terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Paulo Portas no Conselho de Administração da Benfica SAD

Num comunicado enviado à CMVM, o Conselho de Administração da Benfica SAD informa que recebeu uma proposta irrevogável do Valência para  a transferência  de Enzo Perez.

E se o Syriza perder?

Esta é a pergunta que ninguém à esquerda quer colocar mas, enterrar a cabeça na areia  como a avestruz, fingindo que essa é uma hipótese inverosímil, não ajuda nada. Além disso, a resposta a esta pergunta é bem mais fácil do que  na hipótese de o Syriza ganhar.
Na verdade, se depois de estar à beira de conquistar uma vitória histórica, a esquerda grega perder as eleições de 25 de Janeiro, a resposta para o fracasso é simples: não conseguiu convencer os eleitores da viabilidade das suas propostas, tendo permitido que a chantagem e o medo  agitados pela Nova Democracia concitassem muitos votos. 
Se depois de tudo o que se passou na Grécia, a direita conseguir formar governo, isso significa que o medo venceu a Democracia. O que não é uma boa notícia para a esquerda, mas fará abrir garafas de champagne não só em Berlim e em Bruxelas, mas também nas sedes da Front National, do UKIP e de todos os partidos de extrema direita que vão cativando cada vez mais seguidores um pouco por toda a Europa. Eles sabem que uma democracia assente no medo, mais cedo ou mais tarde redunda numa ditadura. 

E se o Syriza ganhar?

Uma vitória do Syriza  com maioria absoluta, nas eleições de 25 de Janeiro na Grécia ( ou, no mínimo, a possibilidade de formar um governo estável) seria extremamente vantajosa para clarificar muitas questões que se colocam em torno do futuro europeu e, muito particularmente, para Portugal e Espanha que terão eleições legislativas em 2015.
Um governo do Syriza permitiria saber se os programas da extrema esquerda são viáveis neste modelo europeu. No caso de os primeiros meses correrem bem, Atenas conseguir inverter o desvario austeritário de Merkel e seus pares, impondo uma renegociação/ reestruturação da dívida, a discussão da sustentabilidade das dívidas soberanas, o alívio das medidas de austeridade (mais equitativas e racionais) e, principalmente, um investimento centrado em políticas de crescimento, os eleitores portugueses serão tentados a votar mais à esquerda e António Costa, vencendo as eleições, terá mais argumentos para impor uma coligação à esquerda.
Se o Syriza falhar -seja por força de um recuo nas suas linhas programáticas,aliás já visível, seja porque Merkel e Bruxelas se mostrem inflexíveis para fazer cedências - concluir-se-á, então, que os programas de esquerda são inviáveis no panorama europeu actual. Isso significaria o fim da extrema-esquerda europeia? Nem por isso. Mas seria um forte abalo...
Não tenho quaisquer dúvidas que Merkel tentará fazer vergar um governo do Syriza mas, se  chegar ao limite, isolando a Grécia e deixando-a cair, a Europa irá pagar um preço muito elevado e colocará em risco o seu futuro.
O ano de 2015 poderá ser de clarificação, mas também o fim da esperança sobre o futuro da Europa. Janeiro  será um mês de grande importância, pois o que se passar na Grécia não deixará de ter implicações ao longo do ano em toda a Europa. 

A Entrevista

Como era de esperar o filme "Uma Entrevista de Loucos" é considerado, por quem já o viu, uma grande merda. Não fora o  acto de sabotagem à Sony, de que é alegadamente responsável o líder norte coreano, o filme passaria sem grande destaque pelas salas de cinema. A própria Sony terá percebido isso e este alegado ataque veio mesmo a calhar para promover o filme e .
Posto isto, quero dizer que acho tão plausível que o ataque seja da responsabilidade de Kim Jong Un, como alguém dizer que em tempos eu fui para a cama com a Marilu. 
Um apontamento final: pelo que tenho lido, o filme ridiculariza de forma demasiado aviltante o líder de um país. Independentemente de Kim Jong Un ser um ditador execrável, pergunto como reagiriam os líderes ocidentais se um cineasta russo ou chinês,  por exemplo, fizesse um filme em que enxovalhasse Juncker, Merkel ou Obama? 
Pergunta ainda mais difícil: se o filme até fosse bom e pusesse o dedo na ferida, ridicularizando lados obscuros  da personalidade desse líder a sua exibição seria permitida ou, alegando a necessidade de respeitar a dignidade do visado, seria simplesmente catalogado como um insulto, justificando assim a sua proibição?