domingo, 17 de agosto de 2014

Solidariedade feminina

Ontem, ao final da tarde, fui até uma esplanada na Foz para descontrair e ler um pouco. Peguei no livro que levava comigo, tentei concentrar-me na leitura, mas o volume sonoro da conversa entre duas jovens estudantes (de Direito?) ia aumentando, à medida que a conversa  sobre violência doméstica se tornava mais acalorada.  
As opiniões sobre a necessidade de uma lei pareciam inconciliáveis. Uma defendia que se trata de um caso de polícia como outro qualquer, por isso não devia ser crime público, a outra argumentava exactamente o contrário e defendia a necessidade de uma lei mais punitiva. Foi esta  quem lançou um argumento que lhe terá parecido irrefutável, para justificar a brandura das medidas previstas na legislação.
- Toda a gente sabe que ele batia na anterior mulher. É por isso que se está marimbando para que haja uma Lei que puna a sério a violência doméstica .
- O que estás  a dizer é gravísssimo! Como é que sabes que ele batia na mulher?
- Li num blog, ou no FB, já não me lembro. Achas que alguém ia escrever aquilo se não tivesse a certeza?
- Ah, bom!... mas também te digo uma coisa.  A gaja é uma vaca. Se ele lhe batia se calhar era bem merecido.

Le premier bonheur du jour

François Knopf
Tenham um bom domingo.