quarta-feira, 21 de maio de 2014

Quem discorda de Pinto da Costa?

O presidente do FC do Porto não costuma meter-se em política, nem tecer grandes comentários sobre governantes. A  última vez que me lembro de o ter feito foi quando Catroga mandou penhorar as retretes do estádio das Antas- o então ministro das finanças deve ter confundido com as retraîtes  que este governo penhorou.
Hoje, em Gaia, Pinto da Costa voltou a falar de política para dizer uma coisa de que poucos discordarão:
" os actuais governantes deviam ter vergonha, fazer as malas e abandonar o país"

Rangel fez-se de burro, ou só fingiu?



O professor Marcelo foi ontem a Coimbra fazer um dos seus números de circo. " Voto na Aliança Portugal, porque  só há uma lista que apoia Juncker e ele é o homem certo para ser o próximo primeiro-ministro da Europa" - disse Marcelo durante o comício da versão europeia dos traidores que venderam o país a interesses estrangeiros.
De acordo com a comunicação social, esta declaração de Marcelo provocou bastante incómodo nos apoiantes da lista dos traidores de Portugal. Redes sociais e comentadores analisam o discurso como uma demarcação do professor em relação à Aliança.
A minha interpretação é radicalmente diferente e oposta à que vem sendo veiculada. Marcelo sabe perfeitamente que as eleições do próximo domingo não são para eleger o "primeiro-ministro da Europa", mas sim os deputados ao PE. Sabe também que -   mesmo no caso de uma vitória do PSE - Juncker será sempre o sucessor de Barroso, porque o PPE conseguirá formar alianças no Parlamento Europeu que garantam o apoio à decisão do Conselho Europeu que, claramente, apoia para a escolha de Juncker. Uma vitória do PSE  será sempre por uma diferença escassa e os socialistas europeus não conseguem, à esquerda, os apoios de que necessitariam para impedir a vitória do candidato do Conselho.
Houve duas razões que levaram Marcelo a  fazer aquele número de circo.
Primeira: desvalorizar uma eventual vitória folgada do PS no próximo domingo. Na noite eleitoral, Marcelo dirá, com aquele ar cândido que se lhe conhece "o que interessava, nestas eleições, era a vitória do candidato do PPE e isso foi conseguido. Aliás, já tinha dito isso esta semana num comício da AP, em Coimbra, o que me valeu aliás diversas críticas do meu partido"
Segunda: Ao fingir que a sua  declaração  visava demarcar-se da Aliança Portugal, Marcelo estava a pensar nas presidenciais. Dando uma imagem de independência em relação ao actual governo, Marcelo estava a pensar nas presidenciais de 2016.  Piscou o olho ao eleitorado centrista e laranja, descontente com o actual governo -e mesmo a alguns socialistas- dizendo-lhes: podem contar comigo. Não sou como Cavaco. Mesmo que o PSD venha a integrar o próximo governo, vou sempre defender os interesses dos portugueses e não deixarei de actuar de acordo com aquilo que penso que é melhor para o país. (obviamente que é mentira, mas muitos papalvos cairão na esparrela)
Não acredito que Paulo Rangel não tenha percebido a jogada de Marcelo. Fez-se de burro e fingiu algum desconforto, mas entregou a Nuno Melo o papel de amuado. Esse, sim, intrinsecamente burro.
Aviso: para perceber melhor o que se passou em Coimbra - e, vá lá,  conhecer um pouco mais as matreirices de Marcelo -  aconselho a leitura deste excelente texto de Ana Catarina Santos


O pior é depois...

Circulam por aí notícias a dizer que Portugal é um dos melhores países para se nascer. O meu comentário imediato foi "o pior é depois" (quando chegam a adultos).
Hoje, o meu comentário torna-se ainda mais restrito. Para nascer, Portugal pode ser um país do caraças  mas,  para viver,  nem às crianças interessa...

No dia 25 lembre-se...(2)


Foto procura legenda para relacionamento sério!

Desde que virou vice, o Paulinho das feiras mudou de palco. Nesta foto, faz-me lembrar o Jack Nicholson em "Voando sobre um Ninho de Cucos" mas desafio os leitores, muito mais imaginativos do que eu, a colocarem a legenda adequada a esta foto de campanha ( imagem do Expresso), tirada ontem em Aveiro.  A expressão contemplativa de Rangel, perante o ar meio tresloucado  de Portas, levanta-me dúvidas sobre o local onde estavam os figurões.