muito menos o poder financeiro, desejam essa globalização e essa democracia que poderiam tornar este planeta um lugar mais aprazível. 
E, diga-se em abono da verdade, não me parece que uma sociedade viciada em padrões consumistas tão alienantes, esteja preparada para a aceitar...democraticamente.

Morango ou baunilha?



Das coisas que mais me irritam é um restaurante onde a oferta de gelado, para sobremesa, se reduz a baunilha  ou morango. Não gosto de nenhum e, se quiser outro sabor, tenho de pagar um extra, porque não está incluído no menu do dia.
Lembrei-me disto a propósito do projecto de programa eleitoral do PS que li mais cuidadosamente este fim de semana. 
Não vou ainda pronunciar-me, porque não é o programa definitivo, mas adianto desde já  que  há coisas com as quais concordo e outras de que discordo.
Entre as que repudio: a imposição de uma quota de mulheres nos lugares de chefia das empresas  ( demagogia)  a  redução da TSU ( coloca em risco as pensões actuais e futuras)  e a falta de clareza de algumas medidas que espero venham a ser concretizadas no programa definitivo.

Entre as que aplaudo: a obrigatoriedade de as obras públicas serem votadas favoravelmente por dois terços dos deputados, uma efectiva preocupação com a pobreza, a garantia de que a sustentabilidade da segurança social será assegurada sem cortes nas pensões já atribuídas e a diferença vincada em relação ao programa do governo. 

 O mérito da apresentação deste pré-programa já foi explicado pelo Pedro Coimbra: o PS saltou para a agenda mediática. Quanto ao conteúdo, a  primeira sensação foi um bocadinho frustrante.
Espero bem que seja bastante melhorado e melhor concretizado até Junho, caso contrário em Outubro vou ter um problema. Não gosto deste gelado de morango, nem do de baunilha proposto pela coligação e não sei se estou disposto a pagar um extra para experimentar outro sabor.  
É que, pelo que me tem sido dado ver, as alternativas são igualmente más.
A única coisa que sei é que não ficarei sem gelado e experimentar o de baunilha está fora de questão.

Globalização é...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

A coligação respira confiança

Quando a ministra das finanças se dá ao luxo de anunciar ao país que não hesitará em cortar as pensões aos actuais pensionistas, isso significa que a coligação respira confiança numa vitória nas legislativas de Outubro. Mas não só... Também quer dizer que a segurança social só será entregue ao partido dos contribuintes e pensionistas, se aquele ministro que tem cara de traque atacado por hemorróidas, acatar as ordens de Marilú.
Esganiçado e em bicos de pés, lá veio ele hoje garantir que, por enquanto, o assunto não está a ser discutido. Não disse, no entanto, que se oporá à medida, o que deixa os pensionistas muito descansados, obviamente...
O partido dos contribuintes e pensionistas, já não é o que era. Desde que Portas se vendeu por um lugar com vista para o Jardim Zoológico, passou a ser o partido do capacho.
Como lhe compete, Marcelo Rebelo de Sousa veio defender Marilú. Desta vez encontrou um argumento imaginativo: a declaração da ministra foi fruto do entusiasmo, por se encontrar entre jovens.
Pronto, ficamos a saber que Marilu está a atravessar a crise da meia idade. 

Os infiltrados

Grande escândalo! A Igreja Maná tomou de assalto o PDR de Marinho e Pinto e a comunicação social indignou-se. Não havia necessidade... lá porque os 300 militantes trazidos em autocarros, pagos sabe-se lá por quem são todos brasileiros e fazem parte de uma seita, há razão para tanto escândalo?
O PSD também foi tomado de assalto por uma seita, dirigida por uma loira e um mentecapto, que além de destas manobras escuras, mantém como refém o partido do Portas, ameaça matar os pensionistas à fome e não é por isso que os portugueses deixam de votar neles. 

Igualdade é...

Já tinhamos três canais de televisão para coelhos, agora temos também um canal para cães. 

Espanha em tempo de mudança

Dos resultados das eleições de ontem em Espanha, ressaltam alguns factos interessantes, para além dos que já aqui referi:
- A Espanha mudou. Pode mesmo falar-se de uma revolução, mas não ainda do fim do bipartidarismo. Só as eleições legislativas de Outono poderão confirmar a tendência.
- À direita, não lhe chega vencer as eleições para governar, porque perdeu mais de 2,5 milhões de votos e a esquerda é maioritária em 10 das 13 regiões autónomas.
- O PP apenas terá relativa facilidade em formar governo em Castilla y Leon, La Rioja e Murcia
- O PSOE, apesar de ter perdido mais de 750 mil votos, aproximou-se bastante do PP e pode fazer alianças à esquerda em 8 regiões, incluindo Madrid. 
- Barcelona será governada pela esquerda nascida de movimentos populares, nos barrios, emergindo assim do verdadeiro apoio popular. Será muito interessante analisar o que se irá passar nos próximos meses na Catalunha- e que não deixará de ter reflexos em toda a Espanha.
- Em Madrid, o PP conseguiu vencer por um deputado o movimento Ahora Madrid, que integra o PODEMOS, mas dificilmente formará governo, porque uma aliança do Ahora com o PSOE garante uma maioria confortável. 
- O aparecimento de forças políticas como o PODEMOS e o Ciudadanos não terá sido suficientemente mobilizador, para levar os espanhóis às urnas. Comparando com os resultados de 2011, houve mesmo um ligeiro aumento do número de abstencionistas.
Não é possível projectar o resultado das eleições autonómicas e municipais para as legislativas de Outono, mas há fortes indícios de que numa manhã de segunda feira do próximo mês de Novembro, a Espanha vai acordar ingovernável, se a esquerda não se entender. O PP , mesmo vencendo as legislativas, dificilmente conseguirá formar governo, pois o Ciudadanos não parece ter ainda força suficiente para servir de muleta a Rajoy.

Que fazer com esta vitória?

Apesar de todos os casos de corrupção, da elevada taxa de desemprego e da austeridade, o PP venceu as eleições autonómicas e municipais em Espanha.
Foi, no entanto, uma vitória amarga. Apesar de ter vencido em 10 das 13 regiões autónomas, o PP perdeu mais de 2,5 milhões de votos e terá muita dificuldade em formar maiorias para governar, pois se a   esquerda  se aliar, poderá dirigir a maioria das regiões, deixando o PP na oposição.
Vai ser interessante seguir o que se irá passar em Espanha nos próximos dias.
Talvez seja a última oportunidade da esquerda espanhola.
(Em desenvolvimento)

domingo, 24 de maio de 2015

A primeira derrota de Francisco

A Irlanda é um dos países mais católicos da Europa, mas não foi isso que impediu o governo irlandês de avançar com um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo. 
A vitória do SIM, num país católico e conservador, é um revés para o Papa Francisco, que não conseguiu ainda aproximar o pensamento da Igreja dos cidadãos.

Bibó Porto (51)

O velho cinema Águia d'Ouro, na  praça da Batalha.
Ali vi o primeiro James Bond: " 007- Ordem para Matar"
Hoje é um hotel

sábado, 23 de maio de 2015

A falta de seriedade do "Expresso"

Na quinta feira (21 de maio) , ao final do dia, o Expresso publicava uma sondagem em que revelava que 54% dos portugueses não acreditavam nas promessas do programa apresentado pelo PS.
Na altura, intrigou-me o facto de a sondagem ter sido publicada 24 horas depois de o PS ter apresentado o seu programa e duvidei mesmo da sua seriedade. Fui procurar a ficha técnica e não a encontrei.
Ontem, via Câmara Corporativa, fiquei a saber que Augusto Santos Silva descobriu o mistério. Foi mais bem sucedido do que eu e encontrou a ficha técnica. A sondagem foi realizada entre 7 e 12 de Maio, ou seja, quase duas semanas antes de o PS apresentar o seu programa. 
Comentários para quê?

Pão e circo



Blogonovela " O ilusionista de Trapalhândia"

5º Episódio: Pão e circo


Por esta altura, os deuses também deviam andar entretidos com a sociedade de consumo e não ouviram as preces de Maria. De nada lhe valera prometer ir a Fátima todos os meses durante um ano, rezar o terço todas as noites, só entrar no Amoreiras para comprar botinhas para o neto e não comer chocolates durante um ano, se Hannibal ganhasse com maioria absoluta.
Não ganhou, mas as profecias do homem que nunca se enganava, raramente tinha dúvidas e não perdia mais do que cinco minutos diários a ler os jornais, cumpriram-se.
Chateado com as reformas que Hannibal propunha, o PRD caiu na esparrela e apresentou uma moção de censura. O governo caiu e Soares “O Fixe”marcou novas eleições para o Verão de 1987. Quando Maria soube indignou-se:
-Hannibal, tu estás a ver isto? O Soares marcou eleições para o Verão só para não podermos ir de férias! E logo este ano que prometeste que me levavas à Capadócia. Não há direito!
- Deixa lá Maria. Com o dinheiro que todos os dias chega da Europa, não vão faltar oportunidades de te levar à Capadócia. Agora o importante é salvar o país...
- Lá estás tu com a mania das grandezas! E que vou fazer ao bikini que comprei no Amoreiras, se não vou para a praia este ano?
Por essa altura, Trapalhândia recebia, diariamente, milhões de contos para se modernizar. Assim começaram a surgir casas com piscina e veículos todo terreno comprados com verbas destinadas à agricultura, enquanto uns portugueses ainda mais engenhosos faziam uma redestribuição pouco escrupulosa, mas generosa, das verbas do Fundo Social Europeu destinadas à formação.
Na campanha para as eleições legislativas de 1987, os discursos de Hannibal eram dirigidos ao povo, com promessas de felicidade:
- Prometo-vos, se me elegerem, que terão dinheiro para comprar frigoríficos, arcas congeladores, televisores de alta definição, computadores e uma parafernália de produtos que vocês nem imaginam que podem existir, nem sabem para que servem, mas que se vão tornar indispensáveis na vossa vida.
- E também nos dás automóveis, casas de fim de semana e o direito a passar férias em Cancún?- perguntou o Povo.
- Dou-vos tudo isso e ainda férias nas Maldivas, “time-share”, centros comerciais, hipermercados recheados de saldos, promoções e outras confusões, automóveis para os vosso filhos, 100 canais de televisão, caixas multibanco e cartões de crédito à fartazana, para vocês se divertirem.
- Nós já não acreditamos no Pai Natal- respondeu o Povo incrédulo. Só podes ser um daqueles publicitários que prometem tudo, mas quando a gente vai a ver descobre que era um embusteiro.
- Estais todos muito enganados. Eu descobri a poção mágica que transforma os vossos desejos em realidade. Confiai em mim, que não vos desiludirei.
- Tá bem, já percebemos… vais organizar um daqueles concursos estilo Cola Cao, pões-nos a todos a comprar aquela mistela e depois sorteias os felizes contemplados- retorquiu o Povo desconfiado.
-Ó povo incréu! Julgais vós que seria capaz de vos intrujar? Se digo que é para todos , é mesmo para todos. Sem concursos, sem truques, apenas com a minha capacidade para utilizar a poção mágica em vosso proveito. E digo-vos mais… se me reelegerem ainda vos apresento uma Fada Madrinha que, apesar de ter cara de Bruxa Má, vos irá satisfazer outros desejos.

Uma noite, depois de um comício, Maria não se conteve e , quando chegaram ao hotel, enfrentou Hannibal:
-Tu estás maluco? Que é que andas aí a magicar ?Subiu-te o poder à cabeça e já não sabes o que dizes? Puseste-te a prometer porcarias a toda a gente, como é que as vais pagar?
-Está sossegada, Maria, tem calma. Eu não vou pagar absolutamente nada, não estou doido. Vou é fazer as coisas de maneira a que os portugueses pensem que as coisas não lhes vão custar nem um centavo. Inventei uns cartõezinhos magnéticos fantásticos. Quando as pessoas os passam por uma máquina, acreditam que compraram as coisas sem gastar dinheiro. A conta só vem no mês seguinte...
- E se no mês seguinte as pessoas não tiverem dinheiro para pagar?
- Começam a pagar juros, claro...
- Mas as pessoas não percebem isso, pois não? Olha que isso ainda acaba mal, Hanníbal...
- Se as coisas correrem para o torto vão mas é culpar o governo que estiver em funções, já nem se lembram que fui eu a dar-lhes aqueles cartõezinhos mágicos.Com os salários a subir e os juros a baixar, durante 10 ou 15 anos as pessoas aguentam-se. Daqui a 10 anos vou-me embora e o governo que vier a seguir que se amanhe, porque nessa altura já serás primeira dama e eu serei PR, tenho autoridade moral para criticar as asneiras que o primeiro ministro da altura fizer...
- Olha lá, tu vais ser primeiro-ministro, ou ilusionista de circo?
- ...se queres que te diga com franqueza, nem estou muito preocupado com isso...tenho cá uma fezada que quando chegar a PR, a Manuela vai ser PM e sabes como nos damos bem.
- Lá isso é verdade. Ela é muito tua amiga… mas achas que as pessoas quando virem que não têm dinheiro para pagar as dívidas não se vão revoltar?
- Qual revoltar, qual quê! Os tugas querem é pão e circo e têm a memória curta. Olha, toma lá o meu cartão de crédito e vai ali comprar umas coisinhas ao Amoreiras, para te pores bonita para a minha tomada de posse...
- E tu que vais ficar aqui a fazer?
- Vou reunir com uns jornalistas
- Com jornalistas? Mas tu nem lês jornais, de que é que vais falar com os jornalistas?
- Não vou falar com eles. Vou fazer um dos meus números de ilusionismo.
- Cuidado com os jornalistas, homem! Olha que se eles começam a puxar os cordelinhos ainda são capazes de descobrir umas coisas...
- Está descansada, mulhere! Os jornalistas portugueses são muito suaves. A maioria gosta mais de estar ao lado do poder, do que andar a fazer investigação. Não vês o Amando,que me segue para todo o lado como um cãozinho de estimação?
- Vê lá se eles descobrem o que fizeste à minha madrasta!
- Eles querem lá saber disso, Maria! Vais ver como dentro de algum tempo me vêm comer à mão. Faço uns números novos, como eles nunca viram, digo umas coisas que eles não gostam de ouvir, depois o Amando trata de os amansar, com a promessa de uns exclusivos e daqui a algumas semanas tratam-me como um ídolo. Vais ver as vezes que vou aparecer nas capas dos jornais como a grande esperança de Portugal...
- Tu lá sabes...mas olha que eu tenho muito medo de jornalistas...

O que se segue já todos os leitores conhecem. Mas, se quiserem recordar, sugiro-vos que leiam os restantes episódios AQUI


Nem só de coches vive Lisboa




Foi ontem inaugurado o Museu Nacional dos Coches, em cerimónia abrilhantada pelos carroceiros  por Cavaco  Silva e Passos Coelho no papel de cocheiros mestres de cerimónia.
A partir de hoje o Museu está aberto ao público mas, como este FDS a entrada é à borla e já sabemos que desde que seja grátis, o tuga até leva injecção na testa, o melhor é esperar mais uns dias antes de se aventurar por aquelas paragens.
Também ontem começou a ser exibido, no Arco da Rua Augusta, mais um espectáculo multimedia. Intitulado " Lisboa, Cidade do Mar", o espectáculo será exibido todas as noites, até dia 31 de Maio, às 21h 30m, 22h 30m e 23h 30m.
Tenham um excelente FDS!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Nervoso miudinho

A direita está muito incomodada com o apoio de Eanes  a Sampaio da Nóvoa. É uma boa notícia

Que grande lata!

Em pré campanha eleitoral, Passos Coelho  dá uma entrevista por semana. Hoje, o feliz contemplado foi o Observador. Já todos sabemos que o pm é aldrabão, sem carácter e incompetente mas  o  que   é arrepiante constatar  na entrevista ao Observador são as contradições  ao longo da entrevista.
Há também uma inflexão no seu discurso que seria risível, não se desse o caso de demonstrar até onde pode chegar  a falta de vergonha e a pulhice de Passos Coelho.
Em vésperas de eleições passou a defender a moralização da administração pública; admite que os funcionários públicos são mal pagos; considera a redução da TSU proposta pelo PS um erro,  mas admite que a redução dessa mesma TSU para os patrões pode ser um caminho a seguir ; está preocupado com a possibilidade de não haver orçamento para 2016 em tempo útil, por causa da data das eleições, mas foi sempre contra a sua realização em Junho; diz que uma campanha sobre o medo só beneficiaria o PS, mas ao longo da entrevista vai  esgrimindo argumentos que incutem precisamente esse medo; diz que na campanha de 2011 nunca prometeu que não baixaria os salários (aqui apeteceu-me mandá-lo à fava no mais puro vernáculo portuense).

E- pasmem- tem o topete de dizer que é preciso despartidarizar a administração pública, depois de ter nomeado centenas de chefias do PSD e do CDS, atropelando o parecer da CRESAP e nomeando pessoas por ela chumbadas.
Não o diz expressamente, mas admite um corte nas pensões. E, claro,  justifica todas as aldrabices, dizendo que foi enganado pelo PS.
É preciso ter uma grande lata, ser um trapaceiro  e um vigarista para dar uma entrevista destas. Mas é  preciso, também, contar com a bonomia e condescendência  de David Dinis para não ser desmascarado durante a entrevista.

Notícias da Primavera



A Primavera (árabe) só nos tem trazido boas notícias, como sempre previram jornalistas especializados na área internacional.
Metade da Síria já  está nas mãos do DAESH que ontem ocupou Palmira. Espera-se a destruição de mais um pedaço do Património da Humanidade, perante o aplauso dos entusiastas da Primavera árabe.

Encontro de gerações


Já é um sucesso a nível mundial este video de promoção do Rali de Portugal feito pela câmara de Baião. Vale mesmo a pena ver.

O Farol das Amoreiras


Blogonovela "O Ilusionista de Trapalhândia
4º episódio: O Farol das Amoreiras

Ao fim de 20 lições de dicção, Hannibal já pronunciava com desenvoltura "supercalifragiliespiralidoso", mas continuava a engasgar-se com o "Rato que roeu a rolha da garrafa do rei da Prússia". 
As suas preocupações, no entanto, eram outras. Na iminência da entrada de Portugal na CEE precisava de aplicar os truques que engendrara para convencer os tugas que com ele seriam felizes. Os ventos da História estavam do seu lado e traziam até Portugal a Internacional Consumista que será a sua maior aliada.
O primeiro sinal de que a Internacional Consumista podia estar a chegar a Trapalhândia não veio do cometa Halley que nesse ano visitou de novo a Terra, anunciando a comercialização do telemóvel. Veio da URSS com a chegada de Gorbatchov ao Poder. Anos depois emprestaria o seu nome a uma pizza. A Perestroika é palavra de ordem e a solidariedade do mundo contra a fome desperta, com um sinal de esperança, no mega concerto Live Aid, que põe o mundo a cantar "We are the World".
Em Trapalhândia, os tugas fazem filas. Para levantar dinheiro no multibanco e preencher os boletins do totoloto, na esperança de equilibrar o orçamento familiar. As agências de viagens andam numa azáfama a organizar excursões de todo o País para Ulisseia. Motivo: nas Amoreiras acaba de ser inaugurado o farol da sociedade de consumo à tugalesa - o Centro Comercial das Amoreiras.
Trapalhândia entra formalmente para a CEE no dia 1 de Janeiro de 1986 e o primeiro bébé proveta a nascer no País já é um cidadão comunitário. Ambos os acontecimentos podem ser registados com as novas máquinas fotográficas descartáveis. No Hospital de Santa Cruz faz-se a primeira transplantação cardíaca. A medicina tuga vive um ano de glória.
Acaba o papel selado e começa o "Cartão Jovem" . A sociedade de consumo proclama eufórica :"Venham a mim as criancinhas".
"Era Uma Vez na América" enche as salas de cinema, enquanto a campanha de Freitas do Amaral sob o lema "P'ra Frente Trapalhândia" é feita ao bom estilo americano. Mário Soares "é fixe" e ganha as eleições em Fevereiro, mas quem vai p'rá frente é a sociedade de consumo. A D. Branca está presa, mas a Bolsa faz a sua vez e os tugas entram em euforia bolsista. O vai-vem Challenger explode com sete tripulantes a bordo. Pausa no programa de voos tripulados. Os tugas passam a voar nas asas do sonho, por sua conta e risco…

(Continua)
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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Negócio de oportunidade

Se fosse em Portugal, Passos Coelho chamaria a isto empreendedorismo

Lembrete para António Costa

O PS promete acabar com os exames do 4º ano. 
Quero que António Costa saiba que fiz exame de 4ª classe com 9 anos. A prova constava de ditado, composição, desenho (à vista) e aritmética. Depois ainda fiz exame de admissão ao liceu. Era obrigatório.
Confesso que não fiquei traumatizado. Pelo contrário, fiquei muito satisfeito por saber que estava preparado para enfrentar as dificuldades do liceu.
Sei que os tempos mudaram, as crianças de hoje são mais frágeis e protegidas,  os 5º e 6º anos  estão hoje incluídos no Ensino Básico, mas não vejo que mal vem ao mundo por obrigar miúdos a fazer um exame no 4º ano.
A medida proposta pelo PS é popular, mas transmite uma ideia de facilitismo de que discordo.
Muito provavelmente estarei enganado, por isso agradeço aos muitos professores que por cá passam que me dêem argumentos para mudar de opinião.

Com as low cost me enganas


Começa hoje o Rally de Portugal. Depois de sete anos a rodar em estradas do sul e sempre apoiado financeiramente  pelo governo, regressa este ano às origens, onde conheceu desde sempre maior espectacularidade,  graças a algumas classificativas quase lendárias. 
Com o regresso ao norte, o governo decidiu suspender o apoio ao Rally. Decisão no mínimo estranha, se tivermos em consideração estes números:
Deslocam-se  todos os anos a  Portugal, para ver o Rally, 350 a 400 mil turistas;
Um em cada quatro desses turistas regressa a Portugal, ou prolonga a sua estadia para além do tempo de duração da prova;
O retorno económico é superior a 100 milhões de euros;
A despesa directa  gerada pela prova é superior a  60 milhões de euros;
Cada euro  investido pelo Turismo de Portugal gerou, nos últimos sete anos, 54,42€ de despesa directa feita pelos adeptos da modalidade;
O ACP estima que o  regresso da prova ao Norte aumente exponencialmente as receitas arrecadadas e o impacto na economia, por via do incremento do turismo.
Face a estes números, os 900 mil€   com que o Turismo de Portugal apoiava financeiramente a prova, não eram  um investimento de monta.
Estranha-se, por isso,  que o governo tenha decidido suspender o financiamento. No entanto, (a explicação é dada pelo ACP), há um motivo ponderoso para isso. Este governo tem um fascínio muito particular por aviões ( pelo menos desde o tempo em que Relvas e Coelho formavam pessoal de voo inexistente com dinheiros do Fundo Social Europeu) . Vai daí, investiu os 900 mil €  no apoio à instalação da base da Easy Jet no aeroporto Francisco Sá Carneiro. Poderia pensar-se que o investimento faria sentido, tendo em consideração um aumento do turismo na região norte do país. 
Uma projecção realizada pelo ACP demonstra, no entanto, que o investimento no apoio à base da  Easy Jet  tem um retorno muito reduzido, se comparado com o gerado pelo Rally de Portugal. Se, como acima se refere,  cada euro investido no Rally tinha um retorno de 54,42€, o investimento na companhia aérea low cost gera – na melhor das hipóteses-  um retorno de 31,01€. 
Um mau negócio, portanto, mas nisto de aviões já sabemos que o governo não é bom a fazer as contas. Como se demonstrou com as verbas do FSE para formação de pessoal de voo fantasma e em breve ficará comprovado com a venda ruinosa da TAP.
( Este post foi escrito com base em informação fornecida pelo ACP)

As 50 sombras de Grey (versão tuga)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Planos para o futuro




O Ilusionista de Trapalhândia
3º episódio- Planos para o futuro

Regressaram a Ulisseia em silêncio, cogitando sobre o futuro. Naquela época ainda não havia auto-estradas e a viagem era longa. Perto de Erisurfeira Maria perguntou:
-Hannibal, filho, tu sabes no que te vais meter? Isso da política não é para ti, só nos vai trazer problemas. Tu já estiveste no governo do Sá Cordeiro (“que Deus o tenha em descanso”) e não te deste lá muito bem, porque é que vais insistir? Estás tão bem a dar aulas lá na Universidade, tens o lugarzinho no Banco e ainda fazes aqueles números de circo, para que é que te vais meter na política?
- Na política, eu, Maria? Tu não estás boa da cabeça, mulher! Eu nunca fui nem nunca serei político. Sei que estamos muito bem na vida, apesar de sermos míseros professores… mas político nunca! O meu futuro é o ilusionismo. Não gostavas de ser primeira dama?
- Primeira dama? Mas isso não é o que chamam à mulher do Presidente da República?
- É…
- Então vais ser Primeiro Ministro ou Presidente da República? Ai filho, não estás mesmo nada bem. Devias ter tomado o Ben-u -ron, como eu te recomendei. Vê lá, queres que vá eu a conduzir até Lisboa?
- Ai, Maria, não estás a perceber nada. Dá tempo ao tempo. Para já vou ser primeiro-ministro, mas daqui a uns 10 anos candidato-me a presidente da República para fazer de ti primeira dama…
- Daqui a 10 anos? Dizes que não queres ser político e já estás a pensar ser presidente da República daqui a 10 anos?
- Ó filha, para ser presidente da República não é preciso ser político. Os tugas vão cansar-se dos políticos e só quem não for político, como eu te afianço que nunca serei, e os tugas vão acreditar que não sou, é que tem hipóteses de vir a ser presidente. Confia em mim, vá lá…
- Bem, se me garantes que vou ser primeira dama, confio. Afinal, no ilusionismo tu és mesmo bom...Mas como é que estás tão certo de ganhar as eleições? Aprendeste algum número de ilusionismo novo?
- Então como é que pensas que cheguei à Palmeira da Foz anónimo e saio daquela sala candidato a primeiro-ministro?
- Hipnotizaste-os a todos, foi?
- Não foi bem isso, porque no hipnotismo ainda estou a dar os primeiros passos... mas lá chegaremos, Maria, lá chegaremos...
- Mas olha lá...Agora há para aí o partido do Janes que vai baralhar as contas todas e se ganhares não vais ter maioria absoluta, cansas-te daquilo tudo num instante. Olha que eu bem sei como tu gostas de mandar sem teres ninguém a importunar-te...Saíste-me cá um mandão!
-Estás a falar do PRD? São uns ingénuos coitaditos. Se eu não ganhar com maioria absoluta tomo umas medidas que ninguém vai gostar e os patinhos apresentam logo uma moção de censura. A oposição vai toda atrás, o presidente da República dissolve o Parlamento, há novas eleições e dessa vez ganho com maioria absoluta, podes ter a certeza.
- E dizes-me tu, com essa ronha toda que não queres ser político. Tens cá uma lata!
- Ihihih!
- Olha Hannibal, prometes que quando fores primeiro-ministro mandas fazer uma auto-estrada para o Allgarve?
- Nem penses nisso, Maria! Os tugas iam pensar que eu estava no governo para defender os interesses do Allgarve e nunca mais votavam em mim. Isso está completamente fora de questão. Mas vou fazer melhor… vou mandar construir uma auto-estrada no Algarve. Desde Lakes até à fronteira com Espanha.
- Para podermos ir comprar caramelos a Ayamonte?
- Sim. E também para meter gasolina, porque daqui a uns anos o preço do petróleo vai ser tão alto e os impostos sobre a gasolina tão elevados, que temos de ir a Espanha meter gasolina.
- Mas sendo primeiro-ministro não vais ter carro e gasolina de graça?
- Claro que vou. E tu, o meu chefe de gabinete e os assessores também.
- Então para que é que te interessa ir meter gasolina a Espanha?
- Não sou eu, Maria, são os tugas. Aqueles que vão para o Allgarve no Verão e passam o tempo todo a passear de um lado para o outro. Tendo uma auto-estrada no Allgarve deslocam-se mais depressa.
-Olha lá, Hannibal… mas se forem assim tantos portugueses para o Allgarve, lá se vai o sossego da nossa Mariani em Cryingmount.
-É verdade que corremos esse risco, mas se isso acontecer arranjamos outro terreno e construímos uma casa maiorzinha, com uma bela vista para o mar. Tenho uns amigos que tratam disso e arranjam um terreno baratucho.
- Eu tenho medo, Hannibal…
-De quê, minha fofa?
- De viver numa casa isolada. E os assaltos?
- Quem falou de uma casa isolada? Os meus amigos também onde ir para lá.
- Mas tu tens amigos, Hannibal?
- Agora não, mas quando for primeiro ministro vais ver que não me vão faltar. 
-Estou a perceber... Olha, Hannibal, vais ter de fazer campanha para ganhar as eleições, não vais?
- Claro. Pelo menos para já ainda tem de ser assim…
-Então amanhã vou telefonar à Glória de Matos
- Está bem, dá-lhe cumprimentos meus.
- Agora és tu que não estás a perceber. Vou telefonar-lhe para ver se ela te ensina a falar de uma forma que todos entendam. Ou pelo menos se indica alguém…
- Achas que vai ser preciso?
- Claro que vai, mas deixa isso comigo ... 
(continua)
Episódios anteriores: AQUI

Teresa, a enxovalhada



Teresa Leal Coelho, a ex- sócia de Vale e Azevedo que o PSD promoveu a deputada, anda há tempos a fazer tirocínio para ministra.
Os senhores deviam estar gratos à troika, porque é ela que está a pagar este debate;
Se a  proposta é inconstitucional, mude-se a Constituição;
A única nódoa no seu curriculum ( de Paulo Mota Pinto) é ter sido juiz do Tribunal Constitucional;
O Tribunal Constitucional tem de respeitar o memorando da troika;
Os Tribunais devem ser escrutinados e sancionados.

Estas são algumas das pérolas que se encontram no top ten do chorrilho de asneiras que a deputada  expele pelas cordas vocais nas suas intervenções na AR ou nos programas da SIC e com as quais ela procura bater rivais de peso como Francisca Almeida Leite na corrida a um lugar ministeriável na eventualidade de a coligação renovar o seu mandato.
As patacoadas de TLC não mereceram nunca um reparo das bancadas do PSD ou do CDS, mas hoje Fernando Negrão quebrou o tabu. Com punhos de renda, chamou mentirosa  a Teresa Leal Coelho e mandou-a  trabalhar.  

A coligação está de boa saúde

O secretário de estado dos transportes, Sérgio Monteiro, apoia este esbulho.
Já Leonardo Mathias, secretário de estado  adjunto da economia, manifestou a sua discordância.
Sendo os dois secretários de estado do mesmo ministério da economia, presumo que caiba ao soldado Lima das bejecas- chefe de ambos- desempatar.
A vida no ministério da economia corre sobre rodas e a coligação continua coesa e de boa saúde. Como aqueles casais que dormem em camas separadas, não se suportam há anos, passam as férias em locais diferentes, mas continuam unidos por amor à conta bancária aos filhos.

Cretinice Uber Alles



Os tribunais aceitaram a providência cautelar da ANTRAL, obrigando a UBER a suspender a sua actividade em Lisboa e Porto, até que haja decisão definitiva.
Não estou suficientemente habilitado para opinar sobre a matéria. Nunca utilizei os serviços da UBER, nem sei dizer se há concorrência desleal, como li em alguns jornais.
 Há, porém, uma coisa que posso garantir: a proposta da ANTRAL de fixar um preço mínimo de 20€ para "corridas" a partir do aeroporto, é de uma indecorosa cretinice. 
Pouco me importa que o táxi seja obrigado a ter ar condicionado e o taxista tenha de estar fardado. O que me interessa, quando entro num táxi, é que esteja em condições minimamente apresentáveis ( sem estofos esburacados e limpo)  o taxista não esteja bêbado, seja educado e não diga cinco palavrões em cada frase, não me roube, não me insulte por morar relativamente perto do aeroporto, nem me  ofereça serviços de prostitutas ou droga.
 Como tudo isto já me aconteceu em viagens de táxis, recomendo ao sr. Florêncio da ANTRAL que providencie a oferta de um serviço de qualidade e sem riscos para os utentes, assegurando a sanidade mental dos taxistas e  dando seguimento às reclamações apresentadas pelos utentes,  antes de fazer propostas de aumento desmesurado de preços, que rondam a especulação.

A noiva já vai grávida?

Marcelo Rebelo de Sousa compreende a pressa do governo em privatizar a TAP,  mas manifestou o seu pesar na TVI, por o governo não ter conseguido encontrar um noivo adequado para a TAP. 
O que Marcelo não explicou é que a pressa do governo resulta do facto de a noiva estar grávida e ser preciso, urgentemente, garantir que daqui a nove meses dê à luz as comissões.
No entanto, tal como aconteceu com os submarinos, ou com o deputado Nuno Magalhães, ninguém assumirá a paternidade. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

A velhota sabidolas

A propósito da greve do Metro

Hoje o Metropolitano de Lisboa está em greve. Os protestos dos tugas foram os do costume e não vou perder mais tempo a explicar as razões por que os utentes do Metro deveriam apoiar esta greve. (Remeto os leitores interessados, para o que escrevi aqui em Dezembro de 2014)
Hoje opto por recordar uma greve dos cobradores da Carris nos anos 60. É uma história curiosa que devia merecer alguma reflexão.
Ao contrário do que acontece normalmente, a greve dos cobradores da Carris foi apoiada e estimulada por Silva Pais ( que mais tarde viria a ser director da PIDE) a mando de Salazar. O objectivo do velho Botas era obrigar a Carris a criar uma tarifa económica ( na altura não havia passes sociais)  de modo a controlar os preços e a inflação.
Em 2015 vemos trabalhadores a fazer greve para manter os seus postos de trabalho e a qualidade do serviço e o governo a concessionar os transportes públicos, transferindo para o bolso de empresas privadas os subsídios que  anualmente dá às empresas públicas para a manutenção da qualidade dos serviços. 
A consequência destas concessões será a redução de horários de funcionamento, extinção de carreiras e aumento do preço dos passes sociais. O tuga parece não se importar com isso. O que o preocupa são os prejuízos resultantes de um dia de greve.

Não há coincidências




Blogonovela " O ilusionista de Trapalhândia"

 2º episódio: Não há coincidências

(Continuado daqui)

O grupo retirou-se, depois de mais uma curvatura da espinha a 90 graus, deixando escapar um sibilino “desejamos-vos as maiores felicidades”.
- Hannibal, diz lá o que andaste a fazer. Onde é que te meteste homem? Disseste que ias discursar e apareces-me agora com um rancho folclórico? Havia por aí alguma feira, não me disseste nada e foste fazer um dos teus números de ilusionismo??
- Acalma-te, mulher! Claro que fui discursar, mas isto do ilusionismo está-me no corpo e consegui agrupar umas palavras com sentido, mas que nem eu mesmo entendi muito bem, e eles gostaram do que lhes disse. Gostaram tanto, que me elegeram presidente do partido.
- Do partido? Qual partido? Ai, que eu devia ter ido contigo, minha Nossa Senhora!Não me digas que com essa idade te foste meter em política, homem! Andaste tu a preencher a ficha na PIDE a dizer que estavas integrado no regime da União Nacional do senhor Doutor, que não te metias em política,até escreveste que não convivias com a minha madrasta, omitindo que um ano, no Natal, lhe ofereceste aquela caixa de bombons que a deixou de diarreia…
-Essa por acaso foi uma ideia genial, Maria. Ela a pensar que tinha sido da lampreia de ovos, nunca desconfiou de nada…
- Coitadinha, que Deus lhe “deia” muita saúde Mas diz-me lá. Que partido é esse?
- Olha, para ser franco, nem sei bem.É aquele partido que o sr. Padre de Boliqueime diz que devemos todos votar, porque tem umas setinhas que apontam para o Céu…
-Ah! Então é nesse partido que a gente sempre votou, não é?
- Pois , talvez...já não me lembro muito bem, como sabes não sou político...
- E agora és presidente do partido?
-É verdade, mulher. Vem a gente até à Palmeira da Foz fazer a rodagem ao carro e saio daqui Presidente. Ele há cada coincidência…
- Que é que disseste? Coincidências? Vou já telefonar à Margarida Rebelo Pinto para lhe sugerir o título para um livro. “Não há coincidências”…
- Pois não, Maria, mas os tugas vão ficar a pensar que tudo isto foi uma coincidência… Bem, vou só comer um bolinho de arroz e tomar um café, que temos de voltar depressa para Ulisseia. Amanhã tenho muito que fazer.
- Mas amanhã não tens aulas, Hannibal!
- Pois não, mas vou ter uma reunião muito importante no Partido para traçarmos a estratégia.
- Estou a ver que isso te está a subir à cabeça. Vê lá no que te metes. Com essa mania do ilusionismo ainda és despedido!
- Maria… tu ainda não percebeste? Vou ser o futuro Primeiro Ministro de Trapalhândia!
Maria esbugalhou os olhos, deixou escapar um suspiro e disse:
- Vá lá filho, come o bolinho e toma um chazinho de limão em vez do café. Olha e toma este Ben-u-ron, porque me parece que estás a ficar constipado. Não te dói a cabeça? Parece-me que estás com arrepios...
( Continua)

O escurinho é idiota

O escurinho é idiota mas, na verdade, só verbaliza aquilo que Passos Coelho pensa.
Já Christine Lagarde confirma aquilo que todos sabemos, mas o governo desmente

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O ilusionista de Trapalhândia


Nas comemorações do 30º aniversário*

Capítulo 1- A caminho do Oeste

Poucos anos antes do tempo em que decorre esta blogonovela, ocorrera uma revolução florida em Trapalhândia. Os militares derrubaram uma ditadura bolorenta e o povo saiu à rua para festejar. Durou pouco tempo a euforia. Uma década depois, o país estava num beco sem saída, porque os amigos que o governavam em coligação entraram em conflito e tiveram de chamar o FMI para resolver o problema.
Por essa data, em Trapalhândia, as pessoas não iam "Por este Rio acima" , como cantava o Fausto. Preocupadas com salários em atraso, as greves dos transportes e a inflação a atingir os 30 por cento, corriam a depositar as suas poupanças nas mãos de D. Branca, ou coleccionavam rótulos de Cola Cao, para concorrerem ao "1, 2, 3", concurso televisivo que oferecia televisores a cores e outros prémios nunca sonhados.
Quando,em 1984, D. Branca- a Banqueira do Povo- foi presa e os tugas perceberam que o Cola Cao não lhes resolvia os problemas, entraram em depressão. Nessa altura, em Fatimah- capital espiritual de Trapalhândia- um padre de nome Krohn tentou assassinar o Papa. Os tugas correram para os televisores para saber as notícias. Depressa, porém, se desinteressaram e as suas atenções voltaram-se para a primeira telenovela produzida no pais ("Vila Faia") e para o primeiro herói Pimba do país. Chamava-se Tony Silva, tinha humor e muito "kitsch", mas não os dotes necessários para formar um governo que resolvesse os problemas do país.
Estavam as coisas neste ponto, quando um senhor esguio e macilento, "mísero" professor, decidiu comprar um carro novo. Não me perguntem como é que um " mísero" professor, no meio da crise, conseguiu arranjar dinheiro para comprar um carro novo, porque isso agora não interessa nada. O importante são os factos e a eles me vou cingir.
Num belo fim de semana, precisando de fazer a rodagem ( naquela época os carros ainda tinham de fazer rodagem) o professor virou-se para a mulher e perguntou:
-Ó Maria! Está um dia tão lindo, que tal se fossemos comer uma caldeirada à beira mar?
-E onde queres ir? À Erisurfeira ou ao Grito?
- Ó Maria! Eu disse-te que queria fazer rodagem ao carro, não te convidei para dar uma voltinha saloia… vamos à Palmeira da Foz…gostas tanto daquilo! Não achas boa ideia?
A anuência da cara metade foi imediata e, invertendo a marcha de D. Afonso Henriques (rei fundador de Trapalhândia, depois de dura luta contra os mouros) rumaram os dois a Norte.
A caldeirada foi saboreada num restaurante da marginal de Palmeira da Foz, regada com um vinho branco, em dose moderada.
No fim do repasto, o senhor esguio respirou fundo, após o último gole de café, e inquiriu:
- Sabes o que me apetecia agora, Maria?
- Ó homem! O anúncio da Ferrero Rocher só vai para o ar daqui a uns anos e, além disso, essa deixa do “ Ambrósio, apetece-me algo” é minha, não é tua.
- Não brinques, Maria, mas estou mesmo com vontade de…
- Deixa-te dessas coisas, filho. Deve ser do ar do mar. Olha, porque é que não vais ali ao quarto de banho e passas um bocadinho de água na cara para aliviar os ardores?
- Não, Maria, nada disso… o que me apetecia mesmo era fazer um discurso.
- Ah, bom…E para quem é que tu vais discursar homem? Não te ponhas agora aí armado em Padre António Vieira a discursar aos peixinhos… já estás a entrar na idade de te deixares desses disparates. Valha-me Deus, p´ró que t’avia de dar! Ainda ontem querias ser ilusionista. Hoje queres fazer discursos? Vê lá se te decides, que eu não aguento isto...
- Olha, eu não te disse nada antes de virmos, mas sei que estão ali uns senhores enfiados numa sala…
- Com um dia lindo como este? Devem ser parvos!
- Calma Maria… aqueles senhores estão metidos numa grande embrulhada e estão à procura de um futuro para o país. Penso que os posso ajudar mas, se eles não quiserem, pelo menos vou lá, faço o meu discurso e depois venho-me embora mais aliviado e de consciência tranquila.
-Tá bem, filho, vai lá, mas não contes comigo para te acompanhar. Fico aqui a apanhar este "solinho". Olha, não te demores muito, porque quando anoitecer arrefece e eu não me quero constipar. 
Já a noite tinha caído, quando o professor esguio regressou ao restaurante, onde deparou com a mulher embrulhada numa manta gentilmente cedida pela proprietária. Vinha acompanhado de um grupo de homens sorridentes trauteando uma música que lhe era familiar, mas cujo título não lhe ocorria.Quando se aproximaram, os homens curvaram-se respeitosamente e entoaram em coro:
- Parabéns, minha senhora! O País finalmente vai mudar!
Maria olhou para o grupo estarrecida. Afinal, o seu homem tinha-lhe dito que ia discursar e aparecia-lhe agora acompanhado de um grupo folclórico de homens exibindo uns autocolantes laranja na lapela? Ia formular uma pergunta que certamente deixaria todos embaraçados quando o marido, antecipando-se a qualquer eventualidade, se voltou para os acompanhantes e disse:
- Muito obrigado a todos. Agradecia que me deixassem agora sozinho com a minha mulher, para eu lhe explicar tudo. Encontramo-nos amanhã em Ulisseia.

(continua)

*AVISO AOS LEITORES: Escrevi esta blogonovela em 2011. Assinalando-se hoje os 30 anos da entronização de Cavaco na Figueira da Foz, decidi recuperar alguns episódios para lhe prestar a devida homenagem.
E vale a pena nunca esquecer - porque não é ficção - que Cavaco Silva chegou ao poder através de uma fraude. Apresentou a candidatura com assinaturas forjadas por Alberto João Jardim. "O que torto nasce, tarde ou nunca se endireita"...