terça-feira, 6 de maio de 2014

As mulheres são umas galdérias?

Que a comunicação social portuguesa- nomeadamente a económica- está esmagadoramente ao serviço da direita, não é novidade para ninguém. 
Que alimente teias de aranha existentes na mentalidade portuguesa, já é mais surpreendente. Numa época em que as mulheres estão em maioria nas redacções, não consigo perceber títulos como este


Mais vale tarde do que nunca mas...

Foi preciso haver um massacre perpetrado por fascistas ucranianos, para que alguns comentadores começassem a perceber que  a versão oficial sobre os acontecimentos na Ucrânia, veiculada por Bruxelas e Berlim, está repleta de  falsidades.
Foi preciso assistir à morte de (pelo menos) 40 cidadãos pró russos,  para que se levantassem vozes contra o cobarde silêncio da comunicação social, que deliberadamente omitiu que o alegado incêndio num acampamento e, posteriormente, num edifício sindical, fora provocado por um grupo fascista, apoiante do governo de Kiev.
Foi preciso jornalistas do New York Times, presentes na Ucrânia, desmentirem a versão ocidental do apoio de Putin aos militantes pró-russos, combatentes anti-fascistas, para que alguns comentadores se indignassem.
Mais vale tarde do que nunca, é certo, mas eu já alertara aqui, em Março, que a comunicação social estava a manipular a informação sobre a Ucrânia, omitindo a verdade e citando, de forma acéfala e acrítica os comunicados de Bruxelas e Berlim.
Seria bom que os comentadores encartados não demorassem tanto tempo a denunciar o apoio da comunicação social portuguesa ( nomeadamente a económica) às mentiras do governo sobre a saída limpa, o período pós troika, a reposição de salários e pensões ou o atenuar dos sacrifícios dos portugueses nos próximos anos.
Aproximam-se as eleições europeias e os portugueses têm direito a saber a verdade sobre o que os espera num futuro próximo, que se antevê bem mais negro do que o propalado pela nossa troika interna (Cavaco, Passos, Portas) orientada pelo maestro da ignomínia, Durão Barroso,  com o apoio prestimoso e conivente da comunicação social. 

A falta de vergonha também acaba no dia 17?

"Felizmente, a austeridade irá terminar no dia 17"-  Paulo Rangel, candidato do PSD/CDS às europeias de 25 de Maio.
E a falta de vergonha na cara quando é que acaba, pá? 

Retratos da Europa (1)



Casting para o papel de Miguel de Vasconcelos



Paulo Portas anda eufórico com as comemorações do novo 1640. Só que terá esquecido um pequeno pormenor: não há 1640 sem um Miguel de Vasconcelos...
Urge, pois, encontrar um traidor adequado para defenestrar no dia 17 de Maio. Avisado e astuto, como qualquer vigarista que se preze, Passos Coelho já veio demarcar-se dos festejos, ao declarar que a saída da troika não se pode comparar com 1640 . Não podemos por isso contar com o pm para desempenhar o papel que tão bem poderia desempenhar.
Paulo Portas alega o facto de ser o organizador da festa para não poder vestir a pele do energúmeno traidor.
Marilú, responsável pela dose de austeridade assassina, alega que o papel não pode ser representado por uma mulher. No entanto, não querendo estragar a festa, encarregou um dos seus secretários de estado de organizar um briefing secreto com alguma comunicação social, para sugerir o nome de Vítor Gaspar. Infelizmente com esse também não podemos contar, porque já pediu protecção ao FMI.
Cavaco Silva seria uma solução consensual, mesmo no seio da coligação, mas o PR, não tendo qualquer desculpa para invocar, decidiu acompanhar a Maria  na sua viagem turística à China, esquivando-se assim a desempenhar um papel que lhe assentava como uma luva.
O mais provável, pois, é que não haja festejos no dia 17 de Maio, por falta de comparência de Miguel de Vasconcelos.A troika continua por cá a mandar no governo e a esmifrar os portugueses, passando no entanto à clandestinidade. O importante é manter os portugueses iludidos, na crença de que a troika se foi embora e Portugal recuperou a sua soberania.