segunda-feira, 26 de maio de 2014

Boa noite!



Estou farto de ver avestruzes a quererem enterrar a cabeça na areia. Espera aí... estas avestruzes são cor de rosa!Afinal devem ser flamingos.

A quem interessa antecipar as legislativas?

Os resultados eleitorais de domingo poderão ter sido determinantes para antecipar as legislativas de 2015. O mais surpreendente é que, em vez de ser a oposição a pedir eleições antecipadas, talvez sejam os partidos do governo a fazê-lo. 
É o que acontecerá se a liderança de Seguro começar a ser contestada ( de estranhar é que não seja) e aparecerem candidatos credíveis para lhe suceder. Se surgir um candidato forte com propostas verdadeiramente alternativas e mobilizadoras do eleitorado, que destrone Seguro e vença a inércia do aparelho socialista, pondo em causa uma vitória da coligação que, face aos resultados das europeias, parece perfeitamente possível, então os partidos do governo terão todo o interesse em pedir a Cavaco a antecipação das eleições para Maio ou Junho. 
Apesar do péssimo resultado da coligação, será do interesse de Passos e Portas reduzir o espaço de manobra de um novo líder do PS, que precisará de tempo para ganhar a confiança dos eleitores socialistas desiludidos. 
Antecipando as eleições, os partidos da coligação poderão, também,  tomar algumas medidas  que dêem a sensação de haver uma real recuperação da economia e uma melhoria da qualidade de vida dos portugueses.
Não será difícil a Passos Coelho convencer Cavaco. Mais difícil será convencer Portas de que os dois partidos devem concorrer separadamente. 
Este cenário parece-me hoje perfeitamente admissível. Pode, porém, surgir uma pedra na engrenagem que atrapalhe a estratégia do governo: o Tribunal Constitucional. Se algumas das medidas do OE 2014 forem chumbadas ( ex:o corte dos salários dos funcionários públicos e a redução das pensões), o espaço de manobra do governo para fazer alguns números de ilusionismo ficará reduzido e Coelho e Portas, terão de ponderar se a antecipação de eleições lhes será favorável nesse cenário.

E a figura europeia destas eleições é...



Se no panorama nacional  destaquei  um nome de algum modo ligado a uma franja da esquerda, no plano europeu o destaque vai para uma figura tenebrosa  da extrema direita.
Apesar das divergências entre os paridos de extrema-direita europeus, a vitória em França pode vir a confirmar  Marine Le Pen  como  líder da extrema direita europeia, com um peso demasiado importante, para ser ignorado.  E há razões para acreditar nessa possibilidade.
 Os  26%  obtidos por Marine  Le  Pen  não seriam suficientes para reclamar  dissolução da Assembleia e eleições antecipadas, se  Hollande não tivesse tido uma derrota humilhante,  que deixou o PSF reduzido a menos de 15% do eleitorado!  Perante a  pressão que se antevê nas ruas, dificilmente Hollande conseguirá evitar a antecipação do escrutínio. Se Marine Le Pen vier a confirmar em legislativas, a vitória obtida nas europeias, terá fortes argumentos para  propor a união da extrema-direita europeia numa só família. O seu grande opositor será  Nigel Farge, líder do UKIP  que venceu as eleições no Reino Unido.  De qualquer modo,  a oportunidade de enfrentar  o poder de Merkel e colocar definitivamente em causa a moeda única e a UE, deverá ser suficiente para que Nigel Farge ceda aos argumentos de Le Pen, que terá no holandês Wilders ( líder da extrema direita) um aliado de peso.
Breve nota para o primeiro ministro italiano ( não eleito, recorde-se)  Matteo Renzi  que levou o PD a uma vitória esmagadora, que reduziu o partido de Beppe Grillo  e o Fuerza Italia de Berlusconni a papéis secundários.
Na Grécia, a vitória do Syriza de Alex Tsipras ( que ninguém sabe propriamente o que é ideologicamente)  merece igualmente destaque, mas o terceiro lugar do Aurora Dourada  ( à frente do PASOK) é aterrador!


A figura nacional : um conservador de esquerda

A figura que, em Portugal,  emerge  destas europeias é Marinho e Pinto. Sem uma máquina partidária a apoiá-lo, quase sem cobertura jornalística e aparecendo apenas a espaços nos canais de televisão, o ex-bastonário da ordem dos advogados conseguiu a proeza de convencer mais de  230 mil pessoas ( 7,2%) a votar nele. 
Se compararmos os votos do MPT em 2009 (23 mil) com os de 2014, é fácil concluir que foi Marinho e Pinto o responsável por esse  crescimento.  É muito cedo para se saber  o que representarão o MPT e  Marinho e Pinto no futuro. Em 2015 haverá um teste importante. Se Marinho e Pinto se candidatar às legislativas - o próprio ontem admitiu essa hipótese- quanto valerá o MPT na AR? 
A pergunta é pertinente, porque em campanhas legislativas, Marinho e Pinto não pode esconder dos eleitores de esquerda que nele votaram, a sua posição anti casamentos gay e  coadopção.   
Daí que seja pertinente a pergunta que muitas pessoas me fizeram nas últimas horas: qual a possibilidade de o MPT vir a ser parceiro governativo do PS em 2015?
Sinceramente, não acredito muito nessa possibilidade. Marinho e Pinto é uma pessoa de esquerda e poderia ponderar a hipótese de uma aliança com o PS, mas nunca com o actual líder socialista. Por outro lado, ao aliar-se com o PS perderia parte da sua base eleitoral, angariada entre os que aplaudiram o Palito e outros justiceiros de ocasião, empolgados com o seu discurso justicialista.
Apenas uma breve nota sobre o LIVRE. O partido de Rui Tavares teve 2% dos votos. Não foi um grande resultado, mas permite ao LIVRE sonhar com algo mais nas legislativas: a possibilidade de eleger deputados e até formar um grupo parlamentar.