quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O Conto do Vigário

Ainda não escrevi um post sobre a Fiscalidade Verde porque, como já aqui alertei, embora concorde com o princípio, desconfiava que seria apenas mais uma forma de sacar  dinheiro aos contribuintes, sem quaisquer contrapartidas.
Estive a ouvir o ministro Moreira da Silva a explicar os princípios gerais e garantir que é um imposto neutro. Não é! Nem o ministro parecia convencido do que  estava a dizer. É  mais um imposto mascarado de medidas a favor da sustentabilidade. 
Pior ainda: se o ministro contou tudo, a única conclusão que se pode tirar é que a Fiscalidade Verde é uma VIGARICE e revela uma enorme COBARDIA do governo. Logo que me seja possível, explicarei porquê.

Esta medida, aplaudo!

Quem tiver familiares ou amigos a trabalhar nas Finanças, compreende esta medida.
Os tugas não levantam o rabo do sofá da sala para se manifestarem na rua, mas despejam toda a sua ira em cima de gente que trabalha como eles para ganhar a vida e merece ser respeitado.

A paciência tem limites



São tantos os focos de incêndio pelo mundo, que se torna difícil acompanhar e escrever sobre todos.
Hoje, dedico alguns minutos a um dos que tenho seguido com mais atenção. Aquele que, (só aparentemente) em lume brando, continua ateado em Hong- Kong.
Já lá vão 18 dias desde que os manifestantes iniciaram os protestos  e, salvo um ou outro momento de maior tensão, tudo tem decorrido de forma pacífica.  É perceptível que, depois da primeira semana, o número de manifestantes se reduziu substancialmente e a sua expressão já não é muito significativa, se considerarmos que vivem em Hong Kong, 7 milhões de pessoas. 
Os graves prejuízos causados no comércio e turismo de Hong Kong ( ascendem já a 38 mil milhões de € os prejuízos em 18 dias de protestos)  têm contribuído para que a adesão popular seja mais reduzida ou, pelo menos, mais discreta.
Como já aqui escrevi, este é um jogo de paciência no qual o governo aposta fortemente, mas os manifestantes também.  O governo tem a expectativa de que a população, afectada no bolso  e  cansada com os transtornos  provocados pelas reivindicações do movimento pró democracia,  se demarque dos protestos e passe para o seu lado.  Os manifestantes, por seu lado, esperam que a repercussão internacional dos protestos obrigue Pequim a ceder às suas reivindicações.

Ontem, o governo deu algum alento aos manifestantes.  A polícia foi obrigada a intervir com gás pimenta e bastões para dispersar os que se concentravam junto à sede do governo, tendo feito várias detenções. Poucas horas depois, começou a circular nas televisões de todo o mundo e na Internet um vídeo mostrando vários polícias a  espancar um manifestante. Ouro sobre azul para a estratégia dos pró democratas que ainda há dias  obrigaram o governo de HK a cancelar o diálogo, porque  foi confrontado com exigências que não podia aceitar? 
Nem por isso. Os países ocidentais estão, neste momento,  preocupados com problemas muito mais graves que ameaçam a paz mundial e perceberam que neste momento  de aproximação  da China à Rússia, não será boa ideia afrontar Pequim. Acresce que talvez comecem a desconfiar que debaixo dos guarda-chuvas talvez não haja apenas pacifismo.

Talvez para os estudantes e líderes do movimento pró democracia, uma repetição de Tian An Men – ainda que sem atingir as mesmas proporções- fosse a situação ideal para ganharem simpatizantes para a sua causa. Creio que isso nunca acontecerá.
Pequim tentará amenizar os protestos,  dando voz aos pró democratas na escolha dos candidatos a governador no intuito de obter um consenso mínimo, mas nunca abdicará do modelo que apresentou em Agosto. O qual, convenhamos, é um avanço  em direcção à democracia de que os habitantes de HK nunca gozaram.
Uma coisa é certa. A instabilidade em HK não poderá prosseguir durante muito mais tempo. Os mercados começam a ficar nervosos ( a bolsa de HK perdeu 10% em menos de um mês)  e Pequim também.
( Fotos The Independent e Wordpress)

"A Voz dos Ridículos" está de novo nas bancas