sexta-feira, 10 de outubro de 2014

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Bibó Porto(20): a ponte não é só uma passagem


Há uns tempos, depois de jantar na zona dos Clérigos, desci em  direcção à Ribeira, na companhia de uns amigos de Lisboa a quem servi de cicerone, com o habitual prazer de quem está a desvendar uma cidade que a maioria dos lisboetas não conhece.
Descemos pela  renovada Rua das Flores ( dentro de um ano ou dois vai transformar-se num novo pólo de atracção nocturna),  passamos no Largo de S. Domingos, onde a bicentenária Farmácia Moreno despertou a sua curiosidade, rumamos ao Mercado Ferreira Borges e ao Palácio da Bolsa.
A determinada altura a mulher do meu amigo perguntou-me:
- Olha lá, Carlos. Estou farta de ver tabuletas “ Ponte Luiz I”. Eu pensava que a ponte se chamava D. Luís. Ou é outra das muitas que vocês cá têm?
Mesmo tratando-se de amigos, não resisti a fazer-lhes uma pequena maldade.
- A ponte nunca se chamou D. Luiz. Era para se chamar  mas, como o Rei não veio à inauguração, mudaram-lhe o nome. É mais uma prova de rebeldia das gentes do Porto que não aceitam a má educação da “corte de Lisboa”.
O assunto foi tema de conversa durante alguns minutos e só no dia seguinte, quando atravessámos a ponte a pé, lhes revelei que a história que lhes contara na véspera não era mais do que uma lenda. A ponte sempre se chamou Luiz I porque à época, era sem Dom que se baptizavam os monumentos com nomes reais.
Embevecidos com a paisagem que desfrutavam enquanto  armazenavam quase ininterruptamente memórias daqueles momentos na máquina fotográfica, rapidamente perdoaram a brincadeira. Antes de terminarmos a travessia ainda lhes disse:
- Era para vos  revelar esta história só quando chegássemos ao Arco das Verdades, mas não resisti.
- Arco das Verdades? O que é isso? 
- Vocês acabaram de o fotografar, mas quando chegarmos lá abaixo eu conto-vos a história. Sem lendas!