segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A semana que pode levar a Europa a ver o mundo do outro lado do espelho

Muitas coisas se jogam e definem na Europa na semana que hoje começou.
Logo a abrir, esta segunda-feira, ministros dos negócios estrangeiros europeus discutem a introdução de medidas de combate ao terrorismo.  Tendo em consideração aquilo a que a Europa nos vem habituando, há razões para recear a diminuição da liberdade de expressão, um controlo mais apertado sobre as decisões que cada um de nós toma no seu dia a dia, uma maior vigilância sobre a Internet e eventuais restrições à liberdade de circulação que poderão passar por um retrocesso no acordo de Schengen, instrumento essencial para que nos possamos sentir cidadãos europeus.
Espera-se também, para hoje, uma reacção do Pegida e da extrema –direita francesa às proibições das manifestações anti- islâmicas, ordenadas por Berlim e Paris. 
Domingo é o dia mais ansiosamente aguardado por milhões de europeus que vêem na possível vitória do Syriza com uma maioria confortável para formar governo, a possibilidade de uma mudança que os liberte da escravatura austeritária a que a senhora Merkel condenou os países do sul da Europa.  Se, pelo contrário, for a Nova Democracia a vencer os europeus podem cair de novo em depressão. 
Resta ainda a esperança de o BCE anunciar, na quinta feira, a entrada em funcionamento das rotativas que irão permitir lançar mais dinheiro na economia e comprar dívida pública dos países europeus. A eficácia dessa medida dependerá em boa medida dos resultados das eleições gregas, pois uma vitória do Syriza obrigará a Alemanha a ser menos intransigente na sua política louca que conduziu a Europa à deflação.
No mesmo dia inicia-se em Davos mais um Forum Económico Mundial, marcado pelo relatório da Oxfam: em 2016, 1% da população mundial deterá mais de 50% da riqueza mundial ( em 1990, antes da globalização, essa percentagem era de 30% e em 2014 de 48%). A nova escravatura está a caminho. Dissimulada de globalização, o maior embuste que nos venderam os criadores destes Monopoly Games
O aumento das desigualdades talvez não preocupe demasiadamente os participantes nesta cimeira dos ricos, mas há outros problemas que estarão em cima da mesa e não deixarão de provocar dores de cabeça e divergências: a descida do preço do petróleo, a deflação na Europa,  a instabilidade no leste europeu, as questões ambientais ( Hélas! Os ricos começarem a preocupar-se com a sustentabilidade do planeta é uma boa notícia)  e, claro, o terrorismo. 
Dentro de uma semana pode abrir-se um novo ciclo na Europa. Que nos devolva a esperança e confiança em dias melhores. A alternativa poderá ser nova depressão colectiva o que, estou em crer, os mercados não desejam.
Por estes dias eles querem é paz e gente vergada às suas leis. A não ser que o medo do terrorismo os faça, uma vez na vida, ver o mundo do outro lado do espelho.

5 comentários:

  1. Carlos, infelizmente não vai ter razão. Pôr as rotativas a trabalhar só vai implicar que os mais pobres fiquem definitivamente mais endividados. Cadê as reservas que o sustentam?
    Interessante é esta notícia: http://www.publico.pt/economia/noticia/metade-da-riqueza-mundial-vai-pertencer-aos-1-mais-ricos-em-2016-1682655

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    1. Tinha posto essa notícia sobre a desigualdade logo pela manhã no FB. Quanto às rotativas, espero que não tenha razão. É certo que, como medida isolada, não funciona, mas creio que mais medidas de apoio ao investimento a acompanharão. Não fazer nada é que não resolve problema nenhum...

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  2. E mais estas sugestões: http://exame.abril.com.br/economia/noticias/4-graficos-que-mostram-a-explosao-da-desigualdade-no-mundo

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  3. O que me assusta é que me parece uma semana de extremos, Carlos, de tudo ou nada.
    Quando é assim há que temer o pior.

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    1. Pelo contrário, Pedro. O que eu sinto neste momento ( como muitos europeus) é que desponta um sinal de esperança.

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