quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A contra-análise

Quase apostava que se a PGR concluísse que PPC tinha recebido ilegalmente dinheiro  enquanto deputado ( como é óbvio isso nunca acontecerá de forma conclusiva), o PM remeteria o caso para a Federação Portuguesa de Ciclismo e pedia uma contra análise.

Um porteiro pode ganhar 10 salários mínimos

O salário mínimo aumenta em outubro para 505€. Sensivelmente 10% do que a Tecnoforma pagou mensalmente a Pedro Passos Coelho, durante dois anos e meio, para   exercer a função de porteiro

A biografia

Se PPC relesse a sua biografia, resolvia rapidamente o seu lapso de memória selectiva



Pedro Passos Coelho começou por remeter para a AR esclarecimentos sobre o caso Tecnoforma e a legalidade da sua situação enquanto deputado.
Azevedo Soares, secretário-geral da AR, confirmou imediatamente que PPC não exercera o seu mandato de deputado em regime de exclusividade. Tudo parecia correr bem ao homem de Massamá.
No dia seguinte, porém, o Público revela a existência de documentos que comprovam o pedido de PPC para receber o subsídio de reintegração  a que tinha direito, por ter exercido o cargo de deputado em regime de exclusividade.
PPC voltou a empurrar o problema com a barriga para ganhar tempo. Insiste que não se lembra do que fez há 17, 18 ou 20 anos. E pede à PGR que o ajude a reavivar a memória.
Já aqui manifestei a estranheza por PPC não se lembrar de ter recebido 150 mil euros. Além disso, custa acreditar que PPC nunca tenha feito um curriculum. Terá sempre desempenhado as suas tarefas com base na cunha e no empenho?
Não precisva, porém, PPC de maçar a PGR, pedindo esclarecimentos sobre as suas actividades profissionais.
Bastaria reler a sua biografia, publicada na Revista do "Expresso" em Abril de 2011.
O texto traça o perfil de um candidato a primeiro ministro super rigoroso, de uma honestidade à prova de bala. Ângelo Correia afirma mesmo que não há pessoa mais honesta do que ele.Percebe-se que toda a biografia-  quase iconoclasta tantos são os predicados  que lhe são atribuídpos-   é um embuste e pretende criar nos portugueses a imagem de um homem acima de qualquer suspeita, cujo passado é garantia de rigor, isenção e honestidade, que põe os interesses do país acima dos interesses do partido.
Face a isto, percebe-se que ao remeter a questão para a PGR, Passos está apenas a querer ganhar tempo e a tentar iludir os portugueses com os seus lapsos de memória selectivos. Espera que a PGR lhe devolva a imagem de homem impoluto, ou deixe a questão arrastar-se no tempo até sair das páginas dos jornais. 
PPC pode enganar parvos e criar dúvidas em ingénuos, mas não resiste à prova do algodão.