quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Vamos contar mentiras

A RTP produziu e João Adelino Faria encenou o remake da peça  de Alfonso Paso "Vamos Contar Mentiras".
Não sei se terá sido boa ideia contratar Pedro Passos Coelho para desempenhar o papel de Florbela Queiroz ( creio que o Paulo Portas estaria mais à vontade), mas há que reconhecer a capacidade do pm em conferir realismo às constantes aldrabices, num brilhante paralelismo com as mentiras de Florbela na versão original.Especialmente engenhoso esteve quando explicou o aumento do número de desempregados em Outubro.
Não sei se no final Faria e Passos cantaram o Perompompero  da versão de Alfonso Paso mas acredito que, ao regressar a casa, Passos tivesse ficado surpreendido porque a Laura estava  a ouvir o "Que Parva que eu Fui". E terá sido nessa altura que, num improviso genial, telefonou ao pai e adaptou a rábula de Florbela no final de cada telefonema para a mãezinha: 
"Ai paizinho, sou tão infeliz!"

Em tempo: a confiança revelada hoje por PPC, durante a entrevista, não se deve apenas ao facto de o encenador ser uma m.... Tivesse esta entrevista sido feita na semana passada e a postura de PPC seria muito mais tensa.

Vinho a martelo

Uma proposta de lei subscrita por todos os partidos, à excepção do BE, vai obrigar TODOS os postos de abastecimento, a venderem  combustíveis low cost.
Pensava eu, na minha ingenuidade, que este governo era liberal e promovia a livre concorrência, mas o embuste da  Fiscalidade Verde tem razões que o senso comum desconhece. 
Como me enganei, admito que muito em breve o Pires do Lima faça aprovar uma lei que obrigue todos os restaurantes a vender vinho a martelo e os bares e estabelecimentos de diversão nocturna, a recuperarem o whisky de Sacavém.
Medidas que visam defender as classes desfavorecidas, claro.

Ponto final

Começo a ficar um bocado cansado das notícias e do chorrilho de comentadores que desaguam em todas as televisões a opinar sobre a detenção de Sócrates. Nada acrescentam àquilo que me parece essencial. 
Há um princípio que eu pensava ser sagrado na Justiça - in dubio pro reo - que tudo indica não ter sido respeitado ( a esse propósito recomendo a leitura desta entrevista do presidente da Transparência e Integridade).
No caso de Sócrates avoluma-se a ideia de que a justiça agiu em sentido inverso e, na dúvida, decretou a sua prisão. Como terá acontecido, aliás, com os detidos do caso dos vistos gold.
É esta inversão que me preocupa. 
Nestes dois últimos casos que a justiça achou por bem mediatizar, muito provavelmente para se sentir mais confortável com as decisões que decidiu tomar,  fica a sensação que a privação da liberdade dos detidos não foi a solução mais sensata, mas sim aquela que permitiria à justiça recuperar alguma da credibilidade perdida nos últimos anos. Acusar uma pessoa de corrupção, prendê-la preventivamente e só depois ir à procura dos corruptores, é mais próprio de uma ditadura afro- latino americana, do que de um país europeu.
Se Sócrates e os outros detidos no caso vistos gold forem culpados, devem ser condenados mas, privar  cidadãos da liberdade com base em suspeitas, parece-me extremamente grave num regime democrático. Principalmente quando os detidos são, ou foram, altas figuras de Estado, isso coloca em causa o próprio Estado e o regime.
Passar de um arremedo de democracia, para um regime justicialista, seria o pior que nos poderia acontecer.
 É isso que está em causa e, parafraseando o senhor Aníbal,ponto final!

Mais vale tarde que nunca?

Três anos e nove orçamentos depois, os deputados do PSD  Madeira  descobriram que foram eleitos para representar os interesses dos madeirenses.