sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Ingenuidade, ou cobardia?

A nomeação de 14 chefias para a Segurança Social, saídas dos quadros partidários de PSD e CDS tem feito correr muita tinta. Não só pôs a nu a hipocrisia da transparência propalada por PPC, como veio confirmar que Pedro Mota Soares é um dos maiores canalhas deste governo, que se anda a fazer passar por sonso.
Não me vou deter nas justificações dadas por Pedro Mota Soares. Já aqui tinha escrito que há concursos onde só falta dizer  que os concorrentes devem ter os olhos de determinada cor. Estão viciados à partida, porque nem sequer respeitam as regras que o próprio Estado criou para tornar os critérios de selecção mais transparentes.  Regras que são aplicadas na nomeação dos directores gerais e que estes depois repercutem nos serviços que dirigem:  Nomeiam em regime de substituição “o seu” candidato e, na altura de abrir concurso, este parte logo com a vantagem de ter experiência no cargo.  Esta é uma perversão arreigada há muitos anos na função pública, a que o PS também recorreu em tempos. A diferença é que este governo sempre jurou que iria acabar com este regabofe e conferir dignidade aos concursos públicos. Não só não o fez, como tem incentivado a prática.
Não sei qual o peso dos curricula dos candidatos nos concursos, mas sei que em muitos casos são uma fraude e ainda há dias li no Diário da República  a nomeação de um funcionário, cujo nome era precedido do habitual Dr. Ao ler o curriculum constatei, porém, que o fulano tinha como habilitações literárias o 11º ano!
Em Dezembro de 2013, o Tribunal de Contas já tinha denunciado o falhanço do PREMAC e acusado o governo de falta de transparência. Só que ficou tudo na mesma, com a única diferença de agora ser avalizada por João Bilhim, presidente da CRESAP ( Comissão de Selecção e Recrutamento da Administração Pública).
Mais do que as justificações  para as nomeações dos directores gerais da SS, apresentadas  por um ministro com  notória falta de seriedade e estofo moral, como Pedro Mota Soares, impressionaram-me as declarações de João Bilhim, que tinha como homem sério.
Embora reconheça  que o governo usou e abusou da figura do regime de substituição, para nomear quem lhe apeteceu, Bilhim vem tentar atirar poeira para os olhos dos portugueses, dizendo que os boys de hoje não são como os de antigamente.  Só se for por pertencerem a outros partidos, porque o método é o mesmo. A única diferença é que este governo usa como respaldo uma comissão que se limita a pôr o carimbo e dar mais credibilidade à trafulhice.
As declarações de João Bilhim são simplesmente lamentáveis. Não sei é se são fruto de ingenuidade, ou de cobardia. É que se ele levantar muitas ondas, o governo arranja de imediato um lambe botas para o substituir.

2 comentários:

  1. Uns sem-vergonha em quem este «pobinho» cego e surdo e obtuso vai pondo a devida cruzinha quando vota...

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  2. "É que se ele levantar muitas ondas, o governo arranja de imediato um lambe botas para o substituir." E com isto o Carlos disse tudo o que havia para dizer acerca deste Bilhim, que, acima de tudo, não quer pôr em risco o seu "pilim".

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