sábado, 31 de janeiro de 2015

Podemos, mas não queremos

Ainda é cedo para saber quais serão os efeitos da vitória do Syriza mas a primeira semana tem sido de euforia. 
Hoje, em Madrid, o povo saiu à rua para pedir mudança de políticas e o fim da austeridade, numa das maiores manifestações de sempre na capital espanhola.
Por cá, algumas (poucas) centenas de pessoas- na maioria figuras públicas e trabalhadores da TAP- concentraram-se junto ao aeroporto em protesto contra a privatização da TAP.
Nem o roubo de uma empresa emblemática, por parte de um governo vendido aos interesses dos mercados e cobardemente vergado a Bruxelas, mobiliza os portugueses. 
Deixemo-nos de tecer loas à bravura do povo português e ao estoicismo com que aguentou a humiilhação de uma austeridade cega e selectiva, que teve como único objectivo aumentar as desigualdades, reduzir os salários e capitalizar os patrões.
Não espanta, por isso, que as pessoas reajam com indiferença quando o secretário de estado dos transportes diz, com toda a naturalidade, que o futuro da CP carga será aquele que a comissão europeia quiser.

9 comentários:

  1. Escudamo-nos por detrás desses epítetos de glória, há muito tempo idos...

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  2. Estamos sempre à espera que seja o outro a fazer por nós ! Estamos a pagar caro esta apatia.

    beijinho amigo Carlos

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  3. Suponho que a comunicação social que esteve lá não divulgou, antes, a iniciativa. Compreende-se, esse é o papel da imprensa-empresa.
    Mas a luta continua. Para já com as centenas que lá estiveram e que devem, por si, divulgar os documentos produzidos sobre a luta e intervir nos fóruns...
    A luta é feita de pequenas e grandes acções, pessoais e colectivas. Perde-se sempre apenas se se desiste. Por isso esta batalha não está perdida.

    João Pedrfo

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  4. Já lá vão 50 anos!


    "Soneto

    É preciso saber porque se é triste
    É preciso dizer esta tristeza
    Que nós calamos tantas vezes mas existe
    Tão inútil em nós tão portuguesa.

    É preciso dizê-la é preciso despi-la
    É preciso matá-la perguntando
    Porquê esta tristeza como e quando
    E porquê tão submissa tão tranquila.

    Esta tristeza que nos prende em sua teia
    Esta tristeza aranha esta negra tristeza
    Que não nos mata nem nos incendeia

    Antes em nós semeia esta vileza
    E envenena o nascer de qualquer ideia.
    É preciso matar esta tristeza.


    Manuel Alegre, Praça da Canção, 1965"

    É verdade que fomos heróicos, mas nós somos filhos dos que cá ficaram. Os outros morreram por esses mares nunca dantes navegados.

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  5. Abraham Studebakerdomingo, 01 fevereiro, 2015

    Sabemos que, entre nós, vivem dois ou três homens ou mulheres com a fibra de Salgueiro Maia,que não se agacharão quando o histérico fascista ordenar FOGO! Estão por cá,aparecerão,tão certo como a fuga de toda esta canalha, borrada de medo!

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  6. O primeiro-ministro da Grécia visita Chipre, Itália e França para uma possível aliança contra a política de austeridade.

    Vai dar frutos esta estratégia? Ainda é cedo para saber!

    A vitória do Syriza é também uma bofetada para os portugueses que se agarram com unhas e dentes a um António Costa.

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