terça-feira, 28 de outubro de 2014

Do Céu caiu uma excêntrica



A missão do Euromilhões é criar excêntricos, essa espécie de milionários de aviário que, graças a umas cruzinhas marcadas nos números certos, entram para o reduzido grupo de eleitos dos beneficiados pela sorte. 
Na última sexta-feira nasceram mais dois excêntricos "made in Portugal". A identidade de um deles  é desconhecida. Sabe-se apenas que arriscou alguns euros e, por ter acertado nos números mágicos, vai receber 152 milhões de euros. O que vai fazer com o dinnheiro? Problema dele...
O outro excêntrico é do sexo feminino. Vai receber 38 milhões de euros, mas não teve sequer de registar o seu palpite. Basta-lhe aproveitar-se da sorte dos outros, para reclamar o seu quinhão. 
Maria Luís Albuquerque bem podia partilhá-lo com os mais desfavorecidos, mas irá usá-lo  para pagar seis meses de ordenados aos boys dos gabinetes.Ou para algumas excentricidades, que a campanha eleitoral reclame.

O Respigador

Um leitor pediu-me, na caixa de comentários, para dar a minha opinião acerca das declarações de Passos Coelho  sobre os jornalistas.
Como andei desligado das notícias durante a minha ausência, não sabia nada sobre o assunto e fui investigar.
Devo dizer que patético é o pm acusar os jornalistas de não assumirem os erros. Não o digo pelo facto de Passos Coelho ser incapaz de admitir um erro- e ele próprio ser um erro da natureza- nem por ignorar que os erros do matemático Crato e da loira Paula  prejudicaram milhares de portugueses. Para Passos Coelho, as pessoas são  um entrave que não o desviam do caminho da loucura alucinada. O que me parece patético é PPC acusar de preguiçosos os jornalistas, quando foi ele o primeiro a explorar essa fraqueza de alguns.
Durante a pré campanha eleitoral  convidava  jornalistas e blogueiros de grande audiência para almoçaradas, onde debitava uma série de mentirolas e fazia promessas que sabia nunca iria cumprir, no caso de ser eleito. Sem qualquer espírito crítico, os referidos jornalistas  publicavam as declarações de PPC  em tons elogiosos, por vezes tão pacóvios, que dava pena.
 O DN foi o viveiro onde o então líder do PSD foi colher o maior número de jornalistas venerandos. Tão descarados no apoio ao grande líder, tornaram o DN numa célula do PSD. A todos Passos recompensou com lugares  em gabinetes, direções gerais,  institutos públicos e, em pelo menos um caso, com um lugar de secretário de estado.
Compreendo ( e até concordo) que PPC chame preguiçosos a esse tipo de jornalistas . Se fossem jornalistas a sério, na altura teriam confrontado PPC  sobre situações do seu passado que já eram conhecidas ( a ligação à Tecnoforma, o escândalo das verbas do FSE e a ONG Lusófona). Optaram por servir de amplificadores  das palavras de PPC, em vez de investigarem e aprofundarem alguns factos  da sua vida, sussurrados baixinho na noite lisboeta frequentada por jornalistas.
Se tivessem sido conhecidos na altura, PPC nunca teria sido  primeiro ministro. Agora, com PPC na mó de baixo, vai ser fácil fazer dele saco de pancada mas, mais uma vez, os preguiçosos e oportunistas vão aproveitar o trabalho de jornalistas laboriosos, que investigaram a fundo as ligações perigosas do então deputado Passos, para cavalgarem a onda do repúdio a um pm inconsciente, incompetente e impertinente..
Por sorte, a imprensa de hoje tem vasta escolha de opiniões sobre o assunto, muito assertivas e certeiras, com as quais me identifico. Não vou, por isso, alongar-me em mais considerações. Está lá  (quase) tudo.
Apenas como exemplo, deixo estas duas:
Patético e preguiçoso me confesso- João Miguel Tavares
Uma cábula de Passos para jornalistas preguiçosos- Pedro Tadeu

Sei que estás em festa, pá!..

Não foi uma Revolução.
Não foi mudança.
Foi voto de confiança.
Os mais pobres tiveram voz e Dilma ganhou. À pele, mas ganhou, graças ( em parte) ao grande contributo de Lula na parte final da campanha. Dilma não vai ter tarefa fácil. Como não teria Aécio. Acabar com a corrupção, no actual quadro multipartidário, é tarefa ciclópica.
Agora é a nossa vez de pedir ao Chico que nos mande um cheirinho de alecrim e um sinal de esperança. Daqui a um ano queremos festejar na rua a derrota desta coligação que destruiu o país, perante a passividade e abulia do povo..