quinta-feira, 8 de maio de 2014

Alegoria(s) da saída limpa

A saída limpa tem-me feito recordar, por estes dias, algumas histórias antigas que esmaecem o alvoroço festivo que se apoderou da coligação do pote.
Em primeiro lugar veio-me à memória o caso da FORD, no início do século passado.  O FORD T foi um sucesso de vendas mas os consumidores, fartos que estavam da cor preta, começaram a exigir  automóveis com outras cores.  Henry Ford, conhecedor da teoria da "Necessidade de Satisfação do Cliente", mas indisponível para fabricar automóveis com outras cores, porque seriam um obstáculo à produção em massa e tornariam o carro mais caro, reagiu com sobranceria e disparou: 
As pessoas podem ter o carro da cor que quiserem, desde que seja preto.
Com a saída limpa, ocorreu algo de semelhante: o governo não tinha escolha, porque os parceiros europeus não estavam dispostos a apoiar um programa cautelar.
Ocorreu-me também outra história, porventura mais divertida, que ilustra as consequências de uma saída sem rede. Se as coisas correrem mal e os juros subirem, muito provavelmente, será este o resultado...

Ai, Tozé, Tozé!

Só ontem à noite vi a entrevista de Seguro ao "Expresso". Sem surpresa, confirmei que ali não nascem ideias novas  há uma década. Confirmei, igualmente, que o líder do PS não se compromete com nada. Nem descida de impostos, nem reposição de salários e pensões, nem redução do horário de trabalho dos funcionários públicos para as 35 horas. O único compromisso que assume é a descida do IVA da restauração. (Sobre o IRC e a TSU não foi perguntado).
A manutenção desta promessa cheira-me mais a compromisso assumido com parceiros sociais, do que a convicção. É que a descida do IVA da restauração, nesta altura do campeonato, não vai alterar absolutamente nada. Nem vai gerar empregos como ele julga, se a economia não reanimar, nem vai beneficiar os consumidores, porque a AHRESP já veio esclarecer que os preços não descerão se o IVA baixar, porque as margens de lucro são muito curtas.
Assim não descolas não, Tozé. Mas isso talvez seja uma boa notícia!

Como fazer bebés?

No meu tempo toda a gente sabia como se faziam os bebés. Difícil era saber como evitá-los. Agora os casais precisam de explicações...

Retratos da Europa (3)








A carta

Passos está muito enxofrado porque a oposição desconfia que a carta ao FMI está a ser escondida, como o terceiro segredo de Fátima, para evitar danos eleitorais.
A oposição tem toda a legitimidade para desconfiar. Gato escaldado de água fria tem medo e todos nos lembramos das mentiras de PPC durante a campanha eleitoral de 2011. Se a carta não escondesse compromissos assumidos pelo governo que irão trazer mais austeridade para os portugueses, o governo divulgava-a. Ao escondê-la está a admitir que há gato escondido com o rabo de fora. 
Compreendo que PPC peça ao PS para fazer uma campanha limpa, mas para isso é preciso que o governo não faça jogo sujo. Se não têm nada a esconder, divulguem a carta e acaba-se a discussão. Se o não fizerem, é porque há mesmo marosca e o governo está a esconder dos portugueses medidas gravosas. Ponto final.