terça-feira, 21 de abril de 2015

A coligação PSD/CDS é inevitável?

Nem por isso.  
Por vontade de Passos Coelho não haveria coligação nenhuma. Está farto das birras do Portas, o Pires de Lima apesar de dizer que é um soldado disciplinado, às vezes ameaça abandonar o quartel  e, last but not the least, Passos acredita mesmo que pode ganhar as eleições apresentando-se sozinho .
No entanto, não será fácil Passos Coelho desenvencilhar-se dos meninos mimados e impertinentes do CDS.
Dentro do PSD a maioria quer manter a coligação. Por muito que Passos lhes diga que o CDS é um empecilho, só atrapalha e seria muito mais confortável  apostar numa vitória sozinho e  depois  convidar o CDS, fragilizado, a servir de muleta, do que ir a votos em coligação e sujeitar-se às chantagens de Portas.
No grupo parlamentar do PSD poucos são os que compram esta teoria  e argumentam que, caso o PSD  perca as  eleições, Portas irá a correr lançar-se nos braços de António Costa.  Por uma vez, há que dar razão a Passos e elogiá-lo pela  coragem em assumir riscos.
Só que, repito, será muito difícil a Passos  manter esta  posição. O  CDS está disposto a abdicar de todas as suas bandeiras – como já se viu no recuo  em relação à TSU, à extinção da taxa extraordinária do IRS e às pensões dos reformados-  para  manter  um lugar no pote.
 Bem pode argumentar Passos que  Portas não é de confiança  e  dizer que só aceita ir a votos coligado se o CDS assinar um acordo pré- eleitoral, onde fique determinado o número de ministérios que lhe cabem em caso de vitória. Só que ele também sabe que o CDS será exigente, porque acredita valer mais do que efetivamente vale e  isso é um obstáculo a um acordo prévio.
Não tenho dúvidas que se Passos pudesse decidir sozinho,  prescindiria da muleta do CDS.  Não sei é se conseguirá fazer valer a sua tese. Os defensores da coligação não deixarão de esgrimir as sondagens que apontam para a possibilidade de PSD e CDS, coligados, poderem ter maioria absoluta.  Como a seu tempo se verá, este argumento é enganador. As eleições do Outono irão trazer grandes  surpresas, pela dispersão de votos nos “pequenos” partidos que pela primeira vez entram em cena. Se o CDS concorrer sozinho,  ficará reduzido a uma expressão minimalista. Talvez um táxi seja demasiado grande para transportar os seus deputados. Os portugueses penalizarão mais o CDS – que consideram um partido imprestável-do que o PSD. Portas sabe disso. Passos também.  
Por isso mesmo penso que, não sendo a coligação inevitável, acabará por se concretizar por força das pressões internas no seio do PSD e pela vontade de Portas se manter agarrado ao pote.. 
Restará a Passos forçar o CDS a aceitar  um acordo pré-eleitoral que o reduza à sua insignificância. Não será fácil.

5 comentários:

  1. Digo eu que tenho mau feitio, nenhum deles quer ir a votos sozinho. Porque estará em causa o governo, o poder.
    Se fosse, apenas, para mostrar o que 'sobe' o CDS ex PP, Paulo Portas estava-se nas tintas para a coligação. Coisa que vai acontecer dentro de alguns instantes.

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  2. Isto dos acordos pré-nupciais - perdão, pré-eleitorais - dependem sempre das contrapartidas! Mas acabam sempre por ser feitos, quando há bens importantes pelo meio...

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  3. A coligação só não se fará caso Passos Coelho não tenha a ambição de continuar a ser primeiro-ministro. Se quiser continuar a sê-lo (ai de nós!) está condenado a ir a eleições em coligação. É o castigo para tamanha ambição.

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  4. A coligação só não se fará caso Passos Coelho não tenha a ambição de continuar a ser primeiro-ministro. Se quiser continuar a sê-lo (ai de nós!) está condenado a ir a eleições em coligação. É o castigo para tamanha ambição.

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  5. Eu ainda penso que a coligação, a existir, será pós eleitoral
    Vamos ver....

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