sexta-feira, 9 de maio de 2014

Jantar em silêncio ( Actualizado à hora da sobremesa)

Parece que no dia 25 a Lagarde, o Barroso e o Draghi só vêm para jantar. O seminário só começa no dia 26. Tudo bem. Agora fico na expectativa de ver como se comportará a comunicação social portuguesa nesse dia, quando o trio aterrar na Portela...
Enquanto aguardo e  a esquerda protesta, registo o silêncio do PS. Quem cala consente?
Em tempo: hoje, às 22h57m o JN publica esta reacção do PS. Chegou à hora da sobremesa. Mais vale tare do que nunca)

Temos pena, mas...

Nos últimos dias de Abril, o governo autorizou  os proprietários do cinema Londres a mudarem a actividade do espaço. Os proprietários conheceram a decisão através dos jornais e avançaram com as obras para a instalação de um estabelecimento comercial.
Tenho pena de ver o Londres transformado em loja de produtos chineses, porque era das poucas salas onde ainda entrava para ir ver um filme.  É, porém, uma perda de tempo e uma injustiça acusar o governo ou a autarquia, pelo encerramento. Somos todos culpados. Nas últimas vezes que lá entrei as salas estavam sempre às moscas  e, como acontece em qualquer outro ramo de actividade, quando não há clientes não há condições para sustentar o negócio. São as leis do mercado a funcionar. Como aconteceu  com o Quarteto e o King ou, em tempos mais recuados, com as grandes salas de cinema lisboetas e portuenses.
Lamento o desaparecimento de salas de cinema  livres de pipocas. Como noutros tempos lamentei o desaparecimento da Colombo e da Roma, para darem lugar a assépticos e mal cheirosos McDonalds. Tenho pena, mas nada posso fazer. Sempre preferi cafés e pastelarias a estabelecimentos de fast food, mas tenho de reconhecer que  fomos nós, consumidores, que  condenamos esses espaços à morte. 
Somos nós, através das nossas escolhas, que escolhemos o modelo social em que queremos viver. Temos um poder enorme nas nossas mãos que desconhecemos, ou não sabemos exercer. Pensamos, erradamente, que só podemos mudar a sociedade através do voto em eleições. Os consumidores têm muito mais poder do que isso. Foram os consumidores que escolheram as cadeias de fastfood em detrimento dos cafés; os centros comerciais em vez do comércio tradicional; o home cinema  como substituto cómodo da sessão de cinema. E por aí adiante. Cada escolha que fazemos é um voto num determinado modelo e isso representa um poder enorme que os consumidores desconhecem e cuja importância, por vezes, até desdenham.  No entanto, se não fossem os votos persistentes dos consumidores do leste europeu na Internacional Consumista, ainda hoje haveria muro de Berlim e se falaria da Cortina de Ferro. 



Esquizofrenias

Pedro Passos Coelho, além de uma difícil relação com a verdade, tem uma relação complicada com a realidade.
Quinze dias antes de aumentar a TSU e o IVA, garantia que não iria aumentar impostos.
Esta semana voltou a garantir que não haveria mais aumento de impostos mas hoje, na AR, voltou a admitir essa possibilidade.
Seria bom para o país que PPC fosse submetido a uma junta médica independente porque o homem, com tantas contradições, só pode ter um problema de saúde grave.
PPC é um insulto à inteligência dos portugueses. Ao pé dele, Sócrates é uma pessoa impoluta e um governante de excelência. E, acima de tudo, uma pessoa com boa saúde mental.

E vão comemorar o quê?




Hoje comemora-se o Dia da Europa. Em vários países europeus é feriado. Olho para a Europa do século XXI  e pergunto-me: vão comemorar o quê?
- Não terem reconhecido a vitória do Hamas e apoiado os corruptos,  apesar de terem admitido que as eleições tinham sido livres e justas?
- Terem- se apressado a  reconhecer a independência do Kosovo - um país que só existe no papel- e aberto o caminho para a proliferação de movimentos independentistas?
- Terem reconhecido e apoiado financeiramente o governo fascista da Ucrânia, eleito numa praça, por fascistas de braço no ar?
- Terem criado condições para o crescimento da extrema-direita  na Europa?
- Terem esmifrado os povos do sul e enriquecido com a sua miséria?
- Terem promovido uma política de aumento das desigualdades?
- Terem criado novos escravos, com  salários de miséria e liberalizado os despedimentos?
- Terem aumentado o desemprego, a pobreza e a fome?
-Terem desmantelado o Estado Social e promovido uma política social em que uma vaca recebe um subsídio de 2€ por dia, superior ao que é conferido a um  cidadão com fome?

Não há razões para festejos.A Europa - escrevo-o pela enésima vez- está a esboroar-se e começa a ser pouco respeitada no mundo inteiro. Já toda a gente percebeu que a UE interessa apenas a meia dúzia de países que pretendem explorar os restantes. Não foi esse o espírito dos seus fundadores.
Por isso, hoje, em vez de comemorar a construção europeia, despeço-me da Europa. Sem mágoa. Apenas com o desprezo que sinto pelos crápulas. A Europa actual é isso. Um grupo de crápulas, mentirosos, incompetentes, fascinados pelos cifrões, insensíveis com as pessoas e programados como computadores, que governam um continente que já deu bons exemplos ao mundo.