terça-feira, 4 de novembro de 2014

Traquinices de uma mulher loira

Paula Teixeira da Cruz pediu desculpa aos portugueses pelo estado calamitoso em que a sua reforma deixou a Justiça. 
Depois arrependeu-se e atirou as culpas para dois funcionários requisitados à PJ, que terão "sabotado"o Citius para a prejudicar.
Ontem, os funcionários visados fizeram um comunicado a refutar as acusações da ministra, onde além de reclamarem a sua inocência, pedem que a conclusão do inquérito seja rápida.
Temo que, provando-se a sua inocência, só venha a ser conhecida depois das eleições de 2015, para não beliscar ainda mais a duvidosa honorabilidade de Paula Teixeira da Cruz e do governo em geral.
 É sempre mais fácil atirar a responsabilidade para cima de uns malvados, do que assumi-las e cai bem em certos sectores da opinião pública saber que a culpa é de uns malandros que não gostam da ministra e, muito provavelmente, estavam ao serviço do Sócrates.
A ministra da Justiça esqueceu-se de explicar que os referidos funcionários foram escolhidos por ela, não pela PJ. 
Convém lembrar que as requisições têm regras.Não se pede à PJ mande-me aí dois funcionários, que estou a precisar de ajuda aqui no ministério. A ministra teve de indicar ( por iniciativa sua ou de alguém próximo do seu gabinete) os nomes e características dos funcionários que pretendia. Gente da sua confiança, como sempre acontece nestes casos. De uma forma ou outra, PTC foi responsável pela escolha.
Quando percebeu que tinha metido o pé na argola, requisitou os serviços de um outro funcionário que trabalhara com o governo Sócrates – cujos serviços dispensara- para desenrascar a borrada. Parece que o homem está a dar conta do recado e, apesar de o Citius ainda revelar muitas deficiências, a ministra já se vangloria de estar tudo dentro da normalidade.
O que continua por explicar é como é possível dois funcionários paralisarem um sistema que põe em causa a vida de milhares de portugueses.
No mínimo, é um bocado preocupante...

A Paróquia de S. Caetano à Lapa




Sermão do prior da S. Caetano aos peixinhos (de aquário)


Na cerimónia de atribuição da coleira, Durão Barroso confundiu uma  condecoração partidária, atribuída por  um militante do PSD a exercer funções de PR, com uma distinção concedida pelos portugueses. 
Nem o facto de a oposição se ter recusado a participar na palhaçada abriu os olhos ao anafado Zé Manel. 
Vai daí, fez uma extrapolação que lhe permitiu  concluir, à boa maneira maoísta,  que a oferenda era a prova de que tinha agido bem quando em 2004 abandonou o país de tanga, para exercer um cargo altamente remunerado em Bruxelas e assegurar uma reforma principesca uma década depois. 
A ausência da oposição na cerimónia de entronização não passou em claro a Passos Coelho. Em vez de se remeter ao silêncio, o pm decidiu acusar toda a oposição ( mais de 2/3 da população portuguesa , de acordo com os resultados das eleições europeias)  de paroquialismo.
Não seria senão mais uma diatribe tonta de um tipo apatetado, não se desse o caso de PPC ter acrescentado esta pérola de arrogância:
"É extraordinário que, tendo o Presidente da República decidido assinalar essa circunstância - numa cerimónia que, no fundo, pretende distinguir alguém que obteve essa distinção lá fora, reconhecida por todos - não tivesse havido um único partido da oposição que se tivesse feito representar nessa cerimónia" - disse num comício da agremiação laranja
"Reconhecida por todos?" Desde quando é que 27,7% de portugueses que votaram na coligação governamental para as europeias, representam TODOS os portugueses? 
No tempo do Estado Novo, a corja salazarenta é que tinha tiradas desse jaez e garantia que a União Nacional era o partido de todos os portugueses. Agora vivemos em democracia ( ainda que vigiada e limitada), pelo que um pm que representa pouco mais de 1 em cada 4 portugueses, não pode assumir-se como representante de todos os portugueses. Muito menos, quando governa contra a maioria, defendendo apenas o interesse de alguns.
Passos Coelho é prior da paróquia de S. Caetano à Lapa ( por acaso muito mal fequentada) , não é o vigário da congregação. 
A cerimónia de imposição da coleira ao Zé Manel não deixou apenas transparecer a índole totalitária deste PSD. Deixou a nú que todo o aparelho de Estado está ao serviço de uma clientela partidária e despreza a maioria dos portugueses, cuja opinião não conta para nada.

A honra de Passos Coelho

É sempre difícil  saber como se mede a honra em pessoas da estirpe de Passos Coelho, que fazem da mentira e das meias verdades modo de vida.
Ontem, numa qualquer sessão de propaganda em Lisboa, o líder do PSD garantia que para ele é ponto de honra tirar Portugal do défice excessivo em 2015 (abaixo de 3%)
No mesmo dia, Bruxelas  asegurava que o défice português será de 3,3%.
Se as previsões de Bruxelas estiverem certas, temos fortes razões para nos preocuparmos.  Lá para a primavera, vem aí um orçamento rectificativo que nos deixa de pantanas porque, para salvar a honra, Passos Coelho não hesitará em impor mais sacrifícios aos portugueses em ano eleitoral, mesmo que isso ameace a sua reeleição.
Outra hipótese é Passos  exigir à Marilu que martele as contas e as aldrabe para esconder o défice. Algo que não é novo e agrada a ambos. Se, mesmo asim, perder as eleições, quem vier a seguir que se amanhe.
Há ainda uma terceira hipótese, mais optimista. Como ninguém sabe - nem ele próprio- onde  Passos Coelho escondeu a honra, pode ser que se marimbe no défice e, durante a campanha eleitoral, encontre desculpas esfarrapadas para justificar o falhanço nas metas que se propôs atingir. O TC pode ser, uma vez mais, o alibi perfeito, pois é quase certo que algumas das medidas do OE 2015 serão chumbadas.
Nesse caso, só pagaremos os desvarios de Passos Coelho em 2016. Com língua de palmo pois, se vier a ser reeleito, o líder do PSD  será implacável.

Indignados

Há por aí muita gente escandalizada, porque um professor luxemburguês proibiu os alunos portugueses de falar a língua materna nas aulas. A decisão foi apoiada pela ministra da família do Luxemburgo.
Como reagiriam esses indignados ( a começar pela Confederação da Comunidade Portuguesa no Luxemburgo, que rotulou a decisão de "castradora") se, nas escolas portuguesas, os alunos fossem proibidos de falar crioulo ou russo?
Tenho a impressão que aplaudiriam. E bem!
A preservação da língua materna é um direito, mas permitir que ela seja falada livremente nas aulas é um factor de perturbação e prejudica o desempenho escolar o que, na idade adulta, irá dificultar a integração.