sábado, 14 de junho de 2014

Ofir


No programa Portugal Português do último domingo, ouvi o ministro do Ambiente dizer que está a ser estudada a hipótese de investir 1,2 milhões de euros na recuperação das Torres de Ofir, três mamarrachos execráveis que deram cabo da paisagem e são responsáveis pela erosão daquela praia maravilhosa onde fui muito feliz, mas que está igualmente ligada a um dos episódios mais negros da minha vida.
Surpreende que o governo esteja disposto a gastar, em tempo de crise, uma verba tão elevada, até porque apenas meia dúzia de apartamentos estão habitados e o valor estimado para as indemnizações deverá ser muito inferior. Não seria mais aconselhável meter ali um camartelo e devolver a Ofir a paisagem de outrora?
Ainda recordo bem as férias em Ofir

Isso não se faz, pá!


A poucas horas do inicio do Mundial, enquanto  as revistas e cadeias de TV falam da vida das celebridades, o Chefe da tribo dos “Kaya po” recebeu a pior notícia da sua vida: Dilma, a presidente do Brasil, deu a sua aprovação para a construção de uma enorme central hidro-eléctrica (a terceira maior do mundo).
A barragem inundará cerca de 400 000 hectares de floresta. É a sentença de morte para todos os povos que vivem junto das margens do rio.
Mais de 400 000 Índios terão de encontrar novos lugares para viver.
A destruição do habitat natural, a desflorestação e o desaparecimento de muitas espécies são um facto!
Nós sabemos que uma imagem vale por mil palavras, e mostra o verdadeiro preço a pagar pela “qualidade de vida” dos nosso modos de vida “modernos”.
Já não há mais lugar no mundo em que vivemos para aqueles que vivem , perdendo a sua identidade.
(recebido por e-mail)