terça-feira, 26 de agosto de 2014

Os invisíveis

"Há uns anos as páginas do jornal que se dedicavam às questões da área económica chamavam-se "trabalho", depois passaram a "economia", e recentemente algumas delas apelidavam-se "negócios". Às pessoas que trabalhavam nas empresas chamavam-se "trabalhadores", passaram rapidamente a "empregados" e actualmente é norma chamar-lhes "colaboradores". Quem não perceber que estas mudanças não são inocentes e tentam cristalizar uma perda de poder na sociedade de quem trabalha merece pagar os prejuízos do BES por burrice crónica".
(Nuno Ramos de Almeida in jornal i)

Homem rico, homem pobre

Já em tempos escrevi sobre este prédio em Londres, com base numa notícia do The Guardian.
Volto à carga porque, um ano depois, a imprensa portuguesa deu finalmente destaque à segregação social crescente na capital inglesa: nesse mesmo prédio, há uma entrada para gente rica e outra para gente pobre.

Enfim boas notícias? (2)




Ontem, os europeus foram surpreendidos com uma subida substancial de todas as bolsas e uma acentuada descida das taxas de juro.  A que se deve a súbita e inesperada euforia dos mercados?
Dizem os analistas que foram as palavras de Mario Draghi que provocaram a agitação. Na sexta-feira, durante uma reunião de banqueiros, em Jackson Hole, o presidente do BCE terá reconhecido que falhou todas as metas para 2014 e apontou (ainda que timidamente) o dedo acusador ao excesso de  austeridade. Finalmente, admitiu  tomar novas medidas para salvar o euro.
Não nos entusiasmemos demasiado! O  abrandamento da austeridade proposto por Draghi não abrange Portugal, nem outros países da zona euro em crise. Aplica-se apenas aos países ricos, como logo fizeram questão de salientar alguns comentadores económicos. 
Mesmo assim, uma política expansionista dos países ricos beneficiaria  Portugal, particularmente nas exportações, promovendo algum crescimento económico.
Tal como em 2007, a melhoria da nossa vida não depende exclusivamente do governo, mas sim da conjuntura internacional, nomeadamente europeia. Mas se há algumas razões para optimismo em relação a Draghi, o mesmo não se pode dizer sobre as notícias que vêm de França.
Manuel Valls, primeiro ministro francês, demitiu-se ontem. Insensível às críticas contra a austeridade dos ministros da economia, da educação e da cultura, Hollande vai dar novamente posse a Valls hoje. Promete mais austeridade, com ministros mais dóceis. 
Surdo ( ou inebriado pelo elixir de uma nova amante?) Hollande não percebeu que até Mario Draghi já reconhece o erro da austeridade.
Isto não vai lá com socialistas domesticados.
E, já agora…. Nem com povos acomodados que não reagem porque, pura e simplesmente, não percebem o que se está a passar. É o caso do “Bom Povo Português”, um  exemplo claro de que a melhoria das condições de vida não é suficiente para eliminar o analfabetismo de um povo.

Enfim, boas notícias? (1)



Nos últimos meses as más notícias quer a nível internacional , quer internamente, têm sido tão más, que uma notícia onde se descortine uma réstea de esperança é recebida com suspiros de alívio. Foi o que aconteceu ontem, com duas notícias que, embora não nos afectem directamente, terão influência no nosso futuro.
A primeira  veio da Alemanha e permite vislumbrar uma solução pacífica para a Ucrânia. Sigmar Gabriel -  social democrata parceiro de Merkel no governo alemão-  deu uma entrevista ao "Die Welt am Sonntag", em que defende que só uma maior autonomia para as zonas do leste da Ucrânia de maioria pró russa, conducente a uma federalização do país, poderá trazer a paz de volta à região. 
O mais curioso é que Merkel- que foi no sábado a Kiev levar um cheque de 500 milhões, cuja provisão tem como exigência que uma parte seja gasta em material de guerra ( comprado à Alemanha, obviamente)-  corroborou ontem a opinião de Sigmar Gabriel, aceitando-a como uma via possível para a paz. Claro que esta mudança de posição da Alemanha, no mesmo dia em que Obama ameaçava Moscovo com mais sanções, se deve ao facto de o governo alemão já ter percebido que o efeito "boomerang" das sanções aplicadas pela UE atingirá em cheio a Alemanha. 
Por isso, antes de mais, interpreto as declarações de Gabriel e de Merkel como um aviso a Obama. Descodificando: a UE não aplicará mais sanções à Rússia e fará os possíveis para aliviar rapidamente as já aplicadas. É que, além dos prejuízos já sentidos, vem aí o Inverno e nunca se sabe o que Putin poderá decidir em relação ao fecho da torneira de gás. 
Não há razão para entrar em grande euforia, mas o facto de a Alemanha ter aberto uma porta para a solução da crise ucraniana ( que a própria Alemanha criou- convém não esquecer...) é uma  notícia que acalenta alguma esperança no desanuviar de um conflito que pode incendiar a Europa.
( Continua)

A rapariguinha do shopping

Sou do tempo da explosão dos centros comerciais. Por essa época, Rui Veloso cantava "A Rapariguinha do shopping".
A caminho da quarta idade, os shoppings são notícia por outros motivos. O empolamento destas situações pela  comunicação social   só serve para despoletar protagonismos indesejáveis. Não lhes dêem tempo de antena e acabam-se os desacatos.