quinta-feira, 30 de abril de 2015

A maluquinha das listas



"Viola vários artigos da Constituição e também outras leis, promove a estigmatização e a exclusão social, ameaça os valores de segurança, ordem e tranquilidade públicas" - diz a Comissão Nacional de Protecção de Dados a propósito da lista de pedófilos que a ministra Paula Teixeira da Cruz quer criar.
Joana Marques Vidal, PGR, quer que seja dada aos pedófilos a possibilidade de requererem, perante um tribunal, que o seu nome seja retirado da lista.
Indiferente a todas as críticas, a ministra que tirou o curso de empurrão na Universidade Livre foi à AR defender as virtudes da lista, ancorada em estudos inexistentes, ou cujos resultados são bastante diversos dos invocados pela loiraça.  
A maioria, em cujas bancadas se senta gente do quilate deste energúmeno, ou com a têmpera destes bandalhos homofóbicos, abanou as orelhas e disse amen.

A democracia e a pirâmide invertida (2)



Numa democracia que funcione normalmente,  o governo  presta contas ao país e à oposição.
Neste sistema político de merda criado pela coligação com a passividade dos tugas, é um partido do governo que pede explicações ao maior partido da oposição.
Já vi porcos a andar de Vespa, nunca tinha visto era réus a pedir explicações aos juízes.
Vi hoje na AR.

Baltimore: o lado B


Toya Graham's esbofeteou em público o filho de 16 anos, porque estava a protestar nas ruas de Baltimore.  
O video já é um sucesso nas redes sociais e até a polícia aplaudiu.
Porreiro, pá, mas se a mulher tivesse esbofeteado o filho por este lhe faltar ao respeito e um vizinho a denunciasse à polícia, estaria agora em maus lençóis, acusada de maus tratos a menores. 

O arrependido

quarta-feira, 29 de abril de 2015

A democracia e a pirâmide invertida (1)

Hoje foi dia de plebiscito nos partidos da coligação.
Os líderes do PSD e CDS  reuniram os capangas os seus estados maiores para aprovarem o acordo de coligação que os  patrões tinham assinado no sábado.
Umas dezenas de burros invertebrados abanaram as orelhas, bateram palmas e ratificaram o que os líderes lhes impuseram. Sem um protesto, uma indignação, ou um pingo de vergonha no focinho.
Como é prática comum nas mafias, grupos terroristas, gangs criminosos e, claro, em partidos como o PSD e o CDS.


Ainda bem que vão privatizar toda a rede de transportes

A TVI fez uma reportagem sobre o grupo Barraqueiro, que detém a Rede Nacional de Expressos e a Rodoviária.
Desde motoristas a conduzirem durante mais de 20 horas ininterruptas durante dias seguidos ( quem recusar é ameaçado de despedimento) a fraudes com o sistema de fiscalização e controlo, o grupo Barraqueiro  pratica um manancial de irregularidades que colocam em risca a vida das pessoas.
Numa altura em que o governo se prepara para vender e/ou concessionar todos os transportes, vale a pena ver a reportagem para saber o que nos espera.
As autoridades parecem indiferentes e, confrontadas com as reportagens, as empresas não mudaram o seu comportamento.
Mas nem tudo estará perdido. No dia em que  haja mortos provocados pelo comportamento dos psicopatas que gerem estas empresas, já sabemos os nomes dos criminosos.

O Professor Chanfrado




Duarte Marques é aquele deputado do PSD , ex lider da jotinha laranja, que um dia disse que o combate ao desemprego era uma questão de fé. 
Esse velho de 33 anos tem, aliás, dado sobejas provas de que o seu cérebro cabe dentro de uma ervilha, fazendo declarações que só não envergonham o grupo parlamentar do PSD, nem os membros do governo, porque aquilo é gente sem vergonha na tromba.
Durante muito tempo, pensei que as ideias de Duarte Marques fossem dele mas hoje, graças ao Francisco Louçã, fiquei a conhecer  a musa que o inspira.
É um gajo de nome  Pedro Cosme Vieira, PROFESSOR da Faculdade de Economia do Porto, que tem tiradas como esta:
Não estivesse eu ainda sob os efeitos benfazejos do Dia Mundial do Sorriso e mandava o professor pentear macacos na selva onde vive. Assim, limito-me a avisar os leitores para se desviarem deste anormal

quando se cruzarem com ele na rua. É que além de tratar a mãe como caquéctica (sic), o dito cujo professor de economia ainda tem esta tirada sobre os imigrantes que atravessam o Mediterrâneo:


O Professor universitário - que dá mais erros que um aluno do primeiro ano de escolaridade- também apresenta uma proposta para acabar com a SIDA:


Quem merecia um tiro nos cornos era o Professor mas, como ontem foi  Dia Mundial do Sorriso, limito-me a sugerir-lhe que vá dar um passeio até às Caldas da Rainha - pode também levar o Duarte Marques - onde encontrará certamente cerâmica do seu agrado que o ajudará a abrir a boca num sorriso. 



Teodora, não vás ao sonoro...



Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, manifestou a disponibilidade da instituição para avaliar as propostas económicas dos partidos candidatos às legislativas.
Pessoalmente, acho a proposta de Teodora Cardoso pouco ambiciosa. No lugar dela, propunha que as propostas fossem submetidas a exame prévio do Conselho de Finanças Públicas e os partidos cujas propostas  fossem chumbadas seriam impedidos de concorrer às eleições.
Ou, então, uma proposta ainda mais radical. Os membros do Conselho dariam notas a cada uma das propostas e o partido com nota mais elevada seria de imediato convidado a formar governo, evitando-se assim a chatice das eleições e as despesas inerentes.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Vai fazer ultimatos à tua mulher, pá!

A trupe de ladrões está em desespero. Entrou em desvario e reage como o corno que apanha a mulher na cama com o amante e obtém como resposta:
"Que queres? Não tens t... para mim, tive de arranjar uma alternativa!"
Marco António Costa: PSD dá uma semana ao PS para explicar contas 
Já agora, Marquinho, diz se queres resposta acompanhada por  explicadora, ou  preferes  uma terapeuta sexual, tá?

Ministério da Educação sob suspeita

À porta do Ministério da Educação, na Av. 5 de Outubro, foi encontrado um recém-nascido abandonado.
O bebé foi acolhido e alimentado pelos funcionários que decidiram dar conhecimento do assunto ao Ministro da Educação.

Mais de uma semana depois, Nuno Crato emitiu o seguinte despacho, dirigido ao Secretário de Estado:

Forme-se um Grupo de Trabalho para investigar:
a) Se o 'encontrado' é produto doméstico deste Ministério;
b) Se algum funcionário deste Ministério tem responsabilidades neste assunto.

Após um mês de investigação, o Grupo de Trabalho, concluiu:

'O encontrado' nada tem a ver com este Ministério pelas razões seguintes:
a) Neste Ministério não se faz nada por prazer nem por amor;
b) Neste Ministério jamais duas pessoas colaboram intimamente para fazerem alguma coisa de positivo;
c) Revelando o "encontrado" estar em perfeito estado de saúde, não pode ser produto deste ministério, pois aqui tudo o que se faz não tem pés nem cabeça;
d) No arquivo deste Ministério nada consta que se tivesse terminado em apenas 9 meses.

AVISO: Assinala-se, hoje, o Dia Mundial do Sorriso. Se por acaso este post não o fez sorrir, sugiro-lhe  que opte por comemorar este dia.

Privatize-se o cachucho, o Eusébio e a Amália

Nos  dois últimos anos, o Oceanário deu lucro de  1,5 milhões de euro por ano. As previsões apontam para um crescimento das receitas nos próximos anos.
O que decidiu fazer o governo? O mesmo que faz com todas as empresas que dão lucro: entregar as mais valias ao sector privado.
Moreira da Silva, ministro do Ambiente, esclareceu que o governo decidiu concessionar a exploração do Oceanário por um período nunca inferior a 30 anos, estimando que o Estado arrecade uma verba a rondar os 40 milhões de euros. Basta fazer as contas para se perceber  que é um negócio do caraças para o concessionário, mas Moreira da Silva quis descansar os portugueses e garantiu que o edifício, a água e os peixes continuarão a pertencer ao estado. Acho mal! Deviam privatizar também o cachucho, o Eusébio e a Amália, porque sempre davam mais uns trocos.
Alto e pára o baile! Quando sugiro a privatização do Eusébio e da Amália, refiro-me às lontras do Oceanário - também já falecidas -  não aos que estão a caminho do Panteão Nacional. A privatização desse lugar de luxúria, demonstração inequívoca de que continuamos a viver acima das nossas possibilidades, sustentando um monumento que só serve para alojar mortos*é matéria que será tratada pelo próximo governo PSD/CDS. 

*Quem será o ministro escolhido para proferir esta frase?

Nem tudo o que parece é...

João Valle e Azevedo está a preparar o programa de governo do PSD. 
O partido de Passo Coelho ainda não tem lá dentro vigaristas suficientes e precisa de contratar mais? - estarão já alguns leitores a perguntar. 
Não se assustem... este Valle e Azevedo não é o ex presidente do SL e Benfica. É um dos economistas do Banco de Portugal que se prestou a dar o seu contributo ao programa com que Passos Coelho vai tentar enganar, uma vez mais, os eleitores portugueses.
É verdade que na primeira quem quer cai e na segunda só cai quem quer mas, a avaliar pelas sondagens, há muitos tugas masoquistas que querem uma segunda dose de austeridade.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Um momento de inspiração



António Costa disse que a coligação é um casamento de conveniência, mas não apresentou um fundamento credível.
Eu  já tinha escrito isso em 2012, mas  apresentei um fundamento : Pedro e Paulo inspiraram-se  no casamento de duas figuras bem conhecidas.

Todos diferentes, todos iguais

Huguinho, Luisinho e Zezinho reuniram-se para escolher uma nova brincadeira que quebrasse a monotonia diária dos passeios de bicicleta e dos jogos da bola.
Huguinho sugeriu que assaltassem o frigorífico do Tio Donald e fizessem um picnic com as namoradas. Todos concordaram e elogiaram a ideia do Huguinho. Apanhados em flagrante, Luisinho e Zezinho acusaram o Huguinho de ter sido o mentor da ideia. 
Foi mais ou menos o que aconteceu com a proposta de três deputados do CDS, PSD e PS que decidiram brincar à Censura, impondo um exame prévio durante a campanha eleitoral. Todos concordaram que a ideia era excelente  mas, confrontados com a crítica generalizada, apontaram o dedo acusador a Inês Medeiros por ( alegadamente) ter sido a autora da ideia.

Como Paulo Portas se diverte a gastar o nosso dinheiro

Paulo Portas tinha comunicado à AR que partiria para Nova Iorque, em serviço oficial, no sábado ( dia 25 de Abril) ao meio dia. 
Inesperadamente, apareceu na cerimónia da AR. À hora do jantar reuniu-se com o noivo Passos num hotel de Lisboa para anunciar a coligação.
Conclui-se que partida de Paulo Portas no sábado para Nova Iorque não era imprescindível. Provavelmente nem o serviço oficial  seria assim tão premente caso contrário, não teria adiado a viagem para assinar o acordo de coligação.Fá-lo-ia após o regresso.
Não se conclui, mas presume-se, que a partida no sábado lhe permitiria  gozar um domingo em Nova Iorque à custa do contribuinte e serviria para justificar a ausência das cerimónias comemorativas do 25 de Abril.
Quando se pedem sacrifícios aos portugueses Portas - cujos gastos em Nova Iorque a imprensa já divulgou- vai passar o fim de semana a Nova Iorque, sem que haja justificação plausível? 
Já agora, podem explicar-me por que razão a cerimónia de assinatura do acordo de coligação se realizou num hotel ( com os custos inerentes)? 
Ouvi alguém dizer que a escolha da data foi simbólica. Treta! Esta gente está-se borrifando para o 25 de Abril.Apenas quis retirar da agenda mediática as propostas dos economistas para o programa do PS. 
Devo reconhecer que até foi uma boa jogada. Não precisavam era de gozar os contribuintes.
Adenda: Não haverá por aí nenhum jornalista interessado em divulgar a agenda de Portas nos EUA?

O acordo ortográfico convida ao absentismo

Antes do acordo ortográfico escrevia-se “ Alto e pára o baile!” 
Significava  mais ou menos deixem de mandriar e vão trabalhar
Com o novo AO escreve-se “Alto e para o baile”
O que pode ser interpretado como  deixem de trabalhar e vão gozar a vida

domingo, 26 de abril de 2015

Eu tinha avisado

No dia 14  de dezembro, quando o Benfica foi ganhar ao Dragão, o campeonato ficou decidido. Foi nesse dia, não hoje, que o FC do Porto perdeu o campeonato.

Bibó Porto (47)



 Esta semana fico-me por um por do sol numa esplanada da Foz, acompanhado por um pedido de desculpas pela fraca qualidade das fotos. Foi o que se pôde arranjar... mas o espectáculo é mágico, apesar do vento frio àquela hora.









sábado, 25 de abril de 2015

A minha " Primeira Vez"

Era uma soalheira manhã de Primavera, que apelava aos sentidos. Estava trajado a rigor e a custo disfarçava o nervosismo provocado pela ansiedade da minha primeira vez . Na sala havia uma fila de homens à minha frente, aguardando. Muitos eram jovens como eu e não tinha dúvidas que para eles também seria a primeira vez. Tal como eu, disfarçavam o nervosismo contando anedotas e algumas histórias de uma vida ainda com muito para desfiar. Alguns, mais velhos, tranquilizavam-no.:
"É natural que estejam nervosos, mas vão ver que vale a pena." -avançou um "Tomara eu que a minha primeira vez tivesse sido assim"- disse um velhote ao passar por nós. Outro, emigrante, afiançava:" Em França é que é bom!"
Todos olhavam para o meio da sala onde ela se expunha, apelativa, aos nossos olhares gulosos. Era linda e deixava-nos em devaneio cada vez que repousávamos o olhar sobre ela.
À medida que me aproximava e lhe percebia melhor os contornos, imaginava o momento emocionante. Assim que depositasse naquela fenda todo o vigor da minha vontade, iria aprender a ser homem!
Finalmente chegou o momento. Aproximei-me, trémulo. Uma senhora aparentando 40 anos olhou-me com um sorriso. Estendeu-me um papel e disse-me:
- "Vá até àquela cabine, preencha o papel e volte cá".
Assim fiz. Quando saí, as pernas tremiam-me. Abeirei-me dela. Olhei-a com enlevo e, num gesto súbito, penetrei-a com vigor, manifestando-lhe o meu desejo e pedindo-lhe para não me desiludir .
Tinha acabado de votar pela primeira vez na minha vida.
Faz hoje 40 anos!

Porque recordar é viver!

Há 40 anos era assim!

Adeus!

Não sei o que o alcagoita vomitou hoje na AR. Não sei se falou de boca cheia, se teve um xilique, se apoiou o governo  e cascou no PS, ou apelou mais uma vez  ao consenso.
Tal como Mário Soares, não tenho pachorra para ouvir  as bacoradas do inquilino de Belém que vive à conta do contribuinte e declarou sentir-se bem enquadrado no regime do Estado Novo.
A única coisa que sei é que foi a última vez que foi à AR mandar uns arrotos no 25 de Abril. E isso é uma boa notícia.
Adeus! 
Aviso: este post, como os de ontem e de amanhã, foram pré agendados. Peço por isso desculpa aos leitores se sua anibalidade excelentíssima tiver proferido alguma bacorada com resiliência e este post estiver completamente fora do contexto. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Símbolos de resistência

A resistência tem um preço, mas  pode tornar-se um cartaz turístico, ou um negócio. Ora veja como. AQUI

A greve da TAP

Se ainda não me pronunciei sobre a greve dos pilotos da TAP, é porque não tenho mais nada a acrescentar ao que escrevi em 2010:
Chamem-me o que quiserem, mas não posso deixar de dizer isto: a legislação que permite a classes privilegiadas organizar-se em sindicatos para boicotar e destruir uma empresa, equivale a oferecer uma arma a um bandido que pretende assaltar um banco. Há certas classes profissionais a quem o sindicalismo deveria estar vedado. Urge alterar a legislação e proceder à higienização da democracia que o ultraliberalismo selvagem reduziu a um conceito balofo. A greve da TAP não é luta de trabalhadores. É luta de um grupo de privilegiados que conspurcam a democracia, aproveitando de forma ignóbil ( e oportunista)os mecanismos que ela criou para defender os mais desfavorecidos.

Sobre os limites à liberdade de expressão

Pai, quais  são os limites à liberdade de expressão?

( Pai, depois de uma pausa)
Olha, meu filho. O pai do Tóino  bate na mãe dele porque é muito ciumento, mete-se  nos copos e nas drogas e depois não sabe o que faz. Aqui na rua todos o acusam de violência doméstica, não é? E um jornal até escreveu que o pai do Tóino era um animal. Lembras-te?

Lembro.

Pronto, isso é liberdade de expressão. 
Mas imagina tu que um dia o pai do Tóino chega a pm. Achas que alguém aqui na rua vai continuar acusá-lo de violência doméstica ou algum jornal vai escrever que ele é um animal?

Não.

Pois. A liberdade de expressão é isso mesmo. Depois de ser pm o pai do Tóino continua a ser aquele tipo que batia na mulher mas ninguém o acusa disso, porque tem medo de represálias. Entendes?

O benefício da dúvida

António Costa  reduziu o passivo da Câmara  de forma substancial;
Aplica uma das taxas de IMI mais baixas dos país;
Devolve aos munícipes uma fatia substancial do IRS; 
Paga a pronto aos fornecedores;
Não descura a vertente social...
Não merece o benefício da dúvida quando apresenta ao país um conjunto de propostas que visam aliviar a austeridade das famílias e tirá-las da pobreza extrema? 
Não percebo nada de economia, mas leio as opiniões de quem sabe e em cuja seriedade intelectual confio. E o que tenho lido reforça ainda mais a minha convicção de que António Costa merece o benefício da dúvida.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Ainda vai a tempo de confirmar

Eu passo por lá todos os anos.
Se nunca por lá passou,não sabe o que está a perder

Apalpem-me as mamas, que eu gosto!





"A Helena Matos, no Blasfémias, não vê mal em que se espremam as mamas das mulheres como forma de provar que estejam a amamentar. Certamente que o plural é abusivo; ela fala por ela e por pessoas como ela. A Helena, como boa liberal, com certeza não se importa que o patrão lhe aperte as mamas para confirmar se está ou não a amamentar, para poder gozar um direito - o escândalo, um trabalhador com direitos! - que lhe é conferido pela lei. Para a Helena é normal e, confesso, estou curioso para saber como têm sido as entrevistas de emprego de Helena Matos ao longo dos tempos. Se é que alguma vez foi a alguma. Terá feito o teste da virgindade (http://www.hrw.org/pt/news/2014/12/01/onu-oms-condena-testes-de-virgindade)? Será que foi devidamente avaliada, com direito a palpação?

As questões legais já estão mais do que esclarecidas aqui (http://www.hrw.org/pt/news/2014/12/01/onu-oms-condena-testes-de-virgindade) e aqui (http://manifesto74.blogspot.pt/2015/04/espreme-mama-se-nao-der-leite-nao-ha.html). 
Enoja-me esta merda de ser suposto aceitar tudo. Enoja-me neste caso específico a pessoa em causa ser uma mulher, ou qualquer coisa parecida, que eu, nestas coisas, partindo do princípio da Helena, só acredito quando vir.

Comparar exames médicos normais, como faz Helena Matos, a ter de esguichar leite pelas mamas para provar o que quer que seja a um patrão ou a um chefe, consegue ser um nível acima da filhadaputice do César das Neves.

Ser uma mulher a escrevê-lo prova que a imbecilidade não tem género. E voltamos aqui a uma questão central: a luta é de classes, não é de género. A mulher que escreveu aquilo não deixa de ser mulher. Uma mulher de merda, mas uma mulher.

Creio que a Helena estará antes a projectar as suas necessidades - legítimas - na generalidade das mulheres. Ora imaginem lá o José Manuel Fernandes a apalpar as mamas da Helena Matos, antes de convidá-la para opinar no covil de fachos que dirige? Não é uma imagem bonita?"

Ricardo M. Santos, in Manifesto 74

O embuste low cost



Não deixa de ser surpreendente que um governo dito liberal tenha tomado a decisão de obrigar todos os postos de abastecimento a vender combustíveis low cost.
Como era de esperar, o resultado foi prejudicial para os consumidores. Em apenas três dias, os combustíveis low cost  aumentaram mais de 2 cêntimos  e atingiram o preço a que estavam os menos aditivados (95) há uma semana. A partir de hoje pagamos por combustíveis sem aditivos, o mesmo  que pagávamos pelos aditivados. E estes rapidamente se aproximarão dos preços dos combustíveis super aditivados (98) ou Premium.
Claro que a justificação será a do costume mas, a breve prazo, iremos perceber  a amplitude  do embuste. O aumento dos combustíveis low cost  irá reflectir-se  nos postos de abastecimento das cadeias de distribuição, reduzindo a diferença entre estes e os das gasolineiras tradicionais ( BP, Galp ou Repsol). 
Todos ficarão a ganhar, menos os consumidores.
Para compor o ramalhete o governo deu um forte contributo. Como não sabe legislar e faz tudo às três pancadas, "esqueceu-se" de  legislar sobre a informação aos consumidores. Quer isto dizer que as gasolineiras continuam a estar obrigadas  a exibir os preços dos combustíveis de forma visível( uma iniciativa do ex secretário de estado socialista Fernando Sarrasqueiro absolutamente inócua), mas o consumidor não tem informação sobre o tipo de combustíveis a que se referem os preços ( ver foto)
É no que dá tomar medidas - que até acredito serem bem intencionadas- sem  pensar nem prever as consequências. O governo, claro, dirá que é o mercado a funcionar.

Agora sim, estou muito mais confiante neste governo!

As propostas dos economistas convidados pelo  PS são uma fantasia. Onde é que se viu governar para as pessoas?  
Boas são mesmo as do governo que governa para as empresas e para os gajos do guito. Com grande sucesso, há que reconhecê-lo. Depois de tanta austeridade, a nossa troika tuga  continua a cumprir os seus objectivos: fazer crescer  a dívida pública ( aumentou para 234,6 mil milhões em Fevereiro)  e  ultrapassar a Grécia no risco de pobreza.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

É o cú...mulo!

Ouvir o barrica de cerveja dizer que as propostas apresentadas pelos economistas  convidados pelo PS são para enganar o povo;
Ou o oxigenado dos dentes luminosos agitar o fantasma  da troika, caso as propostas venham a ser aplicadas.  
Ou o aldrabão mor  garantir que o governo defende o rigor e a verdade e não faz propostas eleitoralistas. (Como se os portugueses não se lembrassem da campanha vergonhosa de 2011).
Dito isto,  devo esclarecer que não embandeiro em arco. Há propostas em relação à Segurança Social que gostava de ver melhor esclarecidas, porque me parecem padecer do mesmo mal das apresentadas pelo governo, pondo em causa a sua sustentabilidade. Há um contrato social que não pode ser quebrado  e as propostas parecem fazer tábua rasa desse princípio.
Também queria perceber qual o truque de magia que permitirá reduzir a metade os números do desemprego em apenas quatro anos.
Há outros números  no quadro que publiquei no post anterior que me parecem demasiado optimistas mas, como já referi, fico à espera que os especialistas em quem confio esclareçam todas as dúvidas
Agora, não me venham com o argumento de que as propostas apresentam riscos e podem ir por água abaixo, se lá por fora as coisas não correrem bem. Isso pode acontecer com qualquer governo, independentemente do partido que esteja no poder. 
Há três factores positivos inquestionáveis nas propostas:
- Tira o garrote dos trabalhadores e das famílias;
- Obriga a centrar a discussão em termos políticos, o que implica debater o modelo de desenvolvimento que ambos propõem ao pais;
- Apresenta números e não apenas um conjunto de ideias avulsas.
Cabe agora aos partidos do governo contestá-las com seriedade e com argumentos sólidos, não com chicana política.

Adenda: Estou farto de ouvir falar de programa do PS. Por favor, não lancem a confusão. O que está em discussão não é o programa de governo do PS, mas um conjunto de propostas apresentadas por um grupo de economistas a pedido do PS.O programa do governo só será apresentado em Junho.

É mesmo possível uma alternativa? Que decepção!

 O documento ontem apresentado por  António Costa está a ser analisado como se de um programa de governo se tratasse, apesar de o secretário geral do PS ter desde logo alertado que não se devia confundir o documento com o programa do governo. Esse será apresentado em Junho.
Convém à direita estabelecer a confusão. Por distracção, demérito ou aliança estratégica, a esquerda embarcou no jogo do governo. Nada a que não estejamos habituados...
Vale a pena, apesar de tudo, analisar as diversas reacções.
Surpreendentes, as  de diversos economistas engajados com o actual governo, ou apoiantes das medidas de austeridade. Reagiram positivamente admitindo que há uma verdadeira alternativa, consistente e com pés para andar.
Expectáveis as dos partidos do governo mas, mesmo assim, merece especial destaque o facto de o PSD ter reagido com um coro de críticas, apenas 10 minutos depois de o documento de 95 páginas ter sido apresentado. Isto já diz muito sobre a seriedade das críticas do PSD, mas hoje Passos Coelho deu um toque picaresco à coisa, ao pedir uma versão editável das propostas, para poder fazer contas!
O CDS mandou Cecília Meireles- que nem para secretária do estado do turismo serviu- ameaçar com o papão do regresso da troika mas, tal como o PSD, não apresentou nenhuma prova concludente sobre o irrealismo das propostas. O que aliás seria difícil, perante a evidência deste quadro:

Roubado à Câmara Corporativa

PCP e BE também não se impressionaram e alinharam ao lado do governo nas críticas às propostas. Nada de surpreendente no PCP, que na última década não tem regateado apoio ao PSD sempre que se trata de atacar o PS.  Do BE, confesso que esperava um bocadinho mais de sensatez...
Pelo que fui lendo nas redes sociais, também alguns seguristas se mostram descoroçoados. Compreende-se. A sua aposta era um entendimento com o PSD para um Bloco Central e estas propostas afastam qualquer hipótese de isso vir a acontecer. É mesmo possível uma alternativa à fusão PS/PSD? Que decepção!- admitem alguns seguristas enquanto vão roendo as unhas e equacionam votar no PSD nas legislativas do Outono.
Quem sabe se o PSD não lança uma campanha de recrutamento de novos militantes, antes das legislativas, para receber os seguristas desiludidos com as propostas do PS?


Contra o "esquecimento"

Seria popular condenar a escola, mas não alinho nessa. A prova é que a medida permitiu reduzir substancialmente  o número de esquecimentos.

Nunca é demais lembrar



Hoje assinala-se o Dia da Terra.Pareceu-me apropriado recordar o momento em que se começou a olhar para a necessidade de preservar o ambiente e como foi evoluindo a abordagem às questões ambientais desde 1961.
Nesse ano, um livro de Rachel Carson (A Primavera Silenciosa) desperta as pessoas para os problemas ambientais, ao chamar a atenção para a existência de um eco-sistema e a necessidade de o preservar, como forma de garantir um ambiente saudável.
Em causa estavam os efeitos devastadores do pesticida DDT, que Carson descreve da seguinte forma:
“Para acabar com os escaravelhos que estavam a destruir os ulmeiros, a Câmara da cidade de East Lansing (Michigan) pulverizou as árvores com DDT e no Outono as folhas caíram e foram devoradas pelos vermes. Ao regressarem, na Primavera, os tordos comeram os vermes e ao fim de uma semana quase todos os tordos da cidade tinham morrido.”
Anos mais tarde foram encontrados vestígios de DDT em baleias criadas ao largo da costa da Gronelândia situada a centenas de quilómetros das áreas agrícolas mais próximas, e concentrações de insecticida nos ursos e pinguins da Antártida, longe de qualquer área sujeita a pulverização com DDT ou qualquer outro insecticida.
Durante a década de 60, são vários os acontecimentos que vão despertar as pessoas para a necessidade de preservar o ambiente e começa a falar-se da possibilidade de ocorrência de catástrofes ecológicas. Em 1966,enquanto no País de Gales cerca de 150 pessoas ( a maioria delas crianças) morrem sepultadas num monte de resíduos de carvão que desaba sobre uma escola, um novo livro ( “Limites para o Crescimento”) vem alertar o mundo para os sinais de degradação ambiental. 
No ano seguinte, um grupo de cientistas apresenta, na Califórnia, um relatório esclarecedor:os aerossóis estão a destruir a camada de ozono e se a sua utilização permanecer ao mesmo ritmo, o número de cancros da pele crescerá exponencialmente. Só nos EUA, os cientistas prevêem mais oito mil casos anuais. Entretanto, alterações de clima e inexplicáveis acontecimentos metereológicos lançam grandes preocupações na comunidade científica.
A causa ambiental ganha novos adeptos e a ONU decide avançar para a realização de uma Conferência Mundial sobre o Ambiente, marcada para 1972 em Estocolmo.A Cimeira- que conta já com a participação do Greenpeace fundado no Canadá em 1971- decorre em plena guerra do Vietname e os EUA são acusados de estar a perpetrar uma destruição ecológica durante o conflito. O debate entre países ricos e pobres, que há-de ser uma constante quando se discutem problemas ecológicos, é iniciado com uma intervenção de Indira Gandhi que pergunta aos delegados dos diversos países:
“Como podemos nós falar, àqueles que vivem em aldeias e bairros de lata, em manter limpos o oceanos, os rios e o ar, quando as suas próprias vidas são contaminadas desde a origem?”
Maurice Strong, - o secretário geral da Conferência- compreende o que está em jogo e responde nestes termos:“ É o cúmulo do descaramento que o mundo desenvolvido manifeste surpresa quando os países em desenvolvimento identificam chaminés fumegantes de fábricas com progresso. Afinal, é isso que nós temos feito desde sempre!”.

As posições de pobres e ricos mantiveram-se inconciliáveis e no final, para além de promessas (que não serão cumpridas) de ajuda dos países ricos aos países pobres, que permitam reduzir as diferenças que os separam, a única medida palpável foi a autorização para que fosse criado um secretariado permanente para estudar os problemas do ambiente, no seio da ONU.
Em 1987, o relatório da Comissão Brundtland veio deixar claro que os entusiasmos criados em Estocolmo tinham sido refreados e nem o acordo assinado por vários países, comprometendo-se a reduzir para metade a emissão de CFC (clorofluorcarbonetos) responsáveis pela destruição da camada de ozono, dá mais confiança aos ambientalistas numa solução do problema.
Indiferentes aos problemas ambientais e gozando, por vezes, da complacência dos governos, as multinacionais vão explorando os recursos dos países do terceiro mundo, especialmente os asiáticos, e sendo responsabilizadas por desastres ecológicos que provocam número indeterminado de vítimas, como o de Seveso (Itália), Bhopal (Índia) ou Exon Valdez (Antártida). O património histórico também está ameaçado e a UNESCO alerta para os perigos que ameaçam a Acrópole. Em Chernobyl (URSS) – mofando de quem assegurava a impossibilidade de um acidente - explode um reactor nuclear que liberta para a atmosfera uma gigantesca nuvem radioactiva que atinge vários países europeus e, na Alemanha, um incêndio numa fábrica de produtos químicos polui gravemente o Reno.
Em 1990, novos acordos para a eliminação , até ao ano 2000, dos produtos mais perigosos para a camada de ozono e a redução das emissões de gases poluentes são alcançados, chegando-se à Cimeira da Terra que se realizou no Rio de Janeiro em 1992, num clima de grande optimismo. Debalde. Durante a Cimeira, as desavenças entre países pobres e ricos acentuam-se e mesmo no seio dos países da UE as fricções são bem visíveis..
O principal êxito da Cimeira foi o seu mediatismo, que trouxe a temática ambiental para a discussão pública e criou uma maior consciencialização das pessoas para o problema.
A partir daí multiplicaram-se as cimeiras sobre alterações climáticas e o ambiente- quase sempre inconclusivas e com acordos meramente circunstanciais- onde a tónica assenta na necessidade de garantir um consumo e desenvolvimento sustentável. Os resultados foram mais positivos na alteração do comportamento dos consumidores- fruto de uma crescente consciencialização- do que nos modos de produção. Empresas de países emergentes como a China, a Rússia ou a Índia, continuam a utilizar maioritariamente os combustíveis fósseis em detrimento de energias mais limpas.
Quarenta e três  anos após a Cimeira de Estocolmo, mais de  50 desde o livro de Rachel Carlson e muitas Cimeiras depois, embora conhecido o diagnóstico e as possíveis medicamentações para a cura do Planeta, os “médicos” continuam a olhar para a doente com ar grave e, com um encolher de ombros, declarar: “a doente está muito mal, mas não vamos fazer nada para a curar, porque não nos entendemos quanto à medicação a ministrar-lhe”.
No próximo Outono, em Paris, realizar-se-á mais uma cimeira sobre o clima, que está a gerar grandes expectativas. O mais provável é que se consigam alguns acordos circunstanciais pouco significativos  e, daqui a um ano, voltemos a assinalar o Dia da Terra com  muita propaganda informativa, muitas celebrações e assinaturas de programas para o crescimento verde, que apenas servirão para consumir papel. Reciclado?


Uma questão de realismo

Sempre manifestei bastante descrença quanto à possibilidade de o FC do Porto eliminar o Bayern Munique e passar às  meias finais.
Nem o resultado (3-1) alcançado no Dragão me demoveu. Apesar de  permitir sonhar, o amarelo visto por Danilo nos minutos finais do jogo de quarta-feira  refreou-me  de imediato o ânimo. Ir a Munique jogar sem os dois laterais titulares tornava a tarefa ainda mais difícil. E, como se não bastasse, Lopetegui decidiu improvisar, fazendo entrar Reyes para lateral direito..
Alguns acusaram-me de ser pessimista. Estava apenas a ser realista, como hoje se confirmou. A minha paixão azul e branca não me cega e ainda me lembro do desastre de Sevilha na época passada onde ( aí sim...) tínhamos todas as possibilidades de ter êxito, se o treinador fosse outro.
O caminho faz-se caminhando e na próxima época os jogadores terão assimilado melhor as ideias de Lopetegui,  talvez nas mesmas circunstâncias deste ano eu  esteja mais optimista.
Nunca se digere bem uma derrota e uma eliminação na mais prestigiada e difícil competição do mundo entre clubes, mas esta custou-me menos por estar à espera dela. 
Além disso, o FC do Porto continua a ser a única equipa portuguesa que conseguiuivener o Bayern sendo que, uma delas, valeu a conquista  da Taça dos Campeões Europeus.
 Para ser sincero, digo-vos que trocava bem esta eliminação por uma vitória robusta no próximo domingo na Luz. Na qual até cheguei a acreditar, antes de saber que o jogo teria lugar cinco dias depois de Munique e um resultado desastroso na Alemanha poderia ser pernicioso para as nossas aspirações.  Agora é mais difícil mas não tão impossível, como era a tarefa perante os alemães.
BIBÓ PORTO!

terça-feira, 21 de abril de 2015

Sim, a alternativa existe!


Vale a pena seguir o link e ler este artigo do insuspeito Pedro Santos Guerreiro, para desmistificar a ideia de que PSD e PS são iguais. E talvez seja também altura de perceber por que razão Costa é diferente de Seguro.
A alternativa à austeridade cega existe e a melhor prova disso foi a reacção imediata dos partidos do governo, que se vai ver obrigado a discutir o futuro do país e abandonar os jogos florais do jardim da Marilú Celeste.

Vocês sabem do que estou a falar...

Não sou de roer as unhas mas que começo a ficar impaciente, não há como negar. E vou sofrer muito durante duas horas. 
O que vale é que estou preparado para o pior cenário...

Mudança de táctica

Em 2011 Passos Coelho mentiu aos portugueses, prometendo exactamente o contrário do que viria a fazer quando chegou ao pote.
Agora, como  os portugueses já  conhecem o valor da palavra de Passos Coelho,  utiliza outro argumento. Se aguentarem todas as medidas de austeridade que vos proponho ( cortes nas pensões, salários mais baixos, trabalhadores a pagarem a TSU das empresas, fim do estado social, do SNS e estágios a fingir de empregos), vamos ter um país fantástico.
A muleta  bate palmas, lança uns risinhos nervosos e concorda. Vamos ter um crescimento do camandro

A coligação PSD/CDS é inevitável?

Nem por isso.  
Por vontade de Passos Coelho não haveria coligação nenhuma. Está farto das birras do Portas, o Pires de Lima apesar de dizer que é um soldado disciplinado, às vezes ameaça abandonar o quartel  e, last but not the least, Passos acredita mesmo que pode ganhar as eleições apresentando-se sozinho .
No entanto, não será fácil Passos Coelho desenvencilhar-se dos meninos mimados e impertinentes do CDS.
Dentro do PSD a maioria quer manter a coligação. Por muito que Passos lhes diga que o CDS é um empecilho, só atrapalha e seria muito mais confortável  apostar numa vitória sozinho e  depois  convidar o CDS, fragilizado, a servir de muleta, do que ir a votos em coligação e sujeitar-se às chantagens de Portas.
No grupo parlamentar do PSD poucos são os que compram esta teoria  e argumentam que, caso o PSD  perca as  eleições, Portas irá a correr lançar-se nos braços de António Costa.  Por uma vez, há que dar razão a Passos e elogiá-lo pela  coragem em assumir riscos.
Só que, repito, será muito difícil a Passos  manter esta  posição. O  CDS está disposto a abdicar de todas as suas bandeiras – como já se viu no recuo  em relação à TSU, à extinção da taxa extraordinária do IRS e às pensões dos reformados-  para  manter  um lugar no pote.
 Bem pode argumentar Passos que  Portas não é de confiança  e  dizer que só aceita ir a votos coligado se o CDS assinar um acordo pré- eleitoral, onde fique determinado o número de ministérios que lhe cabem em caso de vitória. Só que ele também sabe que o CDS será exigente, porque acredita valer mais do que efetivamente vale e  isso é um obstáculo a um acordo prévio.
Não tenho dúvidas que se Passos pudesse decidir sozinho,  prescindiria da muleta do CDS.  Não sei é se conseguirá fazer valer a sua tese. Os defensores da coligação não deixarão de esgrimir as sondagens que apontam para a possibilidade de PSD e CDS, coligados, poderem ter maioria absoluta.  Como a seu tempo se verá, este argumento é enganador. As eleições do Outono irão trazer grandes  surpresas, pela dispersão de votos nos “pequenos” partidos que pela primeira vez entram em cena. Se o CDS concorrer sozinho,  ficará reduzido a uma expressão minimalista. Talvez um táxi seja demasiado grande para transportar os seus deputados. Os portugueses penalizarão mais o CDS – que consideram um partido imprestável-do que o PSD. Portas sabe disso. Passos também.  
Por isso mesmo penso que, não sendo a coligação inevitável, acabará por se concretizar por força das pressões internas no seio do PSD e pela vontade de Portas se manter agarrado ao pote.. 
Restará a Passos forçar o CDS a aceitar  um acordo pré-eleitoral que o reduza à sua insignificância. Não será fácil.

A Gaiola das Malucas

Marco António Costa foi o porta voz da indignação do PSD, motivada pelo salário de 10 mil euros atribuído ao presidente da RTP  e pediu explicações ao CGI da estação pública.
A resposta não se fez esperar: o salário foi aprovado por Poiares Maduro e Maria Luís Albuquerque.- esclareceu o CGI
À primeira vista parece que o PSD é uma espécie de Gaiola das Malucas. Mas não é. Eles sabem muito bem o que fazem  e como fingir que se indignam  com uma filha da putice. Como se o chefe do bordel não soubesse de nada!

segunda-feira, 20 de abril de 2015

E que tal encontrar o ponto de equilíbrio para a idade da inocência?

Há dias, em Inglaterra, um jovem de 13 anos  foi condenado a prisão perpétua por ter assassinado uma mulher.
Hoje, em Espanha ( Barcelona), um outro jovem, também de 13 anos, entrou na escola com material para fabricar cocktails molotov e uma besta, matou um professor, feriu uma professora e três alunos à flechada . Está sob custódia, porque é inimputável

Sarkozy tentou, durante o seu mandato, aprovar uma lei que responsabilizasse os filhos inimputáveis. A proposta gerou forte controvérsia e acabou por não ser aprovada.

Entre uma sentença de prisão perpétua e a inimputabilidade há uma amplitude abissal. A proposta de Sarkozy não contribuirá, certamente, para reduzir a criminalidade juvenil, mas há que encontrar urgentemente um ponto de equilíbrio entre a prisão perpétua e a inimputabilidade.
Não podemos é continuar, impassíveis, a olhar para o aumento da criminalidade juvenil e encolher os ombros ou desculpar os crimes com a idade da inocência.

Lágrimas de crocodilo





As Primaveras árabes  sonhadas pelos EUA e encorajadas, apoiadas e fomentadas pela Europa,  redundaram  num mar de sangue na Síria, no Egipto, no Iraque, ou na Líbia. Derrubaram-se ditadores e favoreceu-se a instalação da Lei da Selva.
 Pior do que dar um tiro no pé, foi abrir mais uma caixa de Pandora de consequências imprevisíveis
A invasão da Líbia ( a pretexto do cumprimento de uma resolução da ONU) foi um dos maiores erros políticos e estratégicos da UE. No tempo de Kadhaffi a Líbia era um tampão que diariamente  impedia a entrada na Europa de milhares de emigrantes.
Derrubado Kadhaffi, instalada a Lei da Salva em toda a região, consumadas as perseguições étnicas e religiosas, milhares de homens, mulheres e crianças fogem do terror que o Ocidente instalou no norte de África e demandam a Europa - já não apenas em busca de melhores condições de vida, mas tentando salvar as suas vidas.
O Mediterrâneo transformou-se num gigantesco cemitério. A invasão de imigrantes e refugiados provenientes dos países do Norte de África está a criar graves problemas à Europa e a pôr a nu a hipocrisia e desumanidade dos líderes europeus que nos governam.
Durante muitos anos a Europa não só tolerou as ditaduras de Ben Ali, Mubarak e Kadhaffi ( para não falar de muitas outras…) como as apoiou. E ganhou muito dinheiro com elas. Só em 2010, vendeu aos ditadores africanos quase 400 milhões de euros em armamento, que hoje está em grande parte nas mãos do ISIS, por causa da tragicomédia da Primavera Árabe.
Hoje, os líderes europeus dizem-se muito chocados com a chacina que está a ocorrer no mediterrâneo mas, como já aconteceu anteriormente, as medidas para impedir este massacre reduzir-se-ão a atirar dinheiro para cima do problema e, quiçá, a mais um pacote de medidas securitárias visando coarctar mais um pouco a liberdade dos cidadãos europeus.
Entretanto, o problema vai agravar-se nos próximos tempos, perante a inércia da UE. Aberta a caixa de Pandora, os lideres europeus não sabem como reagir, porque não sabem o que se está a passar.

Os caras pálidas

Na semana passada escrevi este  post sobre as manifs no  Brasil.
Embora tenha recebido apenas dois comentários de leitores, recebi igual número de mails e um telefonema de familiares brasileiros desmentindo o que eu escrevera. O mais veemente e inflamado, foi o telefonema. Apesar de esse familiar viver em Portugal, garantia-me que amigos em S. Paulo tinham estado presentes e afiançavam que  os manifestantes tinham ultrapassado largamente o milhão. Ou seja, 10 vezes mais do que a Folha de S. Paulo noticiara.
Alexandra Lucas Coelho também estava em S. Paulo e foi ver. E como a considero absolutamente insuspeita, aqui fica o que ela escreveu no "Público" e reforça a minha convicção sobre as manifs anti Dilma

A prova do ketchup

domingo, 19 de abril de 2015

Casal de funcionários públicos aproveita Lei da Natalidade

Ele: Vou aproveitar a proposta do governo  para apoiar a natalidade. Passo a trabalhar apenas  de manhã e fico com as tardes livres.
Ela: Acho uma óptima ideia. Mas eu vou trabalhar só de tarde. Assim não corremos o risco de nos encontrarmos.
Joãozinho: Então isso quer dizer que a tia Lídia vem lanchar cá a casa e o Tio Jacinto vem tomar o pequeno almoço, ou continuam todos a comer fora?

Bibó Porto (46)


 No Largo Actor Dias, entre as ruas do Sol e de S. Luís, está situada a Capela dos Alfaiates ( também conhecida como Capela Senhora de Agosto).
Construída no século XVI, no largo fronteiro à Sé.viria a ser considerada monumento nacional em 1927.
Em 1936 foi desmantelada para proceder à reedificaçãop do largo da Sé. Reconstruída peça a peça, foi instalada em 1953  no local onde ainda hoje se encontra.


Especial destaque merece o retábulo de talha dourada composto por oito peças/tábuas que retratam episódios da vida da Virgem e do Menino.


sábado, 18 de abril de 2015

Não culpem os jovens, por favor!

Já aqui escrevi sobre o espectáculo degradante que é ver nas noites de fim de semana jovens, muitas vezes ainda imberbes, completamente embriagados. 
Devo dizer, porém, que não é contra eles que me indigno, mas sim contra os desgraçados pais que têm.
Como me indigno contra um governo que, em vez de apostar na educação e na informação, opta pela via mais fácil do proibicionismo.

O exterminador implacável e os enjeitados

Esta semana  Passos Coelho resolveu armar-se em exterminador implacável e, de uma assentada, enjeitou os seus  principais aliados.
A Portas, disse que  preferia governar  sem ele.
A Cavaco, disse que tirasse da cabeça a ideia maluca do Bloco Central.
O enjeitado Portas reagiu da forma habitual. Baixou as calças e perguntou: que queres que eu faça? Que aprove a TSU? Que me borrife para os cortes nas pensões? Que deixe de ir com a minha mãe ao cinema? Pronto,está bem, eu esqueço as linhas vermelhas e digo à rapaziada para não levantar ondas.
A reacção do enjeitado  Cavaco  só será conhecida no 25 de Abril. O mais provável é que se faça desentendido e, à falta de outro discurso, volte a falar da necessidade de consensos.

O que faz falta...

A sondagem ontem divulgada  pelo Expresso veio demonstrar aquilo que aqui escrevi quando começou a luta interna no PS. 
Embora Seguro fosse um líder  incapaz de motivar os eleitores, o problema do PS não é só de nomes.

A isto se chama um argumento do c@r£#%

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Mais vale um jovem bêbado, do que um contribuinte reformado

Ontem, a conferência de imprensa que habitualmente se realiza no final da reunião de conselho de ministros, foi sucessivamente adiada.
Ficou claro que havia desentendimentos no seio da coligação. No entanto, ao contrário do que suspeitei, as divergências não estiveram na redução da taxa da TSU, nas pensões, ou na reposição dos salários da função pública. Nessa matéria os ministros do apêndice da coligação cederam às exigências de Passos e Marilú sem grande resistência. O tema que levou o CDS a prolongar a reunião até meio da tarde foi bem mais prosaico: os centristas não aceitam legislação que proíba o consumo de álcool a menores de 18 anos. 
É curioso constatar que o partido de Portas- outrora partido dos contribuintes- tenha agora escolhido o álcool como bandeira... 
Adivinhem quem foi o ministro mais aguerrido no combate a esta medida. Pires de Lima, o homem das cervejas, obviamente. Quando se trata de colocar em causa os lucros da "sua" empresa, o soldado disciplinado é o primeiro a sair da formatura.

Primeiro, abotoa o casaco. Depois, baixa a cueca

Hoje, lá tive de gramar mais um debate na AR. Não é que eu não goste de debates parlamentares, mas estar sempre a ouvir o pm com a mesma  lenga lenga  já chateia. Ao fim de quatro anos, já lhe adivinho as respostas às perguntas da oposição, já conheço as estratégias combinadas nos bastidores entre o governo e os partidos da coligação, já sei quando é que as bancadas do governo vão bater palmas, ou apupar a oposição.
No entanto, há uma coisa que me continua a impacientar e que, em cada debate, tenho a esperança  de ver  mudar. 
Os deputados de todos os partidos começam as suas intervenções  com um  respeitoso " senhor primeiro ministro", excepto este energúmeno.
Esse levanta-se, abotoa o casaco e, invariavelmente, começa a sua intervenção  à moda do Estado Novo, com um "Vossa Excelência".
O respeitinho é muito bonito e é preciso passar a mão pelo pêlo ao Coelho. Ele já várias vezes disse que não precisava dos defensores dos contribuintes  para governar e, teimoso como é, um dia destes  ainda se marimba para a coligação.

Se bem me lembro...

Em 2009, ou 2010, fiz um trabalho de investigação sobre as Fundações para uma revista, que iniciei com uma frase de Rui Vilar - presidente do Centro Português das Fundações: 
" Há Fundações a mais e transparência a menos".
Era uma verdade incontornável.  Durante os três últimos anos do governo Sócrates foi criada uma Fundação em cada 12 dias - a maioria delas privadas- cujos objectivos eram, em muitos casos, pouco transparentes.
O grupo de incompetentes que assaltou o pote com o beneplácito dos tugas e a benção do homem de Boliqueime pensou, na sua saga reformadora e purificadora, que era uma ideia boa e popular  fazer um estudo sobre as Fundações e atribuir-lhes um ranking, para se definir as que mereciam continuar a receber subsídios e as que deviam ser extintas.  A tarefa foi atribuída ao gabinete de Relvas e a ideia, claro, era poupar dinheiro ao Estado e eliminar boa parte delas. 
Muitos estarão lembrados  da bagunçada que foi  esse trabalho feito por analfabetos contratados a recibo verde.  Fundações como a de Paula Rego, ou a Fundação Gulbenkian, foram extintas ou ficaram classificadas muito abaixo de uma fundação esconsa de Alberto João Jardim. 
Não sei se o estudo foi para o lixo com a saída do Relvas, mas nunca mais se ouviu falar dele. Como por milagre, as fundações também saíram de cena. A mensagem entretanto passada para a comunicação social, era de que o governo estava a poupar milhões com as fundações, se tinha acabado com o regabofe da atribuição de subsídios a  fundações. E o tuga, claro, acreditou.
Ora aqui está mais um belo exemplo da eficácia deste governo na higienização da sociedade portuguesa. Ou se preferirem, da transparência dos seus actos.

A política é como tentar ir ao cu a um gato

" A diferença entre uma Democracia e uma Ditadura é que numa Democracia votamos primeiro e recebemos ordens depois; numa Ditadura não precisamos de perder tempo a votar".
( Charles Bukowski in " A política é como tentar ir ao cu a um gato", conto inserido na colectânea "A Mulher mais bonita da cidade", ED Alfaguara, Setembro de 2014)

Lembrei-me disto depois de ouvir Paulo Rangel, na TVI, a defender que se  as medidas tomadas hoje pelo conselho de ministros forem aprovadas em Bruxelas, o próximo governo tem de as cumprir.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

Ser tuga é...

Insultar e ameaçar  uma advogada que  não se recusa a defender um  homem  que matou um filho bebé. 
O tuga não consegue compreender que mesmo o criminoso mais hediondo tem direito a uma defesa. Como qualquer doente, por mais crimes abomináveis que tenha cometido, tem direito a um médico que trate.

Passos em momento dor de corno

Se António Costa já disse que nunca se coligaria com o PSD, qual é a necessidade de  Passos Coelho vir dizer que nunca formará governo com o PS?
Faz lembrar aquele  tipo que depois de ter sido rejeitado pela namorada,  foi ao café e disse aos amigos: acabei tudo com ela!

É uma questão de buracos

Passos diz que o país precisa da TSU como de pão para a boca. Portas, que sempre foi contra a TSU, agora concorda com Passos Coelho. Não porque  o país precise da TSU como de pão para a boca, mas sim porque a coligação com o PSD é indispensável para tentar assegurar um lugar para o rabinho no conselho de ministros.

Governo em modo delirium tremens


O governo entrou em fase delirium tremens. Situação recorrente neste executivo, mas que tem picos na Primavera. Só esta semana, destaque para  três momentos zen ( embora fossem muitos mais)

Apoio  ao truca truca
Depois de aumentar o horário de trabalho na função pública para 40 horas semanais,  apenas porque sim,  lembrou-se que era preciso fomentar o apoio à natalidade e propõe a possibilidade de pais e avós trabalharem a meio tempo recebendo 60% do salário.
(Não seria melhor reduzir o horário novamente para as 35 horas e pagar apenas 50% aos trabalhadores em part-time?)

Se vai  legislar, não beba
Movido pela fúria legífera , aprovou uma lei que proíbe o consumo de álcool a menores de 18 anos, mas reduziu a capacidade operacional da ASAE. Sem meios  para  fiscalizar  o cumprimento  da Lei, como é que o governo pensa  fazer cumpri-la?

Teimosia ou psicopatia?
Passos Coelho insiste na redução da TSU para as empresas, agora com a nuance de não   prejudicar os trabalhadores.  Como? Segundo explicou Marco António Costa, numa primeira fase a perda de receitas  da segurança social será compensada através da injecção de verbas  provenientes do Orçamento de Estado.  Ou seja, serão os contribuintes a pagar  este favor do governo aos patrões.  Como já acontece, por via da descida do IRC. Os trabalhadores não serão contribuintes ?