terça-feira, 12 de agosto de 2014

Quem te ensinou a nadar?

Foi o peixinho do mar?
Já não há vergonha na cara!
Filho de cherne sabe nadar

Onde está o (nosso) dinheiro?

O do BPN não se sabe, mas como Cavaco está de férias na Coelha com o seu amigo e vizinho Oliveira e Costa, bem podia perguntar-lhe...
O do BES só o Espírito Santo sabe onde o escondeu. Dizem as más línguas que voou para uns paraísos , nas asas de  uma pomba branca.
O dos nossos impostos, talvez o Portas saiba responder, caso conheça o paradeiro dos submarinos.
O da Segurança Social, que era suposto pagar as nossas pensões e reformas (sem cortes adicionais) foi investido pelo governo na roleta.
Prevenindo eventuais riscos de uma aposta mal sucedida, o governo precaveu-se e cortou apoios a 170 mil pessoas
O governo garante que o dinheiro está em boas mãos e não nos devemos preocupar. Pois, pois...ainda sou do tempo em que me garantiam que as armas estavam em boas mãos e depois foi o que se viu. 

O botão mágico



Economia de  mercado, no mais puro conceito ultra liberal, significa reduzir as pessoas a meros concorrentes no “concurso da vida”.  De um lado os que têm poder e dinheiro, do outro os consumidores  deslumbrados com a sociedade da abundância, prontos a  papar tudo o que os primeiros lhes vendem, através da publicidade e do  marketing.  Na assistência, hordas de famintos  sem emprego ou com salários miseráveis, a viver muitas vezes em condições sub-humanas, batem palmas diante da pantalha, enquanto sonham com a possibilidade de um dia saltarem para o palco e poderem participar no concurso.
Por outras palavras: na economia de mercado vale tudo. Até transformar  humanos em  animais de duas patas ( uns selvagens, outros domésticos) que comunicam através de códigos mais ou menos intrincados.
Neste contexto,  o empreendedorismo  ganhou raízes e tornou-se um padrão de vida. Se fores empreendedor serás rico, se não fores serás escravo deles- diz a Bíblia dos mercados na versão ultra liberal. 
Reconheço as virtudes do empreendedorismo, mas não alinho com aqueles que vêem no empreendedorismo a solução para os problemas do país. Neste momento é, aliás , quase uma miragem. 
Para se ser empreendedor ou se tem dinheiro de raiz, ou se vai buscar dinheiro aos bancos. Como estes têm pouco dinheiro, só emprestam a juros altíssimos, praticamente incomportáveis pela maioria dos candidatos a empreendedores.
E foi assim que me lembrei de uma “Conversa em Família “ do Marcelo Caetano, em que ele avisava que não podíamos ser todos doutores . Com os empreendedores passa-se algo semelhante. Não podemos ser todos  banqueiros empreendedores. Não chega ter boas ideias e carregar num botão. O  crédito deixou de ser "oferecido" e já não é universal. Voltou a ser bem caro e de aceso restrito. Ter uma boa rede de contactos que facilitem o acesso ao crédito ajuda... mas fundamental é ter dinheiro, ou algum investidor disposto a arriscar. Como acontecia com quem queria (e tinha capacidades para) estudar, no tempo do Estado Novo.
Quando comecei a escrever este post pensava apenas fazer uma referência a mais uma cena obscena da sociedade de consumo. Depois, fui obrigado a admitir  que se esta empreendedora vem cá ganhar uma pipa de massa só para carregar num  botão, é porque encontrou um investidor que decidiu arriscar no seu projecto. Com a confiança de quem sabe que é um investimento seguro ,porque  há muita gente disposta a pagar só para ver.

A trupe dos trapalhões

O governo  não tem apenas uma relação difícil com os portugueses. Também se dá mal com números, tribunais e juizes. Um perfeito fora da lei que actua em conivência com jornalistas da área económica e comentadores arregimentados, que se dispõem a desempenhar o papel de papagaios . 
Ao contrário do que diz o governo, o TC garante que o IVA baixou, em vez de aumentar. "Isto ilustra a problemática da manipulação contabilística por parte dos governos em seu próprio benefício" - alerta o Tribunal de Contas