segunda-feira, 16 de março de 2015

Canta Brasil

A contestação a Dilma tem pouco a ver com o caso Petrobrás e muito com a mal digerida derrota da direita que, com o apoio da comunicação social engajada,  está a aproveitar o caso para tentar recuperar os privilégios e reconstruir o Brasil feudal e esclavagista que durante décadas dominou com mão de ferro e num constante atropelo aos direitos humanos.
Mas o que se está a passar no Brasil- que em caso de eleições muito provavelmente votará à direita- é a demonstração daquilo que há muito sabemos. As pessoas quando vivem com dificuldades e não têm trabalho, votam à esquerda mas como todos sabemos e a História ensina, muitos dos que saem da miséria e arranjam emprego, pela mão de esquerda, acabam por se tornar convictamente de direita. 
Lula foi eleito com o apoio esmagador dos "pés descalço", dos brasileiros sem tecto, sem renda e sem esperança. Lançou uma série de programas de apoio às famílias e restituiu a esperança a muitos milhões de brasileiros. 
Dilma não conseguiu ser tão popular e eficaz no combate à pobreza quanto Lula, nem tem o apoio generalizado da comunicação social. Os ex-famintos e desempregados não lhe perdoam e entregam-se nas mãos da direita que os há-de reconduzir ao lugar de onde Lula os tirou.

5 comentários:

  1. O povo se veste de coragem, pinta-se de verde e amarelo e vai a rua pedir mudanças!... Muito, muito bom!!!
    AbraçO

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  2. Carlosamigo

    Cuidado com isso! Os mais importantes,os oligarcas, os milionários foram os inspiradores das passeatas. Onde houve muita descriminação racial...

    Abç

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  3. Quando ouço uma mulher a manifestar-se exigindo que os militares tomem o Poder , demonstrando assim que não respeita a Democracia, fico estarrecida !

    Será que já esqueceram o horror que foi a ditadura militar?!

    Fica bem, amigo.

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  4. Os brasileiros, que viveram com Lula um período de euforia e de grande crescimento económico, estão desiludidos com as constantes notícias de corrupção, de compadrio.
    E revoltam-se vindo para a rua exigir mudanças.
    Querem uma ditadura militar e musculada?
    Não, claro que não.
    Os poucos que dizem isso são idiotas.
    Há-os em todas as sociedades e costumam mostrar-se nestes momentos mais conturbados.

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  5. «A contestação a Dilma tem pouco a ver com o caso Petrobrás e muito com a mal digerida derrota da direita».

    Penso que é exactamente ao contrário.
    Até porque em rigor, praticamente não existe direita no Brasil. O PT é um partido de extrema-esquerda, o PSDB (partido da social democracia brasileira) é um partido de esquerda e o PMDB (partido do movimento democrático brasileiro), é um partido de centro esquerda.
    Ao constatar isto, numa conversa com o meu irmão mais velho perguntei-lhe: «Se houvesse um Paulo Portas no Brasil, em que partido cabia ele? Já que o espectro político brasileiro vai do centro-esquerda à extrema-esquerda, não haveria partido para ele».
    E ele respondeu-me: «Mas tinha todo o sentido haver um partido de centro-direita ou de direita no Brasil, já que 35 milhões de brasileiros, tem um nível de vida igual ao do Norte da Europa».
    Não sei se as coisas são mesmo assim, o que sei é que essa fatia de brasileiros não tem nenhum partido de direita em que votar, por isso duvido mesmo muito que tenha orquestrado um protesto que levou à rua milhões de brasileiros em 17 cidades do Brasil e 3 fora do Brasil (Boston, Londres e Amesterdão).

    As razões destes protestos prendem-se com a quebra de promessas eleitorais feitas por Dilma Rousseff de que os brasileiros não teriam aumento da carga fiscal, o que foi desmentido no dia 8 de Março, quando a Presidente apelou à participação do eleitorado no «apertar do cinto», o que implica um reajuste orçamental que afectará áreas como a segurança social e a saúde.
    Por outro lado a inflação já está nos 6,5%, ou que é um valor alto. As taxas de juro estão a 12%, que é um valor estratosférico. E as perspectivas de crescimentos económico são praticamente nulas. Se a tudo isto juntarmos o escândalo de corrupção do «petrolão», chegamos à conclusão que a direita brasileira tem pouco ou nada a ver com estes protestos.

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