quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Onde anda a silly season?

Ainda Agosto não cumpriu uma semana e são já inúmeros os casos que enchem as primeiras páginas dos jornais:
- A desastrada actuação de Carlos Costa no caso BES;
- A cunha de Cavaco ao Tribunal Constitucional;
- Um grupo de pequenos accionistas descobriu que foi enganado pelo BP, que omitiu a verdade sobre a situação do BES, quando houve aumento de capital;
- A realização de um conselho de ministros clandestino;
- A forma (cobarde) como Passos tenta demarcar-se da decisão do governo sobre o caso BES;
- A escolha de Marques Mendes para porta- voz do governo, aos sábados à noite na SIC;
- A mentira que está a ser vendida aos portugueses, por governo e BP, de que os contribuintes não serão chamados a pagar o empréstimo;
- Um banco foi nacionalizado, mas governo e BP negam. Terá sido expropriado?;
- A descoberta da gestão ruinosa de Santana Lopes à frente da Santa Casa;
- A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa tornou-se uma coutada dos partidos do governo. Quando é que o assistencialismo e a caridade, passam a exigir o cartão partidário aos utentes?;
- Desconhece-se o paradeiro de Cavaco Silva
Já se percebeu que este ano não há silly season.
Não há razões para alarme. Se este ano  não há Verão, não pode haver  silly season... Quer dizer... aqui, pelo menos, há...


Uma chamada de atenção à malta do pote!

Na última segunda-feira, logo após o anúncio de Carlos Costa, os portugueses correram para os balcões do Espírito Santo Novo Banco a fim de resgatarem as suas poupanças. 
Nesse dia, a Caixa Geral de Depósitos recebeu 200 milhões de euros de depósitos provenientes do Espírito Santo. (Admito que outro tanto tenha ido parar a colchões)
Não sei se a escumalha governativa, dividida entre a ida a banhos e a ida ao pote, terá percebido o que se passou. Eu explico:
 Nos momentos de aperto, o tuga confia nas instituições do Estado, não nos poderes mágicos da iniciativa privada.
Foi assim na segunda-feira com a CGD.  Mas é também com a RTP quando querem ouvir informação que consideram isenta sobre factos relevantes ( como o ataque às Torres Gémeas, por exemplo) , ou com a TAP que aparece sistematicamente como a sua companhia de confiança, ou com os CTT já privatizados por este grupo de vendilhões da Pátria. 
As baratas deslumbradas que enchem os bolsos em gabinetes ministeriais, enganando diariamente os tugas e roubando-lhes as poupanças, os salários e a dignidade, não perceberam isso. Gananciosos, querem vender tudo o que nos pertence para receberem, depois de serem corridos do pote, a comissão que lhes cabe. Pelos bons serviços prestados ao grande capital, terão direito a um lugar numa qualquer instituição internacional onde se acoitam vigaristas e políticos que traíram os seus povos. Seja na União Europeia, no FMI, ou na Goldman Sachs.

A mão atrás do arbusto: afinal, havia outra!


As notícias dos últimos dias indiciam que a NATO está a preparar, para o cenário da Ucrânia,  um dossiê de provas idênticas às inventadas por Bush para invadir o Iraque ( e que Durão Barroso jurou ter visto).
É por isso oportuno  lembrar o que se passou com as provas recolhidas pelo Ocidente em relação ao abate do avião da Malaysia Airlines

Nas horas e dias seguintes sucederam-se as "provas" de que era a mão de Putin que estava atrás do arbusto para cometer aquele crime hediondo.
As televisões publicaram videos de conversas que confirmavam o envolvimento da Rússia e a responsabilidade de Putin. E nem faltou o Nuno Rogeiro, na SIC, a entrevistar um jornalista do Paris Match que até fotografara o Buk. 
Muitas horas, provas e críticas depois, a ONU declarava Putin criminoso de guerra, a UE e os EUA aplicavam mais sanções à Rússia, a  opinião publicada dava o assunto por encerrado e a  opinião pública dormia descansada. Só que, tal como acontecera no Iraque, a história estava mal contada e surgiram provas de que afinal o avião malaio tinha sido abatido pelos ucranianos.
 Sobre isso, porém, não há notícia. Excepto aqui

Espírito Santo continua a fazer milagres

Li que as contas dos Espírito Santo estão congeladas, mas Ricardo Salgado remexeu os bolsos e encontrou uns trocos para pagar a caução de 3 milhões de euros que lhe permite continuar em liberdade. 
Estou certo que vai aproveitar bem o tempo...
(Os Espírito Santo continuam a fazer milagres. Eu ainda fui remexer nos meus bolsos, mas nem um cêntimo encontrei...)