terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Ainda bem que privatizaram os CTT!


Quando cheguei a casa,  tinha na caixa de correio um aviso dos CTT para levantar uma encomenda.  Pelo remetente, percebi logo que se tratava da minha carta de condução, cuja chegada aguardava desde Julho.  
Digamos que oito meses para renovar uma carta de condução é pouco apropriado a um país cujo governo garante estar a modernizar-se e a servir  os seus cidadãos de forma mais eficiente, mas adiante…
No dia seguinte preparei-me para ir buscar a carta de condução. Iria ter oportunidade de conhecer as novas instalações dos CTT, que agora ficam a escassos metros de minha casa, mas onde nunca tinha entrado.
Felizmente reparei a tempo que o postal mencionava o facto de o posto encerrar das 12 às 14 e as entregas só serem feitas até às 17 horas. Fiz as contas. Horário de funcionamento de 6 horas diárias ( 9 às 17 horas, com duas horas de pausa para almoço) e pensei com os meus botões “estes novos donos dos CTT são uns porreiraços. Aqui está um horário que me convinha”.
Apontei para chegar lá em cima das duas da tarde, para evitar filas, mas acabei por chegar dez minutos antes. Não havia  ninguém na fila de espera, como era normal no anterior posto. Estranhei. Talvez fosse o meu dia de sorte.  Dispus-me a esperar mas como o meu estômago, que nos últimos tempos  tem andado muito rezingão, começou   a reclamar pela ração almoçarenga, decidi ir a um restaurante onde amesendo para jantar com frequência e fica a escassos metros.
Espantado por me ver à hora do almoço, o empregado perguntou o que me levava até lá.
Expliquei-lhe que ia aos CTT em demanda da minha carta de condução mas, como ainda estava encerrado, optara por almoçar primeiro.
Vamos lá ver se hoje abre”- avisou-me o empregado
Como?  Não está aberto todos os dias? No postal que me enviaram diz que funcionam todos os dias úteis! Onde é que se viu um posto de correios abrir só alguns dias por semana?”
É o que lhe digo. Este posto só tem uma funcionária  e quando ela está doente, ou tem algum problema para resolver, fecha. Aquilo ali também tem pouco movimento. Só lá entregam cartas. Para volumes tem de ir a outro posto (noutra freguesia)!”.
Incrédulo com o que acabara de ouvir, almocei tranquilamente.  Terminado o repasto, dirigi-me ao posto dos CTT. Felizmente estava aberto e a funcionária era bastante simpática. Lá me deu o envelope com a carta de condução.
Pelos vistos tive mesmo sorte. Uns dias  depois, passei por lá e pude constatar que estava encerrado. Aviso com os motivos  do encerramento, nem vê-lo. 
Porreiro, pá! Agora, ir aos correios é uma espécie de lotaria. Pode estar aberto, mas também pode não estar. Isto dá uma certa animação à coisa e tenho de agradecer ao coelho por ter privatizado os CTT. É que quando era uma empresa pública tínhamos a certeza que os postos estavam abertos todos os dias e era uma pasmaceira. 

2 comentários:

  1. Pois é Carlos. No outro dia também tive de ir aos Correios dos novos donos, como um aviso e preocupada com medo que fosse mais uma multa, porque agora já não tocam à campainha, para não perderem tempo à espera. Quando cheguei lá, estavam fechados para obras, com um aviso a dizer que funcionavam temporariamente em determinado lugar. Dirigi-me lá e fiquei boquiaberta, porque era um contentor de lata, com os funcionários lá dentro e os clientes todos à chuva e ao frio, porque este inverno tem sido rigoroso. Esta semana tive de lá voltar com novo aviso para levantar uma encomenda (um delicioso perfume que cá custa o dobro). Enquanto durar estes governo já não compro nem o que é português (a não ser as famosas laranjas algarvias, que fora do calibre são muito mais baratas mas suculentas e saborosas), nem faço reciclagem, embora ainda tenha até a caixa de compostagem. Dizia eu, fui aos reinaugurados correios e fiquei pasmada, porque puseram só uns guichêzitos, tiraram os bancos que havia para as pessoas se sentarem, puseram apenas uma prancha par se poder escrever ou fazer qualquer coisa, desapareceram todas as cabines telefónicas, que ainda tinham muito uso e todo o enorme espaço está preenchido com expositores de envelopes, livros talvez, nem tive coragem para olhar para mais nada, nem tempo, porque também mataram as velhotas todas, que iam pagar o telefone e outras contas, porque não estava lá ninguém. E assim vai este país. Vai, ou fica para trás...

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  2. Posso dizer que fui criado entre cartas e encomendas, Carlos.
    A minha mãe toda a vida profissional foi chefe de uma estação dos CTT, mais uma das que foram extintas (o expediente é agora tratado num mini-mercado!!) e o trabalho era intenso e era realizado com profissionalismo.
    Não imagina o que me dói ver achincalhar a imagem dos CTT actualmente.

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