quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Como manipular a informação em 10 palavras ( ou a evocação de Miguel Relvas)




Quando Miguel Relvas chegou ao governo, uma das primeiras decisões que tomou em relação à RTP, foi proibi-la de concorrer à transmissão dos jogos da liga dos Campeões, cujos direitos então detinha.
A TVI concorreu sozinha, garantindo sem opositor os direitos de transmissão durante três anos, pelos quais pagou 4 milhões de euros.
Nessa altura ninguém acusou o governo de distorcer as regras do mercado, mas eu continuo até hoje sem perceber quais as razões que impedem um canal público de televisão de concorrer em iguais circunstâncias com os concorrentes privados. ( Se é pelo argumento de que são os contribuintes a pagar, esqueçam: essa é a maior mentira da direita, que desmontarei num próximo post).
Três anos depois a RTP, liberta da canga de Relvas, concorreu novamente e, de acordo com as notícias veiculadas pela comunicação social, terá ganho o concurso, batendo a oferta da TVI.
Helena Forjaz, directora de comunicação da Media Capital, foi a porta voz da indignação da estação de Queluz.   “ Números são absurdos, sendo 40% superiores aos oferecidos pela TVI”. ( 10 palavrinhas apenas)
A imprensa económica  ( nomeadamente o Jornal de Negócios) saiu em defesa da TVI, adiantando que a RTP terá ganho o concurso, com uma oferta de 18 milhões de euros.
Este valor tem sido repetido à exaustão pela comunicação social que, em concubinato com alguma blogosfera situacionista e comentadores encartados, realça o facto de serem os contribuintes a pagar este “desvario” da RTP. 
Basta fazer contas, para se perceber que o número avançado pelo Jornal de Negócios (JN) não corresponde à realidade. Se o valor oferecido pela RTP foi 40% superior à oferta da TVI( 4 milhões), quer dizer que a televisão pública  ofereceu pouco mais de 5,5 milhões.
Tendo como correcta a informação prestada por Helena Forjaz ao “Público”, o JN está a mentir quando fala de uma oferta de 18 milhões da RTP. O seu objectivo é intoxicar a opinião pública e obter apoios na campanha contra a RTP.
Acresce, ainda, que de acordo com a informação até agora conhecida, a RTP irá transmitir 16 jogos em canal aberto, enquanto a TVI tem transmitido apenas 13. A transmissão de mais três jogos por época justifica, por si só, um aumento do custo dos direitos de transmissão a pagar pelo canal que vencer o concurso.
A notícia, porém, não acaba aqui. Merecerá um outro post ( a propósito do argumento de que são os contribuintes a pagar as transmissões, se for a RTP a vencer o concurso)quando a UEFA anunciar qual foi o canal que garantiu a transmissão dos jogos  da Liga dos Campeões em canal aberto.
Por agora, deixo apenas um registo: como se percebeu, é muito fácil desinformar as pessoas, manipulando números. Se isto acontece no desporto, imaginem só como somos manipulados quando se trata de notícias sobre política, economia, ou finanças.

A mensagem da minoria silenciosa ( à atenção de António Costa)

Eu já vi isto em qualquer lado e sei ao que nos conduziu: desemprego, aumento de impostos, falências, caos económico, emigração forçada.
Ao aliar-se  mais uma vez à direita, o PCP  condena a escandalosa taxa de 1€ a pagar pelos turistas que visitam Lisboa e parece preferir que sejam os lisboetas a pagar mais IMI e IRS, para garantir a sustentabilidade da cidade.
António Costa já sabe o que o espera se for PM em 2015, mas os portugueses mereciam um PCP mais consciente e responsável, que  se preocupasse com os problemas de quem cá vive e não em fazer política demagógica rasteirinha. É uma pena que tenham perdido a memória sobre a liberdade de circulação das pessoas, nos países do Leste Europeu.
Esteja onde estiver, Álvaro Cunhal não aprovaria uma política tão mesquinha. 
Se é verdade que a direita está assustada com António Costa, o PCP não está menos e nós já sabemos o que isso significa, se o PS não vencer as eleições com maioria absoluta em 2015. 

Só uma pedra ficou indiferente

Vasco Palmeirim teve  a ideia e a Rádio Comercial concretizou-a. No dia em que Carlos do Carmo recebeu o Grammy,  convidou 35 personalidades do mundo da música e cada uma cantou um verso de "Lisboa Menina e Moça" em vários pontos da cidade.
Até as pedras da rua se emocionaram quando o Carlos recebeu o Grammy. Excepto uma, em Belém. Não conseguiu ouvir, porque estava tapada por uma poia coberta de moscas.

Azar de chinês

O empresário chinês  Chan Ba Li Ang  candidata-se a receber o prémio do mais azarado, nesta cena dos vistos gold.
Pagou 500 mil euros para ter um visto gold e agora, além de estar proibido de sair de Portugal, vai ter de pagar mais 500 mil euros de caução como garantia de que não sai mesmo!
Digam lá se isto não é o cúmulo do azar!