segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Submarinos ao fundo? Não! Ainda flutuam...

O ministério público não conseguiu provar como se fez a corrupção no caso dos submarinos, por isso arquivou o processo. Dias depois do arquivamento, um dos corruptores alemães veio explicar, direitinho, como é que os membros do governo recebem o seu quinhão nestes negócios de guerra. Afinal era tão fácil, senhores do MP! Bastava seguir o rasto do guito…

A prova dos nove

À terceira tentativa, o parlamento grego voltou a rejeitar a eleição de Stavros Dimas para presidente.  Samaras arriscou mas perdeu e a Grécia vai a eleições no dia 25 de Janeiro. Se os gregos confirmarem nas urnas as intenções manifestadas nas sondagens, o Syriza vencerá as eleições e será convidado a formar governo.
O Syriza não terá maioria absoluta e, a  partir daqui, é um mundo de interrogações:
1- Conseguirá o Syriza encontrar um parceiro para formar governo?
2- Terá força para impor o seu programa, ou será obrigado a fazer tantas cedências para formar governo que  o descaracterizará?
3- Se o Syriza não conseguir formar governo, que tipo de aliança irá governar a Grécia? Sujeitarr-se-á a outro governo nomeado pela senhora Merkel?
4- Se o Syriza conseguir formar governo e aplicar algumas das suas medidas mais emblemáticas, como irá reagir a União Europeia? E os mercados? 
5- Se não houver nenhuma possibilidade de formar governo em 25 de Janeiro haverá novas eleições que poderão reforçar o Syriza, ou dar uma nova oportunidade à Nova Democracia?
6- Como resistirá a economia grega a um período prolongado sem governo?
7- O fundamentalismo neo liberal de Bruxelas arriscará deixar cair a Grécia?
8- Se isso acontecer poderá haver um efeito dominó na Europa, afectando países como Portugal, Espanha e até Itália e França?
9- Se o Syriza conseguir formar governo e tiver sucesso nos primeiros meses, isso terá implicações nas eleições do Outono em Portugal e Espanha?
Muitas outras questões se colocam para além destas, obviamente, mas por agora optei por esta nove que me parecem  pertinentes. 
Entretanto, o FMI já começou com ameaças aos gregos, remetendo-lhes um MMS com uma nova versão da canção dos Trabalhadores do Comércio: Ou têm juizinho, ou lebam no fucinho 

É p´ró menino e pr'á menina!


Em setembro, no dia de aniversário da mulher, manifestou-se de forma exuberante contra as câmaras de vigilância nas ruas, por serem uma intromissão na privacidade das pessoas. 
Ontem, o filho de 12 anos  estava eufórico com a prenda de Natal que recebeu dos pais: o Nanocoptero Spy Cam.
Para quem não saiba, trata-se de um drone para crianças  que faz videos e tira fotografias, permitindo a qualquer criancinha filmar tudo o que se passa na vizinhança, sem sair do seu quarto.
Reclamei a coerência do pai,  lembrei a inocência dos tempos em que os meninos recebiam carrinhos e bolas de futebol e as meninas bonecas e máquinas de costura e estive quase a jurar que tomaria esta atitude se o visse a espiolhar a vida dos outros mas contive-me, para não perder um amigo.

Da inutilidade da justiça

Em Dezembro de 2011 realizaram-se eleições para a Ordem dos Enfermeiros. A candidata de uma das listas impugnou-as de imediato. Acusou o vencedor de chapelada eleitoral,  invocando um vasto rol de ilegalidades.
Três anos depois  o Tribunal Administrativo do círculo de Lisboa deu como provadas as ilegalidades e considerou nulas as eleições realizadas em 2011. Condenou ainda a Ordem a pagar uma coima de 30 mil euros.
O actual titular do cargo já anunciou que irá recorrer  da decisão para o Supremo Tribunal Administrativo. Quer isto dizer que, quando o caso estiver resolvido - e se o STA confirmar a decisão- já o actual presidente terá sido substituído no cargo por via de novas eleições, pelo que a decisão não terá qualquer efeito prático. A não ser, obviamente, aliviar os cofres da Ordem dos Enfermeiros em 30 mi euros.