quinta-feira, 26 de junho de 2014

Chamem-me tuga, que eu não me importo

Portugal mereceu ser afastado da fase seguinte do Mundial. Jogou sem chama, muitos dos jogadores ou não podiam arrastar as pernas, ou estavam ansiosos por terminar a época e não "deram o litro".
Houve também culpas de Bento na convocatória. Hélder Postiga, Raul Meireles e Pepe vinham de lesões prolongadas e não estavam em condições. Deixar de fora jogadores como Quaresma e insistir em Nani, que quase não jogou durante toda a época, foi outro erro de palmatória.
A verdade, porém, é que Portugal sai do mundial com razões de queixa da arbitragem. Se contra a Alemanha, a única coisa a apontar contra o árbitro, é não ter marcado um penalti claríssimo contra a Alemanha, quando o resultado estava em 3-0, já contra os EUA fomos muito roubados. 
Aos 18 minutos os americanos deviam ter ficado a jogar com 10, depois de uma agressão sobre ( salvo erro) Moutinho e com o resultado 1-1 foi-nos negado um penalti que poderia ter mudado as coisas. Esse foi o jogo chave e, se acho que não nos devemos desculpar com as arbitragens, a verdade é que também não podemos andar a fazer figura de parvos, como se nada tivesse acontecido.
A esta hora podíamos estar a pensar no jogo com a Bélgica, mas não sei se valia a pena prolongar a agonia.
Nota de rodapé: apesar de todos os erros e teimosias de Paulo Bento ( ele promete reicindir e não dispensar nenhum dos jogadores que levaram Portugal ao Brasil) se a alternativa for a que por aí corre com insistência ( Manuel José), o melhor é deixá-lo ficar. Como diz o povo, para melhor está bem, para pior já basta assim

A negociação falhada

Portugal despede-se do Mundial com uma vitória magra sobre o Gana.
Durante a tarde os jogadores da selecção portuguesa bem tentaram, mas não conseguiram convencer os ganeses a jogar  com S. Bento da Porta Aberta na defesa.

Paulo Bento surpreende (Actualizado)


Esperemos que Alemanha e Estados Unidos ( ambas com treinadores alemães e amigos de longa data)  não combinem o empate e estraguem o milagre.
Em tempo: a estratégia montada por Paulo Bento  começa a funcionar.  Eu nunca vi chover no Recife, porque é mesmo coisa rara. No entanto, a esta hora, chove a cântaros no Recife e o jogo Alemanha-EUA pode vir a ser adiado. Isso implicará, igualmente o adiamento do jogo Portugal- Gana. Até lá, pode ser que sejam expulsos mais três ou quatro jogadores ganeses...

Dos perigos do fundo do mar



Na segunda feira, depois de assistir ao jogo entre os “Caipirinhas” e os  Camarões, fui acabar de ler a edição fim de semana do jornal i.
Um dos artigos que deixei propositadamente para o fim foi a entrevista  de Nuno Garoupa, o  funcionário de Alexandre Soares dos Santos que substituiu António Barreto na presidência da Fundação Pingo Doce.
A chamada de capa “ Juizes do TC  pensam como funcionários públicos” deixara-me no sábado à beira de um ataque de nervos, pelo que decidi deixar a leitura para mais tarde. Fiz bem.
Depois de ver os canarinhos aviarem  4 caipirinhas para engolirem  um único camarão e antecipando o prazer de assistir ao fogo de artifício da noite de S. João, no Porto Canal, li a entrevista com mais calma, o que me permitiu constatar que a afirmação de Garoupa foi precedida de falta grosseira do jornalista: 
- Os juízes pensam como funcionários públicos? – pergunta o entrevistador.
Garoupa, o entrevistado, limita-se a confirmar a presunção do pacóvio jornalista. É certo que o facto de ter sido o jornalista a desencadear as hostilidades, sugerindo  que os funcionários públicos são uns merdas que não pensam e devem ser tratados como lixo social, não justifica o assentimento de Garoupa.  Daí, que dedique este post aos dois.
Começo por explicar a ambos que pensar como um funcionário público é ser o médico que vos atende nas urgências,  o enfermeiro que vos alivia as dores, o bombeiro que impede que as vossas casas sejam consumidas por um fogo ateado por delinquentes ao serviço de interesses obscuros,  o polícia que vos garante a segurança, o juiz que julga os vossos litígios.
Pensar como funcionário público é defender o SNS, prestigiar as instituições, garantir o funcionamento do Estado. 
Para o jornalista -  cujo nome não vou reproduzir aqui -  e para o sr Garoupa, ser funcionário público é colocar entraves ao progresso. É  ter  a ousadia de respeitar o juramento de cumprir a Constituição. É cometer o pecado de defender as populações.  
Pois, para mim, o jornalista é mais um daqueles merdas com carteira profissional que obedece à Voz do Dono e o sr. Garoupa  mais um exemplo ( depois do cherne que nadou para Bruxelas e dos camarões que se enfrascaram com caipirinhas) de que a vida no fundo do mar está demasiadamente poluída e nos devemos abster de consumir certos peixes, para evitar intoxicações.