terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A simbologia de uma escolha

A esmagadora maioria dos analistas e comentadores escolheu o Papa Francisco como a figura do ano 2014. Eu próprio o teria escolhido. No entanto, quando reflectia sobre a quase unanimidade da escolha, lembrei-me que, apesar das inegáveis qualidades de Francisco, só encontro uma explicação para tanta sintonia. Já (quase) ninguém acredita nas virtudes da globalização,  no modelo austeritário, na capacidade dos políticos estabelecerem uma nova ordem mundial, nem na capacidade e força dos povos para mudarem o rumo de uma civilização ocidental em acentuada decadência.  
A receptividade ao discurso de Francisco - para além das inúmeras qualidades do Papa  e da riqueza e inteligência do seu discurso contra a corrente, alertando para os perigos do endeusamento do dinheiro e do deus mercado e clamando contra a injustiça da pobreza e as desigualdades- é fruto da convicção de que só alguém preocupado com as pessoas, com um discurso eivado de mensagens divinas, poderá mudar o rumo do mundo. E, sinceramente, não sei se isso é uma boa notícia…

6 comentários:

  1. Estaremos perante uma mudança de paradigma?

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  2. Quando o Papa se torna a figura do ano...

    Tudo de bom, amigo

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  3. Sem dúvida que cresce a descrença num mundo melhor, quando o mundo é governado em função do vil metal.

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  4. Há fases para tudo: gestação, criação, implementação, desenvolvimento, expansão, apogeu, decréscimo, decadência, ruína e morte. Depois começasse uma nova ordem das coisa, que terá também as suas fases. Os termos não estão bem correctos, mas foi o que me veio agora à cabeça, cansada. Nós estamos no fim dum ciclo. Entre mortos e vivos alguns hão-de escapar. Só espero que não seja muito doloroso.

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  5. E Francisco tem outra grande e muito rara qualidade, Carlos - é genuíno.
    No meio de bonecos de plástico até destoa.

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