quinta-feira, 12 de março de 2015

Os brindes de António Costa

Assisti ao debate de ontem na AR. Muitos esperavam um debate aceso, com perguntas incisivas  da oposição sobre a questão que tem envolvido o incumprimento fiscal e contributivo de Passos Coelho. A ida de António Costa à AR para preparar o debate  aumentou as expectativas de que o PS iria aproveitar para levar Passos Coelho ao tapete.
No final, uma profunda decepção. 
Enquanto nas galerias alguns jovens  invectivavam o pm com gritos de  " Metes nojo",  apenas Catarina Martins e Heloísa Apolónio se esforçavam por manter  vivo o debate. Jerónimo de Sousa esteve sem chama   e Ferro Rodrigues fez uma intervenção quase patética.
Não se pode dizer que  Passos Coelho  tenha conseguido matar o assunto, porque a opinião pública não vai esquecer , mas a oposição - que se limitou a cumprir os serviços mínimos-  ficou muito mal na fotografia.
À noite, em entrevista à RTP,  António Costa acabou por explicar a "desistência" do PS.
Compreendo as razões invocadas e até estaria tentado a aplaudir, porque demonstram que pode haver uma postura ética em política, que rejeite o "vale tudo".  O problema é que Costa incorreu em três erros de avaliação:
- Para ter um comportamento elevado numa disputa eleitoral, é preciso que o adversário jogue com as mesmas regras. Ora nem Passo Coelho, nem Paulo Portas - e muito menos os seus compinchas- pautam o seu comportamento político por  princípios éticos e morais. Quando assim é, está-se mesmo a ver quem sai a perder.
- A mensagem de Costa pode induzir os portugueses a pensar que se o PS não reage é porque tem telhados de vidro. Ideia que aliás alguma comunicação social já está a fazer passar, com algum sucesso.
- O pacto de não agressão proposto pelo líder do PS também não tem em consideração que, para passar a mensagem é preciso jogar com as mesmas armas nos meios de comunicação social. Como é sabido, nas televisões generalistas só há comentadores afectos ao PSD, não podendo assim o PS fazer passar o seu discurso, a não ser pontualmente.
Os simpatizantes e militantes do PS que elegeram António Costa esperavam certamente mais acutilância mas, diga-se em abono da verdade, essa não é a maneira de estar do actual líder socialista. Ele quer - e acredita que pode- vencer os partidos do governo através das ideias apresentadas no seu programa de governo e com uma estratégia "pacifista" onde o ataque pessoal não entra. É louvável e é bonito. Duvido é que seja eficaz. 

17 comentários:

  1. Louvável, bonito e NADA eficaz a estratégia pacifista do António Costa.

    Como grande parte dos portugueses penso que o A.C. não reage porque tem telhados de vidro.

    O Jerónimo de Sousa está velho, mas há gente de grande valor no PCP.

    O Ferro Rodrigues foi desde sempre uma figura patética.

    E os jovens aos gritos vão votar em branco.

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    1. Conheço António Costa e não acredito que tenha telhados de vidro.
      Há gente de grande valor no PCP, sem dúvida. E muitos jovens, o que merece o meu aplauso
      Está muito enganada em relação a Ferro Rodrigues. Teria sido um excelente PM
      Creio que muitos jovens nem em branco vão votar

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    2. Perfeitamente de acordo, Carlos.

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    3. Perfeitamente de acordo, Carlos.

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  2. Identifico-me,na totalidade,com a análise de Calos Barbosa de Oliveira.
    Sobre Ferro Rodrigues(meu Camarada no extinto MES)direi o seguinte:não o reconheço e recomendo ao PS que reforme rapidamente a sua liderança parlamentar!

    Abraço.

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  3. Boa análise com a qual concordo inteiramente.
    No entanto gostava de pegar numa parte do seu artigo:
    «Não se pode dizer que Passos Coelho tenha conseguido matar o assunto, porque a opinião pública não vai esquecer».

    Sobre isto António Costa disse e bem, que entregou o assunto aos portugueses. Concordo inteiramente! Além de mostrar dignidade e elevação moral, passou a ideia para fora que os portugueses de algum modo terão que fazer uma análise do caso e tirar as devidas ilações, ou seja, punir Passos Coelho. Foi bonito e inteligente.
    O contra desta estratégia, para além do que o Carlos disse, é que daqui até às eleições já ninguém se vai lembrar do assunto. Quem é que há duas semanas falava no caso Technophorma? Ninguém.

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    1. Não sei se as pessoas vão esquecer. Até porque, tenho a certeza, todos os podres de PPC vão ser lembrados durante a campanha eleitoral. E certamente, ainda mais alguns...

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  4. Mas não era por ser demasiado ético e civilizado que Costa resolveu queimar o Seguro? Está-me a escapar qualquer coisa?

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    1. Não me parece que tenha sido só isso, caro Luís. Conheço Costa, mas não conheço Seguro.

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  5. Carlosamigo
    Aqui em Goa através da RTPI vejo muitas coisas. Por exemplo vi a entrevista do António Costa à "Jornalista-mor" do canal público. Costa foi bem,mal e assim-assim...Nas primárias votei obviamente nele,pois via nele um primeiro-ministro de categoria,ao invés deste aldrabão y sus muchachos.

    Compreendo que não seja oportuno revelar o que pode usar na campanha eleitoral; os bandidos do (des)Governo aproveitariam para agradecer, pois passavam a jogar com cartas em aberto e eles para além de batoteiros são verdadeiros plagiários; por aqui,tudo bem.

    O pior aspecto das declarações de António Costa foi afirmar que joga a política com honestidade, com ética e sem atirar pedradas; se bem o conheço (e ele é assim mesmo) pode dizer sem receio de desmentidos bacocos que ele não tem telhados de vidro. Mas,quantos mais saberão?

    O assim-assim foi conseguir tornear algumas perguntas insidiosas da Fátima Campos Ferreira (que também conheço bastante bem...); já quanto a outras não disse nada de novo - parece-me ter jogado à defesa. O que não é bom.

    Costa devia ter aproveitado as ocasiões na AR e na RTP para mostrar ao povo que vai jogar a ponta de lança. E,infelizmente, não mostrou. Espero pelo mítco 8 de Junho pra prever - se calhar mal - o resultado eleitoral. Mas...

    Abç

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    1. HenriquAmigo
      Concordo em absoluto com o teu comentário. Aqui mesmo já escrevi que compreendia a estratégia de Costa ( que conheço pessoalmente) e a achava a mais acertada para não dar trunfos ao PSD/CDS. Mantenho a mesma opinião mas, como tu dizes, isso não o impede de mostrar que joga a ponta de lança da oposição e ser mais incisivo do que tem sido.
      Abraço

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  6. Não interessa lavar roupa suja . Levar este homem ao tapete se ele sempre foi um ser rastejante? Interessa é esclarecer o País da nossa situação e ver se mais alguém abre os olhos. Analisem a nossa triste situação. É fácil as meninas da esquerda, esclarecidas, botarem boa figura, só que não resolve os problemas. Por outro lado o PCP, continua a ser sempre o mesmo, ainda há dias na grande entrevista, Jerónimo de Sousa mostrou que o PS será sempre o seu alvo a abater. http://aviagemdosargonautas.net/2015/03/06/a-situacao-de-portugal-e-diferente-de-ha-4-anos-mas-para-pior-por-eugenio-rosa/

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    1. Mas afinal o que é que distingue o PS do PSD?

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    2. A resposta que dei ao Henrique, aplica-se também ao seu comentário, goldenbee.
      Apenas acrescento em relação ao PCP, que nunca escondeu que o seu adversário é o PS. Já aqui critiquei muitas vezes essa postura, mas é malhar em ferro frio. Tenho pena que assim seja até porque há jovens com muito valor no PCP.
      Já tinha lido o artigo do Eugénio Rosa que, por acaso vai de encontro ao post que aqui escrevi sobre essa matéria: o chibo.

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    3. Carlos Ramos
      Se ainda não descobriu as diferenças, é fraco observador!

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  7. As sondagens indicam que essa descolagem não existe, Carlos.
    Pelo contrário, ouço cada vez mais gente a dizer o que diz o Carlos Ramos.
    Cabe ao PS, e a António Costa em particular, mostrar onde é que estão essas diferenças.
    Não têm que ser os eleitores e descobri-las.

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