terça-feira, 27 de maio de 2014

Late night wander (106)

Quando uma pessoa  percebe que está numa sala  a  criar mau ambiente e a  incomodar a maioria dos presentes, deve sair antes de ser empurrado. Para bem de todos.

Nervoso miudinho

Ainda não se sabe como vai evoluir a situação no PS e já anda por aí gente muito nervosa.

O abanão

Escrevi aqui, diversas vezes, que a Europa estava a precisar de um abanão e apanhar um susto para acordar e arrepiar caminho. Pensava que a ascensão da extrema-direita seria suficiente mas, pelas primeiras reacções pós eleitorais, não me parece. O Centrão europeu aceitou os resultados com enorme naturalidade e ainda não deu mostras de grande preocupação. Continuam a acreditar na sorte. E a verdade é que a tiveram, porque como  Le Pen e  Farage não se entendem, estão em dificuldades para criar um grupo com um mínimo de 25 deputados ( cada um elegeu 24) originários de sete países, isso retira-lhes força parlamentar.
Mas atenção, porque a sorte não dura sempre... Será que só vão aprender quando o esquentador (Juncker) explodir?
Em tempo: afinal parece que começaram a acordar antes do jantar

Estava tudo a correr tão bem...

Seguro andava feliz com a magra vitória do PS, que lhe abria caminho para um dueto governativo com Pedro. Ou até um ménage à trois, se o sucessor de Paulo quisesse entrar na festança do Centrão.
Pedro e Paulo andavam felizes... a noite eleitoral tinha-lhes corrido da melhor maneira possível. Perderam as eleições por uma pequena margem, criando condições para que Seguro se mantivesse no cargo, o que era um abono de família para a coligação e uma forte possibilidade de se manter no poder para além de 2015.  Até admitiam convidar Seguro a entrar na festa a isso fossem obrigados. 
Portas já estava a fazer as malas para partir para Bruxelas, onde dentro de algumas semanas iria tomar posse como comissário europeu.  As legislativas de 2015 seriam apenas uma formalidade e Portas não ficaria associado ao desaparecimento do CDS porque...já nem estava em Portugal.
Pedro convencera Maduro a ceder a Portas o lugar que lhe reservara em Bruxelas, apelando ao interesse nacional, porque o líder do CDS ameaçava com nova demissão irrevogável.
Resolveram tudo com um almoço de (re)conciliação.
Eis senão quando, acontece isto. 
Pode não ser a melhor ementa  mas, "naturalmente" é melhor do que servir  comida requentada. 

Cabecinha pensadora!

Se era preciso um sinal para confirmar a desorientação de Seguro, após a pífia vitória de domingo, ele apressou-se a transmiti-lo ao país. Ao  confirmar que o PS votaria  a favor da moção de censura que o PCP vai apresentar na AR para fazer um frete ao governo, Seguro confirmou igualmente que anda a ver passar os comboios. 
Já não se estranha esta verdadeira paixão que  PCP e PSD alimentam há anos. Surpreende é que um líder fragilizado como Seguro, depois de uma vitória pífia, não tenha percebido que a moção de censura do PCP tem como único objectivo entalá-lo a ele e ao PS. 
Como é que um homem  que se deixa apanhar nesta armadilha quase pueril, pode ter a confiança dos portugueses para ser primeiro ministro? Se ele ainda não percebeu o mais elementar da estratégia política do PCP, como vai perceber a Europa?