quinta-feira, 5 de junho de 2014

O árbitro está comprado?

Compete ao PR assegurar o regular funcionamento das instituições, exercendo o papel de árbitro em caso de conflitos.
O PR está cego, surdo e mudo. Vê as faltas sucessivas e cada vez mais violentas de uma das equipas, mas não pune as infracções. Ainda não percebeu que os adeptos estão a ficar nervosos, porque já perceberam que o árbitro deste jogo erra sempre para o mesmo lado. Está comprado? - perguntam alguns. E não foi com fruta que o compraram, certamente- responde um adepto mais exaltado.
O PR vai ter, muito em breve, uma oportunidade para mostrar que é isento. Quando a equipa da casa lhe mandar os diplomas que hoje aprovou em assembleia geral, com o recado de que deve proceder ao pedido de fiscalização preventiva, deve agir da mesma forma de situações anteriores. Aprová-los e deixar que outros peçam a fiscalização sucessiva, se assim o entenderem. Se satisfizer o pedido da equipa da casa, não restarão mais dúvidas quanto à sua falta de isenção.
É melhor que abandone o relvado, antes que os adeptos façam justiça pelas próprias mãos. Ou então, interrompa o jogo, por falta de condições de segurança. Isto assim é que não pode continuar!

O erro de Seguro

Em entrevista à SIC, ontem à noite, Seguro afirmou que andou três anos a anular-se para manter a paz no PS.
Mesmo não percebendo como é que uma nulidade se pode anular, arrisco perguntar a Seguro:
- Não teria sido melhor ter-se afirmado ao longo destes três anos? É que agora é tarde! Seguro pode até ganhar o PS, mas perdeu o país. Aquilo a que pode aspirar, é vir a ser um subalterno de Passos e, nessa condição, ajudá-lo  destruir o que resta do 25 de Abril: a Constituição.

Enquanto a múmia dorme...

Enquanto a múmia dorme, o demagogo  populista  lança-se numa campanha de descredibilização das instituições.  Com o freio nos dentes, chama incompetentes aos juízes do TC, lança algumas ameaças e um repto ao PR. 
Enquanto a múmia dorme, indiferente ao demagogo incendiário, não me sai da cabeça este  poema da Sophia:

Com fúria e raiva

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras
Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs a sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse
Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra.

Sophia de Mello Breyner

A confiança dos portugueses

Assinala-se hoje o Dia Mundial do Ambiente.
É, por isso, o momento oportuno para lembrar um estudo das Selecções do Reader’s Digest sobre as marcas de confiança que denota o analfabetismo dos portugueses quanto ao impacto ambiental das suas escolhas. 
À guisa de exemplo: 63% dos portugueses escolheram a Mc Donalds como a marca de confiança na área da restauração.  Ou seja: quase 2 em cada 3 portugueses elegem a Mc Donalds como a empresa do ramo mais respeitadora das normas ambientais.
Convinha que alguém lhes explicasse  que a comida “chatarra” (lixo), nome que os hispânicos dão à fastfood , não é só prejudicial à saúde, aumentando os riscos de obesidade doentia, como também é responsável pela degradação de recursos naturais.
A população de bois, vacas, vitelos e carneiros ocupava, há uma década, 24% das terras cultiváveis, exercendo uma forte pressão sobre os recursos naturais. Florestas tropicais da América Central foram transformadas em pastos para animais que são, maioritariamente, consumidos pelos países do hemisfério Norte.
Para além da desflorestação, há ainda que contar com a erosão e desertificação resultantes das culturas intensivas de pastagens e cereais. E se tivermos em consideração que, para produzir 1 quilo de carne de vaca são precisos 20 quilos de cereais, cerca de 20 mil litros de água e a energia equivalente a cinco litros de petróleo, ficamos a perceber melhor que os hamburguers são um excelente negócio para quem os vende, mas péssimo para a Natureza.
Poderia abordar ainda o sofrimento dos animais, os perigos para a saúde humana resultante da ingestão de antibióticos com que muitos animais são engordados, etc...mas não quero ser acusado de fundamentalista.
Assim, lembro apenas que, de acordo com dados divulgados há tempos pela Consumers International, se cada americano reduzisse em 10 por cento o consumo de carne, seriam economizados cereais suficientes para alimentar anualmente 60 milhões de pessoas que sofrem com a fome...
E a verdade é que as consequências para a saúde do consumo excessivo de "fast food" - símbolo da cultura moderna que não inclui apenas os hamburguers- tem sido alvo de avisos de organizações credíveis como a OMS.
Os portugueses precisavam de mais informação sobre as questões ambientais. O governo até tem um ministro do ambiente com sensibilidade para esta temática. Mas que se pode esperar de um governo, cujo primeiro ministro foi director de uma empresa multada inúmeras vezes por crimes ambientais?