terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A montra

Afastado o Benfica da Europa, Jorge Jesus optou por  substituir a quase totalidade dos jogadores da equipa principal, a pensar já no jogo do Dragão do próximo fim de semana.
Um benfiquista amigo mostrava o seu desconforto com a decisão do treinador encarnado.  Não só temia a humilhação de uma goleada que abalaria o prestígio da equipa da Luz, como lamentava a perda de 1 milhão de dólares.
Estava  enganado o meu amigo. Os jogadores de segunda linha puxaram dos galões e, apesar de a maioria ainda não ter um único minuto de jogo esta época, o Benfica fez - em minha opinião- a melhor exibição da época na Liga dos Campeões.
No final do jogo disse ao meu amigo que Jesus foi inteligente. Não só poupou jogadores para o jogo de domingo com o FC do Porto, como poderá ter contribuído para que em Janeiro, os cofres da Luz recebam um reforço muito substancial. É que, meus amigos, o estádio da Luz foi hoje uma montra de jogadores "escondidos" que terá deixado  muitos olheiros que se deslocaram à segunda circular, com água na boca. As transferências e empréstimos em Janeiro serão bem mais compensadoras do que o meio milhão de euros que o Benfica poderia ter embolsado hoje se vencesse. Com a vantagem suplementar de os jogadores que venham a ser emprestados poderem rodar noutras equipas, o que é bem melhor do que passarem o resto da época a jogar a Taça da Liga, ou no banco de suplentes.
Apesar de concordar comigo, o meu amigo benfiquista regressou a casa a lamentar-se pela má prestação da equipa na Liga dos Campeões. É que , ao contrário do que eu mesmo aqui escrevi logo após o sorteio, o  Benfica tinha todas as possibilidades de seguir em frente. O Bayer Leverkussen que hoje vi na Luz é uma equipa fraquinha e, perder os dois jogos com o Zenit, só se explica com o fantasma de Villas Boas, que atormenta Jesus desde os 5-0 sofridos no Dragão.

The Bodyguard

Poiares Maduro conseguiu os seus intentos. Despediu Alberto da Ponte, com quem entrara em rota de colisão desde que tomou posse. O processo de despedimento revela a cobardia de Poiares Maduro, mas também a hipocrisia -  característica comum aos membros deste goveno.
Escudando-se no chumbo  de um Conselho Geral Independente, que é um pau mandado do governo, Maduro comportou-se como um puto que foge às suas responsabilidades às responsabilidades, mas tentou "dar a volta ao texto" dizendo que se limitou a cumprir os estatutos.
Um ministro que não  assume os seus actos é um cobarde. Um ministro que  invoca a democracia para camuflar a cobardia é um canalha.
Nunca considerei Alberto da Ponte uma boa escolha para a RTP. Defendi, mesmo, que devia ter-se demitido quando o governo  alterou os estatutos da empresa e criou o CGI, cuja principal função é servir de guarda-costas às decisões do governo. O meu pouco apreço por Alberto da Ponte não me impede, porém, de colocar algumas  questões:
1-Ao comprar os direitos de transmissão da Liga dos Campeões, a RTP cumpriu, ou não, o seu dever de defender o interesse público? 
O próprio governo reconheceu que sim, ao incluir a Liga dos Campeões nos eventos de interesse público de âmbito desportivo.

2- A ERC (Entidade Reguladora) emitiu um parecer dando razão à administração da RTP, onde acusa o CGI de usurpar as suas funções. Qual a validade deste parecer para o governo?
Nenhum. A ERC só serve ao governo quando está de acordo com as suas regras e opiniões. Se lhe colocar  entraves, ignora-o e recorre ao Bodyguard CGI, simples mandante das orientações do governo  

3-O director da ERC deveria colocar o lugar à disposição?
Pelo menos deveria esclarecer a opinião pública, denunciando a ingerência do governo nas opções editorias da RTP, escudado em decisões e pareceres do CGI.

4- Por que razão o governo não destituiu a actual administração, quando nomeou o CGI?
Porque isso obrigaria o governo a pagar indemnizações.


5- A demissão de Alberto da Ponte foi apenas motivada pela embirração de Poiares Maduro?
Não. Faz parte de uma estratégia do governo para desmantelar e descredibilizar a empresa junto da opinião pública e, em simultâneo, conceder aos operadores privados, os negócios mais apetecíveis, em detrimento do interesse público. Alcançados esses objectivos, será mais fácil desmantelar a RTP e vendê-la a pataco a uns amigalhaços. Com a prestimosa colaboração do Bodyguard CGI, obviamente.

Fiscalidade Verde e gasolina low cost

Embora o governo negue, a verdade é que a Fiscalidade Verde é, apenas, um aumento de impostos. Não visa a protecção ambiental, nem  beneficia os cidadãos conscientes. 
A Lei que obriga todos os postos de abastecimento a fornecer combustíveis low cost é um exemplo das contradições do governo nesta matéria.
Sendo mais poluente do que a gasolina comum (  pode, inclusive, ter efeitos  de desgaste mais rápido dos motores- mas isso  ainda não está provado) deveria incidir sobre os combustíveis  low cost uma carga fiscal mais elevada, de forma a desincentivar a sua utilização. Ora, ao obrigar todos os postos de abastecimento a venderem esses combustíveis, o governo está a dar um sinal contrário àquele que diz pretender com a introdução da Fiscalidade  Verde.
Também em relação ao gasóleo- mais poluente do que a gasolina-  a política fiscal deveria ser mais gravosa, desincentivando a compra de veículos que utilizem esse combustível. No entanto, a Fiscalidade Verde - que entra em vigor no dia 1 de Janeiro-  vai onerar mais o preço da gasolina do que o do gasóelo. Apenas mais uma contradição que se regista e desmascara o argumento invocado pelo governo, de que a Fiscalidade Verde visa proteger o ambiente. 

Do estupor à preocupação

Espanto-me quando a Justiça demora 15 dias a perceber que dois reclusos estão presos na mesma cela, contrariando a decisão do juiz, mas fico preocupado quando constato que foi a informação veiculada por um jornal pasquim que alertou a ministra da justiça para a irregularidade.