quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A senhora Procuradora também acha que pimenta no cú dos outros é refresco?




Só na segunda-feira à noite tive conhecimento do artigo que a advogada de Carlos Santos Silva escreveu no Boletim da Ordem dos Advogados. Um artigo demolidor que expõe os podres da justiça, as ilegalidades, a prepotência de juízes e procuradores que agem fora da lei mas, acima de tudo, me assusta e  amedronta.   
Tratando-se de um assunto de grande importância, susceptível de gerar acesa polémica, estranho que Marcelo Rebelo de Sousa não o tenha abordado e  fico estupefacto com o silêncio quer na comunicação social, quer nas redes sociais, sobre um tema que devia indignar e arrepiar os cabelos a qualquer cidadão minimamente consciente.
Outro caso cujo silêncio é ensurdecedor é o de Mário Machado. O líder da extrema direita tuga admitiu ao Pasquim da Manhã e respectivo canal televisivo que, na companhia de dois amigos, assaltou a casa de um tio de Sócrates, a pedido de um membro do governo actual. O objectivo seria sacar uns documentos para entregar à Procuradoria.
Este caso parece-me tão inverosímil, que  me recuso a dar-lhe crédito.  Prefiro considerá-lo como uma bravata de Mário Machado. Surpreende-me, porém, que também sobre ele se tenha abatido o silêncio e que os visados não tenham reagido, nem que fosse para dizerem que era uma estupidez sem pés nem cabeça.
Eis senão quando (tam,tarantan) me lembro que na véspera destes casos serem tornados públicos a senhora Procuradora Geral da República solicitou aos magistrados e demais agentes da justiça, para não reagirem a notícias que venham nos jornais sobre casos em segredo de justiça.
Das duas uma. Ou Joana Marques Vidal anda a ler Margarida Rebelo Pinto, ou foi informada previamente sobre o artigo de Paula Lourenço  e a entrevista de Manuel Machado, tendo imediatamente rompido o habitual silêncio para pedir que ninguém levantasse ondas. Toda a gente acatou as suas ordens. Incluindo a comunicação social. E Marcelo Rebelo de Sousa, futuro candidato a Belém. 
É óbvio que há uma conjugação de esforços para tentar fazer esquecer o caso Sócrates.  Silenciar as notícias que possam  colocar em causa a legalidade da detenção e levantem fortes suspeitas sobre a actuação do juiz e do procurador, permitirá a ambos continuarem a cometer ilegalidades.
Percebe-se a quem interessa e a quem aproveita esse esquecimento. Não se percebe é que as pessoas fiquem indiferentes a métodos que fazem lembrar a antiga PIDE ou as prisões arbitrárias do COPCON que tanto enxofraram a escumalha dos partidos que  estão hoje no poder.
Quando a loira da passa vier dizer que teme pela separação de poderes, se o PS um dia for governo, eu mostro-lhe a entrevista de Manuel Machado e peço-lhe a opinião.

5 comentários:

  1. O que mais me assusta é este silêncio ensurdecedor. Ninguém diz nada, ninguém se incomoda, ninguém se manifesta, há qualquer coisa no ar muito estranha.
    Ontem tive de ir à minha unidade de saúde familiar, que era um exemplo, onde eu me dava ao luxo de escolher o médico que sabia ser o melhor, agora que o meu médico se reformou fiquei sem médico. Então acabei de ser atendida por uma médica russa, porque houve uma desistência (talvez por ser terça feira de carnaval, porque só estão a fazer marcações para junho), que me perguntou o que é que eu ia lá fazer, quando eu levava exames e análises para ver, que tinha pedido particularmente, mas não quis saber de nada, porque não tem o meu historial. Pedi para me medir a tensão, porque apesar dos remédios está descontrolada e as pulsações quase a 90. Acabou receitando os medicamentos que eu pedi, alguns já tinha comprado com venda suspensa, porque são bem caros e porque as pessoas me conhecem, porque e exigem receita.
    Pedi para falar com a directora do posto, que conheço, a senhora que me atendeu, que estava com uma pena de índio na cabeça, não sabia quem era. Como é possível se ela está cá há anos?- retorqui eu. Abreviando a senhora que me atendeu, está lá desde agosto, veio do fundo de desemprego, recebe 80 euros por mês e subsídio de almoço e os fim dum ano vai-se embora. Trabalhava como recepcionista numa firma privada que faliu. Já não está lá nenhuma das boas funcionárias que conhecia e até era quase amiga. Chorei de ver o meu país assim. Para a próxima, se existir, serei atendida por outro médico tarefeiro, contratado a uma firma de chulos.
    Quando cheguei a casa ouvi a notícia , de que o governo tinha despedido mais 30 mil funcionários públicos do que a tróica tinha pedido. Alias, esse foi logo o propósito inicial do gaspar. Onde estão as pessoas que se manifestavam e que bloqueavam estradas, só porque diziam que alguém tinham de ser classificados, ou por outro motivo quase fútil? O meu reino já não é deste mundo...

    Quanto às prisões arbitrárias do COPCON, havia muitos que deviam ter ido mesmo para o Campo Pequeno, não estávamos agora sem nada e nem sei se nos vai restar a CGD, que era a que o maldito queria privatizar logo de inicio. Ouvi há dois dias a entrevista da IVA Delgado, dizer que andou de pôncio para pilatos para pedir uma reforma a que o pai teria direito, mas ninguém resolveu nada. Decidiu ir falar com o Otelo, esteve 11 horas na bicha, com gente com os mais incríveis pedidos, e quando chegou a sua vez ele já exausto, perguntou-lhe o que a trazia por lá. Ela respondeu: "Espero que uma filha sua não tenha de ir pedir a alguém a reforma a que o pai tinha direito." Passados dois dias tinha-lhe sido concedida a reforma. É importante ler o livro que saíu, onde é demonstrado à exaustão, que a verdade histórica não é a que consta do julgamento. E é pena. A História está toda deturpada.

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  2. Duas situações e suas consequências, ou falta delas, que envergonham a magistratura.

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  3. Estou aparvalhada.....e considero-me informada....que vergonha.
    M.A.A.

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  4. Indiferente uma ova, aliás cada vez acho mais suspeita esta prisão... E é assustador pensar que se conseguem prender um antigo primeiro-ministro sem grandes provas/indícios, o que não conseguirão com vulgares cidadãos?

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