terça-feira, 29 de julho de 2014

Notícia de última hora


Os pilha galinhas

A reforma da justiça é um bom exemplo para percebermos o comportamento, a transparência e os objectivos deste governo.
Ao aprovar uma lei que atribui um vencimento mais elevado aos procuradores que investigam crimes de pilha galinhas, em relação aos que investigam crimes de alto gabarito, este governo denuncia-se. Proteger os fortes e desincentivar a investigação de crimes de colarinho branco e  organizado é a única explicação para uma diferença de salário  que ronda os 400 euros( mas  pode atingir os 1000) entre os investigadores de pilha galinhas ( infracções ao código da estrada, pequenos furtos, ou insultos) e os investigadores dos ladrões de casaca.
Ainda há quem acredite que neste governo é tudo gente honesta. Não é. Mas os ministros, ajudantes e comandita não estão sozinhos. O lider do gang alinha na trapaça e ainda se dá ao luxo de promulgar leis, manifestando a sua discordância. 
Não seria melhor pôr em Belém um sósia do Pateta? Poupávamos dinheiro e, pelo menos,  poderíamos dizer que o Pateta, embora bronco, é um tipo honesto.

Seguro as lapas e o pontapé na bola


Foto gamada na Net


Se a memória me não atraiçoa, o último político a demitir-se depois da prática de um  acto considerado indecoroso, foi Manuel Pinho. 
Hoje em dia, muitos consideram a exibição dos corninhos na AR um fait divers e opinam que o então ministro da economia devia ter continuado a exercer as suas funções, depois de um pedido de desculpas.
Percebe-se esta maneira de ver as coisas. Este governo tem ultrajado os portugueses por palavras, actos e omissões, mas  ainda nenhum ministro  apresentou a sua demissão. É certo que Portas ainda ameaçou bater com a porta mas, logo que Passos lhe ofereceu um gabinete com vista para o Jardim Zoológico e o cargo honorífico de ministro de estado, o líder do CDS recuou na irrevogabilidade e por lá se mantém a fingir que  faz alguma coisa. O importante é manter o estatuto.
Face ao exemplo que vem de cima, tornou-se viral na sociedade portuguesa o comportamento da lapa. Ninguém se demite. Não há um resquício de dignidade nos actuais protagonistas da coisa pública e o comportamento dos políticos alastrou a outros quadrantes da vida portuguesa. Como o futebol, por exemplo.
Mário Figueiredo, presidente da Liga de Clubes, é por estes dias um exemplo da má formação que infecta a classe dirigente.  Contestado pela esmagadora maioria dos clubes profissionais de futebol, mantém-se  no cargo porque o presidente da assembleia geral da Liga recusou sistematicamente a convocação de uma AG para o destituir, invocando pretextos jurídicos. 
Obrigado pelos estatutos a ir a eleições,  Mário Figueiredo conseguiu a proeza de declarar irregulares todas as candidaturas que se lhe opunham e ser reeleito para o cargo com 7 votos ( um dos quais do Sporting, cujo presidente reclama a toda a hora a transparência no futebol).
Mário Figueiredo já levou a Liga à falência, mas permanece no seu posto ( embora ninguém saiba onde para por estes dias) fiel ao seu objectivo de destruir a Liga de Futebol Profissional e desacreditar os clubes e as instituições desportivas.
O comportamento de Mário Figueiredo faz-me lembrar António José Seguro. Apesar dos fortes indícios de que os portugueses  preferem  e confiam mais em  António Costa, o SG do PS mantém-se agarrado ao lugar como uma lapa. Engendra manobras dilatórias para retardar a sua saída, coloca o seu interesse pessoal acima dos interesses do partido e do país e usa como argumentos de defesa o ataque permanente ao seu adversário.
Tivessem os dirigentes ( partidários, empresariais  ou associativos) vida para além do cargo que exercem, a honorabilidade aconselhá-los-ia a colocar o seu lugar à disposição, ou  aceitar as regras da democracia. Tozé Seguro e  Mário Figueiredo são apenas dois exemplos da mediocridade do dirigismo nacional. Chegaram lá, porque não sabem fazer mais nada e precisam de garantir  a todo o custo o lugar para que foram eleitos.
Enquanto este país não tiver dirigentes que sirvam de exemplo, nunca teremos um povo respeitador das regras da democracia. Todos se julgarão com direito a defender o seu tacho. Irrevogavelmente.

Os putos

Sem alaridos, praticamente ignorados pela imprensa não desportiva, os miúdos portugueses sub-19 apuraram-se hoje para a final do campeonato da Europa que se está a realizar na Hungria.
Com uma prova quase imaculada, venceram esta noite a Sérvia no desempate por grandes penalidades. 
Uma equipa que vale pelo colectivo, mas tem grandes jogadores. Como tinha a do ano passado que caiu nas meias finais perante a Sérvia ( que viria a ser campeã)  no desempate por grandes penalidades.
A maioria dos jogadores do ano passado é absolutamente desconhecida, mas alguns já jogam em equipas estrangeiras.
Este ano vai suceder o mesmo, certamente. Miúdos com talento ( cinco jogam na equipa B do meu FC do Porto, 3 na do Sporting e um na do Benfica) mas que serão tapados por outros miúdos estrangeiros e srrão obrigados a emigrar e reforçar equipas estrangeiras.
Estou à vontade para fazer críticas. O meu clube, que tem cinco jogadores nesta selecção ( todos titulares) preferiu ir buscar miúdos espanhóis a aproveitar os que tem em casa. Gostava de perceber esta lógica de desperdício, mas não entendo.
Talvez algum leitor me explique...