terça-feira, 14 de abril de 2015

Umbiguismo




Já várias vezes escrevi sobre o umbiguismo da comunicação social tuga, onde o noticiário internacional é fraco e, a maioria das vezes, se reduz a copypaste do que se publica lá fora. 
Já expliquei o menosprezo pelo noticiário internacional com o facto de o Portugal Sentado ter invadido as redacções. O destaque noticioso  do que se passe de relevante fora da Europa e dos Estados Unidos não é decidido nas redacções. Está dependente do destaque que é dado na imprensa e televisões internacionais. E de alguns interesses políticos e económicos dos seus proprietários, obviamente.
Não me espantou, por isso, que os media indígenas - e provavelmente também a blogosfera e as redes sociais- não tenham dado grande destaque ao massacre de Garissa.
Há dias, num jantar com jornalistas amigos,  falávamos  sobre a indigência informativa sobre Garissa e a opinião foi unânime: houve causas suplementares - a morte de Manoel de Oliveira e também a quadra pascal-  que determinaram o alheamento dos media em relação a Garissa. No entanto - e nisso também fomos unânimes- se o massacre tivesse ocorrido num país europeu, o destaque teria sido idêntico ao dado ao Charlie Hebdo. 
Aliás, ontem mesmo, assistimos a outro episódio revelador do umbiguismo informativo tuga. No mesmo dia morreram Gunter Grass e Eduardo Galeano. Todas as televisões deram grande destaque ao autor de "Tambor de Lata" mas a morte de Galeano, autor de um dos mais importantes livros sobre a História da América Latina ( "As Veias abertas da América Latina"), apenas foi referida em alguns noticiários em nota de rodapé.
À comunicação social tuga falta mundo e a noção do ridículo. É pequenina, pacóvia e provinciana como o país. 
O Expresso  foi indagar junto  de directores de jornais, rádios e televisões as razões para o eclipse noticioso em relação a  Garissa. Vale a pena ler.

6 comentários:

  1. As notícias são sempre iguais, até cansa.

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  2. As notícias são sempre iguais, até cansa.

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  3. Basta pensar só no relevo que foi dado ao desastre aéreo da germaniwings, que não se falou noutra coisa durante uma semana, pelo menos, enquanto do suícidio do piloto das linhas aéreas de Moçambique, que se desfez na Namíbia e que quase ninguém falou disso. O sangue de África tem muito menos valor. Agora a paranóia do alemão deu que falar, além dos dirigentes andarem a passear dum lado para outro muitos condoídos. Só que ficamos sem saber o que vai acontecer à família das vítimas. Apenas ficaram mais tristes e reduzidas, enquanto as companhias de Seguros vão negociando o valor das vidas.
    Para a Graça Franco não é uma questão de racismo porque é uma senhora muito bem formada na Católica. Quando penso em África, mesmo sem outras tragédias lembro-me sempre da comida que se deita fora, da água que se desperdiça e de um dos grandes livros, do grande humanista, para além de tudo o resto- "A Geopolítica da Fome", já agora porque não também "A Geografia da Fome" do Professor Josué de Castro, que apesar de já terem passados tantos anos, continuam tão actuais como quando foram escritos e estudados e apesar da evolução tecnológica, os pobres continuam cada vez mais pobres. Ah, que mundo imundo!

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  4. O Jornalismo em Portugal,já morreu à muito!Salvaram-se meia dúzia de Homens e Mulheres, que continuam justificando(sabe-se lá o preço que pagam)a categoria profissional que possuem.O resto,bom,o resto não passa de uma cambada de amanuenses paga para servir interesses inconfessáveis.Ainda que,com o rabo bem à mostra!(...)

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  5. Não há jornalismo sério em Portugal. Os que conseguem, ainda, escapar à mediocridade, fazem-no por sua conta e risco.

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  6. Quando não bate à porta da Europa não é importante, Carlos.
    Uma tristeza!

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