sábado, 7 de fevereiro de 2015

Um código que devia estar sempre em vigor

Na entrevista de  João Lisboeta Araújo ao I, há vários pontos que merecem especial destaque, mas  retive este pequeno excerto, certeiro, que devia  estar sempre visível nas redações dos jornais, porque há códigos que nunca deviam cair em  desuso.  E já agora também nas escolas, para que as crianças percebam que muito daquilo que ouvem em casa não é exemplo a seguir.

Jornal I- É muito crítico da comunicação social. Não acha normal que a detenção e prisão de um ex-primeiro-ministro desperte uma grande atenção mediática?


JA- Aquilo de que me queixo não é das notícias. É do facto de serem tendenciosas e mal informadas. Normalmente com desprezo pela verdade, porque não são factuais, são opinativas. O caso justifica ser amplamente divulgado, o problema é que as notícias visam a destruição, a degradação de uma pessoa e isso aborrece-me. Muito do que foi dito é crime mas eu agora não tenho tempo de me ocupar disso. A seu tempo... Talvez seja pela minha idade, mas fui educado por um outro código, que já não vigora.

I-Que código?

JA- O de que não se bate numa pessoa que está caída, não se goza com um preso, não se brinca com um doente, não se ri de um soldado coxo na formatura. Foi o que aprendi. Mas o que assisto é a um bacanal contra uma pessoa que está presa e não se pode defender. Está sujeito a toda a maledicência, à fantasia, a falsidades e algumas coisas verdadeiras, mas não tem possibilidade de se defender.

5 comentários:

  1. Muito bem; "Não se bate numa pessoa que está caída".

    Não será o caso mas o que se constata estar acontecendo são que muitos pulhas, caras sem vergonha e pingo de honradez que agora balbuciam tal argumento foram, vidé pacheco pereira, os mesmos que todas as falsidades insinuaram, que todas as maldades do mundo atribuiram, que de todas as desonestidades e perversidades o culparam, que até de atentados ao Estado de Direito o imputaram e agora, os miseráveis, têm o desplante de oportunistas infâmes vir dizer condoídos que não gostam de bater em caídos.
    Outra filha-da putice de tais fingidos miseráveis que pululam por aí sem pingo de vergonha mas empanturrados de oportunismo é, precisamente, depois de o levarem pela mão aos empurrões para a prisão virem agora, mui pesarosos, dizer; "por favor não transformem o Homem num mártir".
    Estes ainda são mais pulhas porque, temendo que a opinião pública desperte e dê razão ao Homem, ficam horrorizados e tremendo de medo tanto quanto a sua cobardia sem medida.

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  2. É verdade, o povoléu arranjou um gostinho especial por bater no ceguinho, que é bastante irritante. Porque a culpa não se pode acartar só aos media, que informam tão opinativamente. Como os "paralíticos" de José Rodrigues dos Santos, que podendo não estar a faltar à verdade,foi extremamente infeliz na sua formulação. Verdade é que há quem compre e reproduza ipsis verbis, como se só houvesse uma verdade - a "oficial", já agora!

    Beijocas

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  3. Também fui educada nesse código, mas parece-me que já está fora da validade...
    (Concordo em absoluto com o que os anteriores comentadores escreveram.)

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  4. Adorei o post! Você escreve muito bem. Em determinados absurdos o que nos resta é respirar fundo e denunciar, juntar as forças e seguir em frente. AbraçO

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  5. Código que está - não na letra mas nas intenções - posto de lado.
    É o vale tudo.

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